quarta-feira, 29 de maio de 2013

Não percam

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Não percam:


FELIZ



Feliz como o nome já diz era um homem muito feliz. Mas, pensem num homem feliz. Assim era Feliz: um sujeito de bem com a vida que, quem não o conhecia, dizia que era um débil mental, pois, o homem vivia rindo feita uma hiena adolescente.




Repórteres do mundo inteiro, inclusive do Paraguai, queriam entender o porquê de Feliz ser assim tão feliz. O homem morava só num barracão de zinco tão quente que ele fritava ovos na parede. Era só jogar os ovos e pronto. Ficavam fritinhos.


Certo dia, bem na hora da boia, bate em seu portão um homenzinho franzino, velhinho e pergunta quase chorando para Feliz:
- O senhor não teria um pratinho de comida pra servir a este humilde e pobre velhinho?
Feliz dá um abraço tão forte naquele velhinho que, por pouco não o quebra.





- Vamos entrando, vovô. Aqui em minha casa é só alegria.

Havia um cacho de bananas nanicas em cima da mesa e Feliz lhe serve. O velhinho odiou aquilo porque queria comer filé com fritas, jamais bananas nanicas. Comeu umas três para não fazer desfeita.
- Estou satisfeito, senhor. Obrigado.
Feliz dá um sorriso daqueles bem assustadores.
- O que?! Satisfeito está o peido. Não fique acanhado pobre diabo. Coma mais.
E o velhinho come forçado mais três bananas. Feliz insiste para ele comer mais e o coitado acaba arrotando.
- Agora estou satisfeito, senhor.
- O que?! Seis bananinhas pode matar a fome de cinco mil e uma formigas, mas, não a fome da tua barriga. Coma mais.
E aquele velhinho acaba comendo todo o cacho de bananas. Não resistiu. Não deu pra segurar e acaba soltando um peido revoltado.
Feliz lhe diz sorrindo:
- Agora sim, creio que tu estás satisfeito. O peido é a marca registrada da satisfação. Vá em paz dando glórias e glórias.
No caminho, aquele velhinho amaldiçoa tanto Feliz que acaba chorando de puro ódio. Estava ele agora com uma dor de barriga desgraçada. Entra num matagal, desce a calça e dá aquela barreada, como diz a linguagem popular. Teve vontade de comer vivas aquelas aves que não paravam de repetir: “Bem te vi! Bem te vi!”.
Voltando aos repórteres do mundo inteiro, inclusive do Paraguai, queriam saber, entender, compreender o porquê de Feliz ser assim tão feliz. Um dos repórteres, inclusive do Paraná (estado brasileiro) conseguiu um furo de reportagem que, sem dúvida, vai ficar na história. Feliz fala no microfone diante das câmeras de televisão:
- Eis que vou revelar o segredo pra vocês de eu ser assim tão feliz.
O mundo aplaude Feliz e fica em silêncio e ele, toma um gole de pinga e diz:
- Um ser como eu, dotado de muita saúde, energia vital Brasil, capacitado de belezas mil; aquele que era, que é e que sempre será tem o mérito, a honra de falar ao mundo, de falar a este povo sofrido, maligno, desgraçado, macumbado, derrotado, caído como um pinto que tanto queria ser galo, porém, nunca foi por causa da mãe galinha assassina que matou tal pinto pelo bico, pois, se esta peste tivesse dentes como a cadelinha, o filho do pinto seria mais drástico, porém, isso agora não vem ao caso.
Feliz faz uma pausa, toma um gole de pinga e continua.
- Não tenho ouro, nem prata, aliás não tenho nada, porém, toda via, entretanto, contudo e com nada sou feliz como o papai abutre que vê seus filhinhos abutrinhos comendo carniça e se satisfaz com isso porque é pai e eu pergunto: qual é o pai que não ama o seu filhinho? Abutres também amam Dona Ruth.
Feliz faz outra pausa e toma mais um gole de pinga e depois prossegue:
- O nenenzinho desde o ventre de sua mamãe já almeja a felicidade. A sua felicidade. Desde quando, lá atrás, no passado, ele era uma porra louca já sonhava com a boa vida e sossego do baiano, com os pulinhos das pererecas e rãs e, principalmente com o oceano de Djavan, porém, isto também não vem ao caso agora. A felicidade não se compra, não se vende, e muito menos se aluga como muitos fazem com suas bundas. Que feio! Tudo na vida tem um preço e este é o verdadeiro segredo. O peido, por exemplo, é um gás feliz. A felicidade de um peido quando sai de um reto quadrado, redondo ou fedorento é tanta que ele até evapora. Observem vocês aquela mocinha linda, sensual, cheirosa como o creme de Madonna (deve ser bom e caro), pois, saibam que aquela linda mocinha também peida e digo mais: até caga. A mocinha peida às escondidas porque é educada, mas peida como as borboletas e as centopeias e isso também não vem ao caso agora.
Feliz faz mais uma pausa. Toma mais um gole de pinga e depois prossegue:
- O homem tem que sorrir para ser feliz. Meu pai teve a feliz ideia de me dar esse nome porque previu que eu seria um ser diferente de todos e é isso que eu sou. O povo chora a toa. Basta ouvir um flashback do ídolo mega star Amado Batista e já está chorando feito um embrião adulto. Por que isso? O amor é lindo quando se ama sorrindo. Baratas não perdem tempo com lágrimas e olha que elas adoram cebolas. Observem que olhos lindos elas têm. Pernilongos não perdem tempo com chupetas mas, adoram chupar e o que isso tem haver? Por que o bebê automaticamente para de chorar quando a mamãe lhe da uma chupeta? Que graça tem isso bebê bundão? Parece bobo.
Feliz faz mais uma pausa. Toma mais um gole de pinga e prossegue:
- Nem todo Luiz é feliz e isso não tem o menor sentido. Tenham fé e acreditem na alegria de uma égua parindo um cavalinho que já nasce meio grandinho. E o cavalinho troteia e até galopa. Sorria pra si mesmo olhando em seu espelho. Olha só a obra que papai e mamãe fizeram: você. Então, sorria porque viver é só alegria.
Feliz toma mais um gole de pinga, pega um repórter paraguaiano e lhe enche de porradas. Uma repórter norte americana, preocupada com tal violência pergunta:
- Por que o senhor fez isso, Feliz?
Feliz da um sorriso diabólico e diz:
- Porque eu estou muito feliz. Quando não se sabe mais o que fazer de tão feliz que está tem que sair dando porradas.
Vichi! Feliz enche de porradas também aquela repórter norte americana. Toma o último gole e, finalmente, revela o segredo de sua felicidade.
- Pra ser feliz é isso daí: tem que comer bananas. Quem já viu um macaco triste? Eu nunca vi. Banana é o alimento que engorda, faz crescer e peidar. Eis aí o segredo da felicidade: comam bananas.
Feliz cai na frente das câmeras de televisão e morre pra alegria de todos. Que cara chato, sô!



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terça-feira, 28 de maio de 2013

INDIRETAS E DIRETAS


Você sabe o que quer dizer indireta? É uma forma de você dizer algo a respeito de alguma coisa ou de alguém, mas sem fazer uso de algum acontecimento explícito, há certa subjetividade no seu diálogo e que pode até mesmo vir acompanhado de um teor irônico a respeito do fato e da afirmação.
Direta – que logo se pode ver o sentido da oração.

Ás vezes, indiretas não funcionam, ou como diz a linguagem popular: não colam. Talvez, porque o indiretado tem raciocínio lento e por isso não captou tal indireta ou quem sabe, por outro lado, espera de você uma franqueza de palavras, ou seja: seja direta, sua anta. Se o calo dos seus pés está doendo, não culpe os sapatos. Trate de seus calos.
Zé Ruela era um vendedor de panelas. Tinha apetite de galinha, aliás, nunca vi um bicho comer tanto. Cito a galinha.
Sucedeu que, um dia, Zé Ruela foi vender suas panelas numa vila já fora do mapa geográfico e, lá, não havia restaurantes e, tudo quanto foi boteco que ele entrou não encontrou sequer um salgado cru, frito, assado, em conserva ou cozido. Só tinha doces.
Zé Ruela vendia panelas como quem vende cuecas e calcinhas em promoção de liquidação total pra fechar a loja do turco maluco, porém, o cabra precisava comer. Bateu palmas num portão e sentiu vindo à sua direção um delicioso cheirinho de linguicinhas fritas. Pensou animado: “É aqui”. Uma senhora gorda, simpática, com cara de cozinheira italiana veio lhe atender.
- O que deseja, meu senhor?
- Estou vendendo panelas e...
Aquela senhora já diz sorrindo:
- Dio santo! Chegou à casa certa. Eu quero frigideiras, panela de pressão e uma panela de taxo. Quanto é? Eu pago.
Zé Ruela com uma fome de abutre faz uma boa venda para aquela senhora e, na sequência, com o dinheirinho no bolso, joga uma indireta.
- Por acaso, minha senhora, sabe me dizer se existe um restaurante ou alguém que vende comida por aqui, nesta vila?
E aquela simpática mulher responde:
- Dio santo! Moro aqui há 30 anos desde que foi fundada esta vila e nunca ouvi dizer que por aqui tem um restaurante, tio.
- Tio?!
E aquele cheirinho de linguicinhas estava atentador de mais para a fome de Zé Ruela.
- Tio, foi um prazer imenso te conhecer. Obrigado pelas panelas, mas tenho que entrar se não minhas linguicinhas italianas vai queimar.
Zé Ruela bate palmas em outro portão, atraído dessa vez, por um cheirinho de peixe frito. Vem lhe atender um pescador. O sujeito compra-lhe umas panelas e, desta vez, Zé Ruela joga uma indireta diferente:
- Amigo, estou com uma fome assustadora. Onde posso pagar por uma refeição por aqui?
- Sei não, meu senhor. Deve ter não. Obrigado e boas vendas.
E assim, as horas foram passando e a fome de Zé Ruela aumentando. Ele bate em sua própria cabeça e diz: “Deixe de ser besta, homem. Vou ser direto”. Bate palmas noutro portão e, desta vez, não sente cheiro de nada. Vem uma velhinha lhe atender, tão magra feita uma cana de açúcar. Zé Ruela não vende nada ali, porém, é direto:
- Minha senhora, sou vendedor e estou com muita fome. Dou-lhe seis panelas que são as últimas que me restaram, por uma refeição, pode ser ou não?
A velhinha lança lhe um sorriso simpático:
- Pode entrar, meu filho. Vai comer tanto até teu reto criar barbas.
Zé Ruela nota que ser direto costuma dar certo, porém, fica decepcionado minutos depois.
- Zé menino, se tu me chega meia hora antes ias comer uma deliciosa feijoada, porém, a última pratada que sobrou, dei pra minha cadelinha. Olha só a carinha dela de satisfeita. Ela não é bonitinha? Mas tem doce. Quer doce?
Fazer o que né? Diretas costumas dar certo, porém, na hora certa. O infeliz de Zé Ruela estava achando que em plena cinco horas da tarde iria almoçar. Coitado! Deu seis panelas em troca de um prato de doce, pois, se não comesse, não teria forças para se arrancar daquela vila. É mole?


segunda-feira, 27 de maio de 2013

CIÚME EXAGERADO


Um pouco de ciúme até que faz bem, bebê apaixonado pelas tetas da bichana mamãe, porém, demais, é algo doentio, meu tio.
Fernando, o que mais tinha de lindo, ou seja, a única coisa que tinha este ser gerado por acaso tinha de lindo era somente o seu nome. Logo de cara, ao nascer, a parteira cristã, temente a Deus já deu uma boa nova para as enfermeiras amigas da maternidade:
- É uma criatura assustadora, porém, será um anjo. Pra ser tão feio assim, engoliu na certa água de parto, mas, isso passa. Olha o saco do bebê. Promete ou não? Espera esse moleque crescer.
O bebê Fernando cresceu como crescem as mandiocas. A feiura do coitado era capaz de fazer até as almas penadas de o cemitério dormirem mais cedo. Por outro lado, era ele bem visto e bem quisto por grandes artistas plásticos do mundo inteiro, pois, os denominaram como um abstrato e isso é cultura.
Fernando, por um milagre do destino arrumou uma misteriosa namorada. O cara era tão feio que, graças a sua feiura era milionário. Ídolos como Pelé, John Lennon, Michael Jackson e outros sexos ele carregava no saco. O que?! Pensem num homem rico, miséria de vida!
Sucedeu que um dia, enquanto o milionário Fernando tratava de seu elefante dando-lhe Danoninho no canudinho, repórteres do mundo inteiro e, isto inclui também o Paraguai, os surpreenderam. Invadiram a mansão de Fernando com helicópteros pousadores feitas moscas famintas no bolo prestígio de Lúcia. Subitamente, Fernando baba. Tem um ataque epilético e depois se acalma e desabafa:
- Entrevistem a mim, porém, jamais a minha mulher.
Quando o repórter é bom, ele tem que ser curioso como o gato. É evidente que os repórteres queriam conhecer a dama de um dos homens mais poderosos do mundo.
De repente, surge na janela de uma das suítes daquela mansão uma mulher linda. Pensem num pêssego. Que mulher linda! Um dos repórteres pergunta:
- Aquela é sua mulher, Dr. Fernando?
Fernando sorri irônico:
- Vai sangrar no inferno. Aquela é apenas uma das minhas criadas.

Nisso pinta em outra janela uma mulher tão perfeita como o oxigênio da vida. Pensem numa ameixa, mas não mecham. Deixe ela quieta, pois, aquela era a mãe de sua mulher misteriosa.
A vida realmente nos surpreende amados batistas, católicos ou não. Pensem numa aparição. Surgiu ali diante das câmeras da televisão Maria Encarnação. Uma mulher ou seria o cio vindo das correntezas espermatozóidicas? “Aquilo”, assim vou denomina-lo era feio demais, porém, era o amor único e universal de Fernando. Por que será que este jumento em forma de homem tinha tanto ciúme “daquilo”? Julguem entre vós mesmos porque eu cheguei a uma conclusão, a um veredito. Sem dúvida, contarei a vocês no próximo capítulo.


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GENTE DA CAVERNA (SOPA DE PEDRO)



Uma forte tempestade de ventos e chuva fortes. Um grande terremoto, por pouco não finda com toda a terra. Os únicos sobreviventes de tão terrível calamidade foram a gente da caverna.
Cavernildo ficou preocupado ao ver seus filhos Pedreirinho e Rochinha querendo comer um ao outro, pois, a fome era demais.
- Não se desesperem símbolos da maldição, ainda existe o pôr-do-sol.






Pedreirinho, revoltado querendo comer sua irmã Rochinha diz ao pai:
- Não podemos comer o sol, meu pai. Ele é muito quente. Cai fora daqui que eu sei o que estou fazendo. Daqui pra frente tudo vai ser diferente.


Diz Rochinha:




- Vai-te embora, meu pai. Sempre chegando na hora errada. Aqui o lance será rapidinho e tudo vai acabar bem. É só um lanchinho rápido.




Cavernildo, preocupado coça seu escroto e diz convincente:
- Darei um jeito. De fome ninguém vai morrer não.
Não havia sequer uma alma vivente na terra a não ser aquela gente da caverna. Não havia árvores e é claro, muitos menos frutos. Nem ao menos um macaquinho inocente perdido havia por ali. Cavernildo da uma ordem a sua mulher Pedreira:
- Ferva a água no caldeirão.
Meia hora depois, Cavernildo chega com um saco de pedras e joga-as no caldeirão de água fervente.
- Nesta hora temos que ter fé, família. As únicas coisas que encontrei nas andanças foram isso daí: pedras, seus famintos.
Pedreira joga no caldeirão terra pra dar um sabor diferente, mas, danou-se tudo: nem o demônio comia aquela sopa. Inocentemente, Rochinha pergunta a sua mãe:
- Por que as pedras não amolecem, minha mãe?
Pedreira nem um pouco delicada da uma pedrada na cabeça da filha.
- Vai sangrar no inferno, sua peste do acaso.
Cavernildo chora entristecido porque estava também com muita fome.
- Mulher, não tem outro jeito: tua mãe já está passada, já viveu o suficiente na vida e o que tinha que dar já deu. Vamos fazer dela picadinhos, pois, assim, mataremos nossa fome e também a de nossos filhinhos.






A velha Cavernosa escutando isso da umas cabaçadas de pau com prazer na cabeça do genro Cavernildo.
- Te acertei, jogo de azar? És tu mesmo que vais pra panela.

Vichi! O clima estava tenso demais dentro daquela caverna devido a fome. Nisso, bate na porta um ser estupidamente feio, um horror:

 - Oi amados, posso entrar? Meu nome é Pedro, sou gente da caverna também como vocês. Tem uma sopinha aí pro conterrâneo?
Coitado de Pedro! Ele também estava muito faminto. Provou da sopa de pedra, mas, a coisa não queria descer não. Foi quando Cavernildo, como sempre, teve uma ideia e anunciou a sua família:
- Sopa de pedra não desce, porém, sopa de Pedro é outro papo. Não deixem o homem escapar, família. Segurem o Pedro.
E assim fizeram de Pedro picadinho , jogando-o dentro do caldeirão fervente. Que maldade fizeram com o conterrâneo Pedro, meu Deus!

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sábado, 25 de maio de 2013

PIÁ MEU DEUS



Piá meu Deus, sou um ser complexado, indignado com a vida, revoltado com tudo, com todos e com o mundo; infeliz, pois, tudo o que faço da errado, ou seja: nada da certo.

Às vezes, fico observando uma barata comendo prazerosamente um fia pinho de carne que o carnívoro tirou dos vãos de seus dentes e cuspiu longe e, fico na curiosidade de saber se ela (a barata) é mais feliz do que eu. Fico me perguntando que tipo de prazer é esse das galinhas e de outras aves que passam o dia inteiro comendo migalhas? Caramba! Nunca vi uma galinha meditar, raciocinar, nem sequer chorar por um pinto ferido ou pela morte do galo coitado. Que mundo é esse das pulgas que quando não estão sugando sangue estão pulando feitos seus ídolos cangurus? Que tolice!

Acordo de manhã com um bafo de fel dos diabos querendo expelir a bílis de dentro de mim. Também, tomo todas na noite anterior. Bebo da bebida quente pra ficar contente, mas, não adianta: sempre acabo chorando porque minha vida é uma desgraça. Não consigo entender porque os seres humanos têm tanta necessidade de rir. Parece que não rezam. É tudo um absurdo. Não tem nada de engraçado na vida, Piá meu Deus. Se um bebezinho que chora soubesse o que lhe aguarda no futuro, certamente guardaria suas lágrimas para chorar mais tarde.

Odeio aqueles dias de sol em que as pessoas ficam bobas dando bom dia até pros cachorros. Adoro aqueles dias de inverno, céu cinza, nublado e chuva gelada. Sabe, sei lá, viu? Para mim nada tem graça. Ninguém sabe de nada e fica aí inventando que um dia tudo vai melhorar. Não vai melhorar nada, piá meu Deus. Tudo tende a afundar como aquele navio bateau mouche. O povo tem é mais que se afundar mesmo e isso incluem a mim também.

Observe, analise comigo e me responda: que graça pode ter uma bunda? Não existe nada, absolutamente nada que seja mais prazeroso para uma bunda que se preza, do que sentar num vaso sanitário ou naqueles piniquinhos de anões e despejar as imundícies, as carniças que comeu. O resto é pura safadeza. Por que é que cachorros gostam tanto de cheirar os de outros? Justamente porque não estudaram filosofia. Aliás, cachorros não estudam nada e não adianta você discutir comigo.

Como já disse, repito: para mim nada tem graça. Quando vejo aquela loura bonita, linda, sensual, charmosa, esbelta e ignorante fico horrorizado. Por que ignorante? Porque aquela praga peida, Piá meu Deus. Todo ser que vive, peida e isto é horrível.

Bom, foi um desprazer dos mais carrascos absurdos eu ficar aqui perdendo o meu tempo com vocês. Tenho que trabalhar. Encher a cabeça de ilusões dos ilusórios. Sou psicólogo. Meu nome é Gerólogo. Até logo.
 
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sexta-feira, 24 de maio de 2013

A GATA ÁGATA



Sou linda, sensual, romântica, delicada, manhosa, loura, porém inteligente, intelectual, excepcional, sensacional, universal e, por sinal, muito legal.
Sou carinhosa como a mamãe macaca tirando piolhos nas cabeças do seu filhinho macaquinho. Não gosto de gente grossa e muito menos fina; gente porca que tira meleca do nariz como quem limpa o salão anunciando que vai ter baile; tenho nojo de gente nojenta que cospe, arrota, peida e escarra em alta escala.
Casei-me com um careca e nosso casamento não durou nem um ano. Nunca tive o prazer de vê-lo pelado, pois, o homem dormia com duas calças e, me respeitava demais, entende? Dei-lhe um pontapé na bunda porque respeito demais é ruim, hein! Depois, me amiguei com um negrão de 2m que não durou nem dois meses. O cara era amigo demais, meu! Cai fora bactéria pegajosa. Depois fiquei com um cara que só falava em Jesus e aquilo acabou me irritando, meu! De tanto falar, o fanático deixava cair saliva até pelo nariz. Pulei fora. No momento estou só como o sol que queima. Não mexa na ameixa sua besta! Deixa ela quieta.
Sou uma pessoa humana, sentimental como uma cadela que chora vendo seu filhinho cachorrinho morrendo engasgado por causa de um ossinho de frango ou de passarinho. Às vezes, choro tanto, mas, tanto que só me alegro quando olho pra cara do meu pai, pois, o homem é feio, gente. Pensem num homem feio. Não consigo entender como uma criatura tão linda como eu pode ter vindo de um homem tão feio como esse meu pai. Conga nele, Caboclo Giré! Será que mamãe estava com diarreia cerebral quando se uniu com aquela coisa? Se bem que mamãe é feia também. A velha chega a feder de tão feia que é, gente! Então as pessoas do mundo inteiro me perseguem via internet por e-mails e outros meios tipo: “Você é adota ou adotiva? Me explica?” “Seus pais são ETS, linda Nenê?” “Da feiura dos velhos saiu você linda figura. Jura?”
Às vezes caio numa depressão “Michaeljacksoriana” porque não me deixam em paz. Já dei tantos autógrafos que por pouco não perdi a mão. Que gente perseguidora, meu! Vão incomodar a Xuxa chuchu chulé! Me poupem porque qualquer hora dessas eu vou peidar, hein!
Acho que seres humanos são seres humanos e não adianta discordar de mim. Seres humanos são seres humanos e esta é a melhor de todas as filosofias que já conheci.
Gente querida, estou exausta e, perdoem-me. Qualquer dia desses eu conto a linda história pra vocês da minha gata Ágata. Ela é tão lindinha. Meu nome é Lucinha.


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sexta-feira, 17 de maio de 2013

POR AMOR A ESCRITA


Marvin desde menino sempre gostou de escrever. Apaixonado por literatura em geral, lia de tudo, inclusive fotonovelas e histórias em quadrinhos. Fez belíssimas composições e músicas e, lamentavelmente, até o dia de sua morte, nunca foi reconhecido pelo público.
No primário escolar era elogiado pela sua professora Neusa devido ao seu bom comportamento e esforço para aprender e, também pela sua caligrafia legível e muito bonita. Na quarta série primária deixou sua professora Claudete emocionada com suas composições de redação sempre bem boladas.
Sempre gostou das artes em geral, em especial a música. Aos 16 anos já apreciava Maria Bethânia (sua cantora predileta) ouvindo cantar músicas do irmão Caetano Veloso, Chico Buarque de Holanda, Lupicínio Rodrigues, Gonzaguinha, entre outros monstros sagrados.
Seu grande sonho, antes de morrer, era poder divulgar o seu nome e, o maior, dos seus sonhos era poder ouvir uma de suas músicas cantada por Maria Bethânia.
Aos 17 anos era querido por todos na casa do sítio do Barracão de Laranjas em Mogi Mirim, interior de São Paulo. Lá cantava preferencialmente “Mundo Colorido”, um de seus sucessos e, ficava emocionado vendo a alegria do pássaro preto cantar com ele. Dormia sempre na casa daquele sítio e, numa noite, quando voltou do colégio, estava tão cansado que nem jantou como de costume. Apagou-se sobre a cama e, pelas altas horas da madrugada acordou com uma picada de aranha. Ficou triste em mata-la, por acaso, quando se coçou. Deixou aquela aranha sobre uma folha em branco de seu caderno e voltou a dormir. No dia seguinte, logo pela manhã, aquela pequena aranha não estava mais sobre a folha de seu caderno.
Com o passar dos dias, tinha constantes visões de aranhas e, o interessante era que ele podia estar dormindo, mas, acordava para vê-las como se tais lhes chamassem. Essas visões acompanharam Marvin por muito tempo e, ele nunca conseguiu entender isso.
Casou-se muito jovem e sem quaisquer preparos. Dizia ele, que cometeu a maior das loucuras em sua vida, mas, que faria tudo de novo por amor a seus filhos. Marvin nunca os sustentou e, literalmente, os abandonou ainda quando estes eram pequenos. Muito tempo passou e sentiu que já era tarde para fazer reparos de seus erros, porém, tentou. Tudo acabou em sonhos, que ele, lamentavelmente, nunca conseguiu realizar.
Já adulto, olhou a sua volta e caiu em depressão: não tinha nada de concreto em sua vida, nem mesmo um bom emprego que, seria o primeiro passo para se realizar. Suas músicas, suas composições ficaram gravadas em sua mente e em seu coração e, por ilusão, achava ele que um dia, faria muito sucesso e todos os seus entes queridos, em especial, seus filhos, teriam muito orgulho dele um dia. Desejava muito, mas, muito mesmo ser um grande pai. Não conseguiu ser grande, nem pequeno e, em vida, culpava-se por isso. Nunca conseguiu, em vida, abster-se do álcool e do tabagismo e, estes, sem dúvida, foram os principais causadores de sua morte.
Marvin perto dos 50 anos criou Dr. Boa, um personagem que, por intenção primária, levaria sempre o bom humor as pessoas. Seu maior prazer era o de arrancar risos de seu público, em especial das crianças que sempre amou. Ele nunca foi feliz e o mundo nunca soube disso.
Criou um Blog na internet de nome Doutor Boa Cultural e, todos os dias, tinha por missão, escrever diversas histórias a seu público do mundo inteiro. Sua pretensão não era a de visar lucros monetários com suas escritas, mas, sim a de ser reconhecido como escritor. Suas histórias eram sem dúvida, muito criativas e, nem sempre havia dose de humor nelas. Marvin baseava suas escritas no seu dia a dia. Nunca suportou a profissão de vendedor, porém, se viu obrigado a optar por isso para sobreviver.

Em 2013, no dia 27 de janeiro, aniversário de Matheus, seu filho mais chegado, foi picado por uma aranha marrom e o veneno dela costuma ser fatal como o foi para ele. Esperou seu veneno se espalhar pelo sangue antes de ir ao médico. Sem condições, comprou medicamentos caros e os desprezou em poucos dias o rígido tratamento, preferindo as cervejinhas de colegas na mesa de um bar. Esqueceu-se que não era mais jovem, pois, temia um dia em ficar velho. Não resistiu. Partiu deste plano, talvez, levando consigo seus sonhos, aqueles que ele nunca conseguiu realizar. Fez um único pedido antes de despedir-se da vida: Por amor à escrita, vou embora, porém, Doutor Boa não pode e não deve morrer.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

FAST MAN



Fast Man para quem não sabe é “homem rápido” em inglês. Pensem vocês num super herói veloz, capaz de resolver assuntos demorados em questão de minutos. Assim era Pentacilgo Pinto de Jesus Imaculado da Encarnação de Maria: o homem mais rápido do mundo.
Fast Man era bonito e gostoso feito o bolo prestígio de Lúcia. A mulherada ficava louca. Muitas velhinhas enfartaram-se. Sua voz era suave daquela de locutor de FM, entende? Enlouquecia até as bichas e os vermes também.
Para se ter uma ideia, Fast Man recebia e-mails do mundo inteiro, inclusive do Paraguai. Recebia cantadas diversas de gente de todo tipo. Sua beleza ultrapassava a de Amado Batista, era tanta que conseguia deixar os anjos do céu putos pra caracas, meu! Para as mulheres que são chegadas, que curtem e gostam de bundas moles másculas, a bunda de Fast Man era um filé a milanesa. Pensem numa bunda, amados.
É uma pergunta tola e estúpida que você, covardemente, acabou de fazer. É óbvio que Pentacilgo, o Fast Man era rico, seu fedido. O homem mais rápido do mundo vai ser pobre, sua anta? Da licença, né? Fast Man tinha castelos no mundo inteiro, inclusive no Paraguai.
O maior hobbie de Fast Man era apostar corrida com as avestruzes. Cruzes! Que pergunta bafenta, nojenta, de extremo mau hálito, sua Coisa! É claro que Fast Man ganhava a aposta, só que avestruzes não lhes davam nada, sua bunda mal lavada.
Num de seus quartos, em um de seus castelos mundiais, inclusive do Paraguai tinha tantas cartas de mulheres desocupadas e apaixonadas que não cabiam nele nem mais um bambu ou um pé de cana. Era praticamente impossível entrar naquele quarto porque a papelada, (cito as cartas, seu miolo de cérebro de bagre) chegaram até o teto. Pensem nos diversos países das mulheres que escreviam para ele. Pensaram? É claro: tinha cartas até do Paraguai. Nunca vi igual.
Fast Man leu rapidinho bilhares de cartas, selecionou as melhores que deram um total de mil e, as restantes mandou para bem longe, entendeu? Conheceu uma por uma das moças e, Nossa Senhora do Paraguai! Tinha no pacote mulheres feias demais. Cada dragão que você nunca viu nem na televisão. Foi tudo assim rapidinho, sem muito lero lero. Bateu um papo relâmpago com cada uma das mocinhas e é claro: escolheu para passar uma eternidade com ele, apenas uma. Imaginem vocês quem foi à sortuda? São capazes de imaginar de que país era aquela mocinha abençoada e linda? Deixe de bobeira! É claro que a moça era brasileira. Molebunda era uma paraibana porreta do fogo eterno, daquele que nunca se apaga, sua praga. Casaram-se no religioso e no civil, mas, tudo foi muito rapidinho, sem muitas frescuras e aqueles dramas todos. A porretuda passou a se chamar Molebunda Pinto de Jesus Imaculado da Encarnação de Maria. Que nominho compridinho, Sô! Só que, pode parar! Aquele casamento não vingou não, batistas e amados. Mas, por que afinal, carambinha do caracol aquele casamento não vingou? Mulheres do mundo inteiro queriam ficar com Fast Man, pô! Até Madonna, Diana Ross e Ana da Roça estavam na fila e a diaba da menina da Paraíba a dispensou como quem chuta um saco preto ou louro de couro! Que coisa feia, Sô!
Molebunda deu um perdido em Fast Man e, graças às micros câmeras da Globo foi localizada chupando ovo e manga no sertão da Paraíba. Desabafou em lágrimas para os repórteres do mundo inteiro, inclusive do Paraguai:
- Esse tal de Fast Man é rápido demais. Eu gosto é de sentir o quente em meu jardim molhado, cheiroso e florido e, no caso dele dei-lhe foi um perdido. Vai ser rápido assim no inferno, bichinho da peste!
Pois é gente que me atura, ser rápido demais nem sempre é bom, não é? Fast Man perdeu a fama depois dessa. Ser rápido demais fica meio esquisitinho não é, lesmas?



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quarta-feira, 15 de maio de 2013

VISITA DESAGRADÁVEL



Sabe aquela visita desagradável que bate a sua porta e, você, por educação a convida para entrar? A última pessoa da face da terra que você, jamais esperava reencontrar e, de repente, inesperadamente, agora está em sua casa esquentando o sofá da sala com aquela bunda gorda. Pois é, e pior que ela, Dona Bilinézia não veio só, trouxe com ela seu filhinho, o pentelho do Juninho.
Juninho, uma mistura de sarna diabólica com vermes no reto do capeta, mexe em tudo, inclusive naquilo que não é para mexer como as gavetas do seu guarda roupas, onde encontra aquele pênis de silicone tamanho consolo, supositórios, vaselina entre outras coisinhas, etc.
Dona Bilinézia, aquela gorda que só pensa em comida, já abre sua geladeira e com suas mãos pesadas já ataca o bolo cremoso e ainda diz de boca cheia:
- Adoro o bolo prestígio de Lúcia.
Que coisa feia, Sô! A mulher ainda usa sua toalha branca de guardanapo, arrota, solta uns peidos e diz satisfeita:
- Aleluia Jesus! Isso é o que eu chamo de glória! O resto é história.
Juninho fuçando em tudo feito um rato que rói seus sapatos pensando que é queijo, joga pimenta em seu aquário deixando os peixinhos bravinhos, mostrando os dentes e, pode parar, Sô! Esse moleque é um diabinho.
Dona Bilinézia com seus dedões gordos consegue destruir o delicado controle de sua televisão digital enquanto Juninho com tamanha inteligência “capetólica” consegue desmontar seu computador e estourar os bônus do seu celular ligando para as menininhas de programa.
Você está a ponto de enfartar quando olha para a sua casa e vê ela de pernas pro ar, porém, por ser gentil, educado, panaca, corno, filho de uma égua parida chora às escondidas feito um bebê covarde e orgulhoso. Seja homem estrume! Seja homem rapaz! Bote pra correr esses animais.


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IDEIAS DE JERICO



Ideia de Jerico, literalmente falando é ideia tola, má ideia. Na região Nordeste do Brasil Jerico é o mesmo que mula. Ou seja, seria o mesmo que ideia de burro, de mula.
Jerico era um sujeito criativo, imaginativo demais. Ficava horas meditando e até fazia caretas assustadoras de tanto pensar. Sua mente era como um poço de ideias e, por isso, muita gente, que não tinha o que fazer na vida, não tinha ideias, nem ideais, procurava por ele.
Certo dia, Celestino, um boy menino o procurou.
- Jerico, pode me ajudar?
- Qual é o teu problema?
- Pois é, estou gostando de uma garota que zomba de mim. Ela diz que curte cheiro de macho, tipo homens suados e que sou muito cheirosinho. Ela tem uns prazeres assim doentios, entendes? Mas, a amo demais.
Jerico ficou observando o jeito de falar de Celestino e até ficou com pena dele.
- Você já transou com ela?
- Faltou pouco. Ela é podólatra e, quando descalçou meus tênis e os cheirou perdeu o tesão na hora.
- Por que?
- Porque diz ela que estavam cheirosinhos demais. Ela queria que estivessem com cheiro másculo e forte que marcasse época, entendes?
- Pois bem, Celestino. Junte uma porção de fezes de gato, literalmente falando “bostas”, e espalhe nas palmilhas de seus tênis. Calce eles sem meias nos pés para não melecar tudo. Vá para a escola, para o trabalho ou para aonde quiser e relaxe. Só tire seus tênis quando estiver na presença de sua amada. Ela vai adorar.
Celestino lhe deu um bom dinheiro e foi embora. Tem gosto pra tudo nesse mundo, meu! A garota gostou tanto que com Celestino se casou.
Outro dia, um homem bastante delicado de nome Amado procurou por Jerico e desabafou em lágrimas.
- Minha mulher me trai com todos, Jerico. Já saiu até mesmo com minha irmã Maria João. Será por causa desse meu jeitinho delicado? Não pode ser porque na hora do “vamos ver” eu me transformo. A bichana chega a pedir até água de tão quente que fica em meus braços.
- Negativo Amado. Você tem que fazer exatamente ao contrário: solte a franga que existe dentro de você, principalmente naquelas horas do “vamos ver”. Ela vai gamar, você vai ver.
E não deu outra: Amado assumiu de vez sua sexualidade e soltou a franga que existia dentro dele. Quem canta de galo até hoje é Amada, sua amada.
Esse tal de Jerico tinha cada ideia, Sô! Hô, hô, hô, hô!



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terça-feira, 14 de maio de 2013

DEU A LOUCA NO MUNDO



Que maravilha! Esperaram tanto por esse dia e ele chegou acompanhado de sua família, ou seja: todos os dias agora são de pura alegria, minha tia.
Hoje o sujeito é barrado pela garçonete quando passa em frente a uma lanchonete.
- Cidadão, pode entrar, fazer um lanche, tomar um refrí ou dois, uma cerveja ou quantas quiser que é tudo de graça.
O sujeito entra, toma todas, fala um monte de asneiras, briga e vai embora arrotando e peidando e, não paga nada, pois, é tudo de graça.
Gostoso agora ficou também para a favelada que sempre sonhou em fazer compras no shopping. A bichana compra de tudo, Raimundo. Leva até DVD histórico de Michel Teló, vovó!
A população agora vive feliz, Luiz. Hotéis e motéis de graça para curtir o melhor da massa; o bem bom do quente do love me tender. Sorria Vicente! Teus problemas acabaram para sempre.
Hoje o sujeito entra numa igreja avivada, ouve umas pregações de Pastor e ainda sai de lá com um bom dinheiro, senhor. Só que não tem serventia não, cara Sofia. Pra que dinheiro se é tudo de graça, palhaça?
O ladrão não precisa mais roubar e o viciado já perdeu a graça de ficar maluco já que está todo mundo louco, Tinoco.
Maria, a criadora do Bolo Prestígio Lúcia tem calos nas mãos de tanto fazer bolos feitos churrascos pro povo de Osasco. É isso aí irmã! Garanta sua vaga no céu porque lá não tem bolo e muito menos pastel, Miguel. Sem dúvida, anjos e Deus comem uva.
Esse negócio de ser tudo de graça parece que perdeu a graça. Tem bacana querendo pagar, Osmar. Dinheiro não vale mais nada, seu panaca!
A mocinha pode pegar um taxi em São Paulo e ir pro Paraguai, comprar aquilo que quiser, Mané. Comprar só com um sorriso, viu Aluísio?
Que loucura! Parece que a população aumentou, seu Agenor. Tenho a leve impressão que até mortos ressuscitaram, Sô! A coisa mais joia é, sem dúvida, a hora da boia. Como esse povo come, menino homem!
Pois é, Sô! Você gostou? Eu também, mas, acabou. Acordei. Foi só um sonho, Vicentinho. Pra chegar aonde a Dilma chegou e onde ela está é como a Wilma falou: tem que trabalhar.



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sexta-feira, 10 de maio de 2013

UM PRESENTE DIFERENTE



Patricinho era um filhinho de papai dos mais insuportáveis e impertinentes que se podia encontrar na sociedade. Dizia os religiosos que ele era a pura encarnação de Satanás, o Diabo. O molequinho era maldoso demais. Amarrava o rabo do seu cachorrinho no pé da cama só pra vê-lo chorar; batia em sua avó surda, muda, cega e aleijada; rabiscava os livros da biblioteca de seu pai; soltava bombinhas e morteiros no galinheiro dos vizinhos só pra ver o pânico dos bichinhos, enfim, o molequinho era um diabinho.
Patrício, seu pai lhe dava presentes caríssimos e, em poucos minutos, Patricinho destruía tudo. E, que paciência de Jó tinha esse pai, sô!
- Meu filhinho, você botou no fogo o aviãozinho de controle remoto que o papai lhe deu com tanto carinho? Custou-me tão caro, filhinho abençoado.
Filhinho abençoado?! Aquilo era um capeta de sunga na sauna do inferno, sô!
Pereira, compadre de Patrício e padrinho de Patricinho veio do Amazonas para São Paulo, passar uns dias na mansão onde morava aquele demônio e, por pouco não enfartou. Vendo seu afilhado fazer tanta maldade achou melhor tomar um porre de uísque. Pereira cochilou no sofá da sala e, como calçava nos pés tênis daqueles de cadarços deu nó nos dois. Soltou um morteiro próximo do padrinho que sonhava e gritou bem alto:
- Pega ladrão!
Pereira levou um susto tão grande que, ao levantar, querendo correr, não conseguiu. Bateu com a cabeça na quina da mesa central da sala. O corte em sua testa foi tão profundo que afetou seu cérebro. Não teve jeito: ficou lelé da cuca.
Patricinho mostrava a língua e a bunda para os criados da casa; botava mel no feijão, sal e pimenta nos pudins, enfim, esse moleque era uma peste. Sua mãe se livrou dele logo que o pariu. Partiu para outro plano por sorte.
Finalmente, uma luz acendeu no cérebro pacífico quase parando de Patrício, pai do pentelho. Levou o moleque amarrado para um médico psiquiatra que ficou louco em poucas horas. A direção geral de um dos mais famosos hospitais psiquiátricos do mundo chamou Patrício para uma conversa franca e séria numa salinha.
- Seu Patrício, fizemos de tudo e mais um pouco, porém, chegamos a uma única conclusão: seu filho não tem cura não.
Patrício ficou com os olhos rasos d’água.
- Mas como?! É meu único filhinho. Literalmente, saiu de mim primeiro.
A equipe médica ficou comovida com as lágrimas de Patrício. Fazer o que né? Tirou o filho daquele hospital e o levou de volta para a sua mansão. O moleque voltou a fazer peraltices e maldades ainda piores.
Patrício ainda sentia-se jovem e resolveu arrumar uma companheira. O que?! A negra Teresa não era fraca não e Patricinho a odiou logo na primeira vista.
Sucedeu que um dia Patrício precisou fazer uma viagem de negócios para o exterior e ficaria por lá cerca de dois meses. Quando ele voltou para o Brasil, para a sua mansão ficou boquiaberto feito um bocó louco. Seu filho Patricinho não era mais o mesmo, sô! O molequinho agora era obediente, caprichoso nos estudos, não salgava nem apimentava mais pudins, enfim, Patrício teve que perguntar a sua amada negra Teresa que milagre era aquele, no que ela respondeu:
- Percebi que teu filho não tinha nada de louco, não. Ao vê-lo fazer tantas maldades dei-lhe uma daquelas surras que meus antepassados levaram na escravidão e, para não vê-lo e ouvi-lo chorar tanto dei-lhe minhas tetas.
Patrício ficou pálido.
- O que?!
A negra Teresa lhe explicou:
- Dei-lhe de mamar, seu homem. Seu filho me confessou que nunca havia mamado na vida e esse seria o melhor de todos os presentes que ele queria ganhar. Agora é só beleza e alegria, mamará nos peitos da negra Teresa todos os dias.
Eu morro e não vejo tudo, viu sô?


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GENTE DA CAVERNA (O ESPELHO)



Há milênios, cito uns 500 mil anos atrás, o homem, na regra geral, vivia como um bicho selvagem. Apesar de ser racional, sua mente não era criativa, vivia perturbada; não tinha capacidade para discernir aquilo que era bom ou ruim.
Numa caverna morava Cavernildo, (um homem tão feio feito um capeta chupando manga), sua mulher Pedreira (feia feita à encarnação viva do Diabo ressuscitado), seus  filhos Pedreirinho e Rochinha. 
Certo dia, Cavernildo achou sobre as pedras das ruas em que andava um pequeno espelho e trouxe para sua caverna. Ficou admirado olhando para aquele pequeno espelho e fazia caretas assustadoras sem notar que sua mulher Pedreira a vigiava.
- Por que é que essa imundície olha tanto para aquela coisa? Estará por acaso me traindo com Madonna, a mulher do futuro?
Cavernildo deixa aquele pequeno espelho sobre sua cama de pedra e sai pelas matas para assustar os macacos, que era seu hobbie. Sua mulher Pedreira pega aquele pequeno espelho e fica indignada com o que vê. Chora feito um bezerro e corre pros braços de Cavernosa, sua mãe.
- Mamãe! Olha só com quem é que este crápula está me traindo.




Cavernosa olha para aquele pequeno espelho e fica mais indignada ainda.
- Que horror, minha filha! Essa é a imagem do capeta em vida. Nunca vi algo tão feio, terrível e assustador como esta figura.






Cavernosa chama sua mãe, a velha Rocha que, ao olhar para aquele pequeno espelho fica muito mais indignada ainda.
- Cruzes! Isso aqui parece o esperma do Diabo. Minha neta merecia coisa melhor. Vamos esperar esse maligno chegar para dar explicações.






Pedreirinho também olha para aquele pequeno espelho.

- Por essa eu não esperava, meu pai.

Mas, sem dúvida, dá mil a zero na 

mamãe.


Sua mãe Pedreira lhe dá uma pedrada na cabeça que, por pouco não o mata.

E assim, Cavernildo chega das matas trazendo cachos de bananas para o almoço e se assusta ao ver sua grande família com paus e pedras nas mãos. Pedreira, sua mulher, nervosa feita uma cadela velha e raivosa lhe entrega o pequeno espelho e exige uma explicação.
- O que é que significa isso estrume de pulga? Tantos anos de caverna! Nossos corpos se rolando nas pedras de nossa cama e, sobre a cama eu encontro essa figura? Você está me traindo com este capeta chupando manga? Não há como negar, safado! A prova está aí em suas mãos.
Cavernildo tenta se justificar.
- Eu achei esta coisa sobre as pedras, eu juro! Confesso que, realmente nunca vi antes algo tão feio e horrível capaz de arrepiar até os pelos do meu escroto, queres ver?
Sua sogra Cavernosa lhe dá a primeira paulada na cabeça.
- Fala a verdade seu Tranca Ruas da Encruzilhada. Quanto tempo se relaciona com esta coisa?
A velha Rocha lhe acerta uma estilingada na testa.
- Traindo a minha netinha seu Zé Galinha? Confessa.
Rochinha, uma das filhas também quis olhar o tal espelho para ver, quem era a encrenca que deixou sua mãe assim tão nervosa.
- Meu pai, mas é uma figura muito linda, porém, duvido muito que tenha se encantado contigo. Coitada de mamãe!
Mais uma que apanhou de Pedreira.
Por pouco Cavernildo não morreu de tanto que apanhou. Pedreira quebra aquele pequeno espelho.
- Olha o que eu faço com esta figura horrorosa, seu bunda.
Depois de fazer daquele pequeno espelho caquinhos, os junta, coloca num saquinho e joga tudo num riacho.
Pedreirinho, o menino bonitinho, fica com pena de seu pai e vem lhe fazer carícias.
- Não chore Papi! Eu lhe entendo. Carne velha fede.
Por pouco Pedreirinho não morre de tanto levar pauladas e pedradas de sua mãe Pedreira.
E assim, finalmente, a paz voltou a reinar naquela caverna, graças ao fim daquele pequeno espelho que trouxe tantas desavenças.


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