sexta-feira, 13 de setembro de 2013

SEXTA-FEIRA 13



Dizem que aqueles que nascem numa sexta-feira 13 não têm sorte na vida não, Sô! Dizem que levam uma vida fútil, azarada em todos os sentidos, cheia de tempestades de obstáculos e, que tudo que fazem da errado. Isso aí é tudo besteira, superstição e crendice boba, viu Sô? Quando a vovó não tem mais o que fazer na vida, porque seu tempo já está vencido, ela inventa um bolo de abóbora com farinha de mandioca, melado e mel só pra ver a libertação dos ventres de seus netinhos. E a vovó se diverte com isso.
Maria Marcolina nasceu num berço de ouro numa sexta-feira 13. Só o berço que era de ouro, porque a coitadinha nasceu no caos de uma maloca tão assustadora capaz de arrepiar os pelinhos escondidos de qualquer careca. Uma favela com tiroteios vinte e quatro horas. Mas, isso não importa. Ela nasceu num berço de ouro. As tetas de sua mamãe seca feita uma carne de sol secaram de tanto que a bichinha mamou. Teve que dar pra belezinha água de coco. Isso foi bom, porque, para quem não sabe, o coco limpa tudo. Qualquer imundície que um sujeito tenha em seu organismo sai tudo, graças à água de coco.
Maria Marcolina cresceu numa pobreza miserável dos infernos. Ia pra escolinha do sertão pernambucano, onde nasceu, descalça porque seus pais não tinham condições de comprar nem sequer um chinelinho para ela. Os alunos bem sucedidos na vida arrancavam folhas de seus cadernos e davam pra ela porque seus pais não tinham condições sequer de comprar um caderninho para ela. Coitadinha da menina. Mas, peraí! Ela nasceu num berço de ouro. Imaginem um barraquinho pequeno e apertado. Gordos que não insistam em entrar porque não dá, não cabe. Um barraquinho de madeira da boa todo coberto por aquelas telhas Eternit. Até que era um barraquinho bonitinho, Sô!
Sucedeu que, num dia de sexta-feira 13, Maria Marcolina voltava da escolinha e, no caminho cruzou com um gato preto. Vichi! Seus pais retardados como muitos por falta de oxigênio no cérebro diziam que isso dá azar. Maria Marcolina pegou aquele gato e o levou para o seu barraco e, seus pais, numa estúpida ignorância abandonaram a molequinha que tinha apenas nove anos, por causa daquele gato. Adivinha quem é que agora dormia no berço de ouro? Claro, ela mesma, enquanto Blackout, seu gato, dormia no sofá úmido, mofo com um perfuminho nada agradável.
Maria Marcolina não cabia mais em seu berço de ouro e, quando pensou em vendê-lo foi tarde. Roubaram o berço. Ela chega da escolinha e, cadê o berço? Vê Blackout comendo um filé de peixe numa boa, tranquilo feito Jó na rede e pega uma vara e sai correndo atrás do gato.
- Seu sem vergonha! Trocou meu berço de ouro por um filé de peixe?
Vai saber, não é? Quando eu falo que gatos fazem qualquer negócio por um peixe tem gente que duvida. Ainda mais por um filé de peixe, Sô!
Maria Marcolina perdoou seu amiguinho Blackout e decidiu mudar radicalmente de vida. Abandonou seu barraquinho e foi morar numa mata virgem que, só perdeu a virgindade com a chegada dela e de Blackout.
Sucedeu que numa noite de sexta-feira 13 ela escuta uns gemidos estranhos bem na janelinha de seu novo barraco feito por ela mesmo. E aqueles gemidos eram tão apavorantes que deixaram os pelos de Blackout todos arrepiados. E Maria Marcolina pergunta para o gato:
- Está vendo alguma coisa, Blackout?
- Miau! Miau!
- Que resposta vadia! Por que fui te perguntar?
E aqueles gemidos estranhos foram aumentando, aumentando, deixando Maria Marcolina e Blackout assustados e, digo mais: Era quase meia-noite e dava pra ouvir nitidamente os piares dos bem-te-vis e de toda a espécie de pássaros que dormem cedo. Era uma corrida voadora danada de corujas e morcegos atrás dos pássaros que dava medo, Sô! Pra piorar tudo de vez, se ouvia também uivados de cães e lobos, rinchos de cavalos, berros de cabritos e, vichi! De onde veio essa bicharada toda, meu Deus?
Maria Marcolina cansou-se de seu medo e deu um grito tão alto que fez Blackout correr longe:
- Chega! Pode parar, meu!
Maria Marcolina pega um pedaço de pau e sai para fora do barraquinho pra descobrir, afinal, que diabos de gemidos eram aqueles. O que?! Ela vê um velhinho marinho, franzino defecando bem atrás de seu barraquinho. Ela fica furiosa, é claro.
- Seu velho nojento! Tanto lugar pra defecar e o senhor resolve fazer isso bem atrás do meu barraco? Vá procurar sua turma seu reumatismo cerebral.
E o velhinho, aparentemente humilde chora:
- Por favor menininha, não me bata. É que eu estou com umas feridinhas e, quando a coisa sai dói muito, entende? Se não me bater prometo lhe dar (ai! ai! ai!) um bom presente.
- Que presente é esse? Não me venha com bombom que isso já está fora de moda.
- Não é bombom não, menininha.
- E não me chame de menininha porque isso é ridículo. Meu nome é Maria Marcolina.
O velhinho tira de uma sacolinha uma folha de mamona, se limpa e diz para Maria Marcolina:
- Siga-me Maria. Sou quase Jesus. Siga-me que lhe darei um excelente presente.
- Espera aí, vovô! Nem mesmo sei o teu nome e já é quase meia noite. Segui-lo pra onde?
- Meu nome é João Ferreira Bigulinho, um bom velhinho e, cheguei nessa mata virgem agora porque sou apaixonado por passarinhos e aqui tem muitos. Armei um barraquinho no pico daquele morro lá, tá vendo? Olhe ele lá, tá vendo? Só defequei aqui na tua área porque não ia dar tempo de eu chegar até lá, entende?
Maria Marcolina acompanha o velhinho até o pico do morro.
- Estou curiosa pra ver este tal presente. Agora se for pegadinha, ou caso eu não goste do presente, lhe darei uma surra com este pau aqui que tenho em mãos.
E quando Maria Marcolina vê aquele presente fica realmente surpresa, mas, da uma cabaçada de pau da história mexicana naquele velhinho que grita, baba e até peida. Lembram-se daquele berço de ouro em que Maria Marcolina nasceu? Pois é, voltou a ser dela. João Ferreira Bigulinho, o velhinho, deu um filé de peixe para Blackout para distrai-lo enquanto ele roubava o berço. Se bem que com filé ou sem filé, o velhinho roubaria o berço de qualquer jeito.
Maria Marcolina levou muita sorte na vida, Sô! Ela e seu amiguinho Blackout foram pra São Paulo e, com o passar dos tempos era tudo somente alegria. Maria Marcolina já era uma mocinha e, lamentavelmente seu gato Blackout já estava velhinho.
Sucedeu que num dia de sexta-feira 13 saiu o grande sorteio da bolada da mega sena e, adivinhe quem é que acertaram os seis números sorteados? Sim, é claro: Maria Marcolina. Agora ela poderia realizar o seu grande sonho que era o de morar em Aracajú, Sergipe. Pois é, Nenê! Só que ela apostou e não jogou e por isso não ganhou nada. Mas, não importa, ela ainda tinha seu fiel amigo Blackout e seu berço de ouro. Faz ideia de quando vale um berço de ouro, Sô?


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terça-feira, 10 de setembro de 2013

CURA-TE PELA FÉ


Basta crer e tudo pode acontecer. Foi usando esta frase que um homem de nome João Ferreira Bigulinho cativou a atenção de milhares de fiéis para a sua congregação religiosa “Cura-te Pela Fé”, fundada por ele mesmo.
João sem dúvida tinha uma inteligência brilhante. Teve uma ideia que nenhum outro fanático religioso teve antes. Este homem poderia ser chamado de muitos adjetivos malignos da Língua Portuguesa, com exceção ao adjetivo vagabundo que é aquele que vagabundeia ou é vadio mesmo. João trabalhava e muito. Montou um armazém no porão de sua congregação e ali, tinha de tudo, tipo: raizadas milagrosas, urina de cabra preta, pomadas pra coceiras em geral: frieiras, hemorroidas, joanetes e chulé; gel massageador pra dor; água de batata para purificar o estômago, suco de gengibre, hortelã, mel e agrião para os males dos pulmões, suco de cebola, alho e morango para má circulação e para fortalecer o coração, óleo de tubarão para curar artrose e osteoporose, extrato de tomate com alecrim e pêssego em caldas para cura total da depressão, catuaba do norte com esperma de bode preto para trazer de volta o saudável gozo do vovô; chá de folhas da laranjeira com óleo de fígado de tamanduá bandeira para a cura da diabetes, rins de capivara para diarreia e desinteira, fígado de cabrito em conserva para a cura da anemia, hipoglicemia e leucemia, enfim, tinha de tudo e mais um pouco naquele armazém.
João Ferreira Bigulinho, aparentemente, um velhinho amável, amava em especial os irmãos doentes e citava sempre aquela frase das antigas que dizia o mestre Jesus: “Os sãos não têm necessidade de médicos, mas sim os enfermos” (Mateus 9: 10-12). Então, ele fazia uma belíssima pregação e, enquanto pregava observava minuciosamente cada membro daquela congregação. Os doentes, que eram muitos, no final do culto faziam uma fila enorme para receber dele uma oração e, comprar seus produtos, é claro.
João tinha uma lábia certeira. Daquela que não é em vão. Conseguia dominar a todos os seus membros e, quanto aos irmãos velhinhos aposentados, ele fazia em até dois pagamentos porque seus produtos eram caríssimos. A irmandade vendia até seus bens para compra-los. Para reforçar a venda de seus produtos ele dizia:
- Amados irmãos, o sangue de Jesus tem poder e, vocês sabem por quê? Porque é um sangue limpo, puras feitas às águas limpas que nunca lavaram as bundas dos bebês. Seja lá qual for o teu problema, eu digo: nem todo dia é dia de Maria. É dia das Betes também e, muitas delas estão aí por toda a parte contaminando o sangue de muitos de vocês. Ao persistirem os sintomas procure-me já. E quanto a vocês irmãozinhos velhinhos derrubados? Saudade dos bons tempos? Creiam: só eu tenho a fórmula do legítimo e autêntico elixir do rejuvecimento e, digo mais: não tem vencimento. Se o melhor da vida é viver, então vamos formalizar a ideia de que o melhor também é fomentar essa vontade de viver, viver e vencer.
O povo batia palmas e dava glórias.
- A revelação divina que vem sempre do alto está aqui comigo e agora é a horam porém, não vai ter milagre para todos. Meus produtos são porradas na bandeira invasora. Quem tiver a bênção de pegar, pegue o que tenho a oferecer. Quanto aos tímidos, aos covardes, aos duros, aos cheira-peidos, vão embora da minha congregação. Para crer é preciso ver acontecer ou para ver acontecer é preciso crer e, para crer é preciso ter fé. É tomar do meu chá para sentir a presença de Jeová; provar do meu mel para sentir-se no céu. Ou provar do meu elixir para descobrir o que realmente é existir. É pegar ou largar. Quantos vão querer pegar? Calma! Não tenho pra todos. Calma!
E o povo sobrecarregado de problemas diversos fazia uma aglomeração total no armazém do porão daquela congregação. João vendia tudo, porque, como já citei: ali tinha de tudo. E assim, João pegou uma fama mundial. Não extorquia dinheiro dos fiéis como fazem muitos que manipulam as cabeças dos coitados. Pelo contrário: exercitava nas cabecinhas humanas tanto a fé que a coisa pegava e estourava mesmo. Muita gente se curou de diversos males, porque era como ele costumava dizer e, isso foi comprovado até mesmo por Freud: “Basta crer e tudo pode acontecer”.



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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

NATUREZA HUMANA


É bonito de ver como a natureza trabalha. Tudo é tão divino e, sem dúvida, devemos isso ao nosso Criador, o Autor da Vida.

Uma das coisas mais extraordinária que eu admiro na natureza é a sobrevivência. Seres humanos, na regra geral, necessitam comer e beber para sobreviver. É exatamente como dizia a simpática velhinha vovó: “Saco vazio não para em pé”. Então, vemos aquelas crianças concentradas, comendo espinafre com agrião e jiló (se bem que são poucas) e, isso, sem dúvida, deixa-nos prazerosos.


No reino animal, é bicho caçando bicho. O leão, o rei da selva, lambe os beiços quando avista de longe uma família de veados. Pelo menos um deles vai pro pau, ou seja: pro estômago do leão.



E o destino das baratinhas, realmente parece ser muito triste. Muita gente tem nojo e pavor delas. Creiam: elas são pacíficas e não pretendem assustar a ninguém. O prato predileto das baratas é a salada de cebola e, a bebida pode ser um café com leite morno e bem açucarado. Algumas até morrem asfixiadas no bule da vovó.



A lagartixa nem pisca os olhos quando vê uma barata. Vai com sua boquinha aberta e engole-a vivinha.






E as formigas comem de tudo, mas, duvido muito se o prato predileto delas não for uma barrigada de barata. Aquilo ali pra elas é filé, sem dúvida.


Os tamanduás atacam os formigueiros e papa com sua língua gerações de formigas. Vai pro papo do tamanduá uma família muito grande de formigas.








Os abutres já gostam de carniça. Uma abutre grávida, por exemplo, também tem desejos, porém, carne fresca para ela é algo que lhe causa náusea. Certos abutres acampam nos telhados das casas quando o peão trabalhador tira a sua botina. Mas, eles não atacam não. Não se preocupem. É só o peão ir lavar os pés e boa. Eles logos voam.



Os ratos, sem dúvida, também tem um bom gosto. Não se importam se o queijo é italiano, de Minas ou não. Eles adoram tanto que confundem o queijo ricota com o chulé da bota da mina.




O gato apesar de ter medo de água, adora um peixe. É a vovó afiar a faca na pia da cozinha e o bicho pode estar numa relação séria com sua amada que vai deixa-la na saudade. Se esse bichano pudesse, faria qualquer negócio por um peixe.

Os peixinhos não estão evoluindo nada. Por incrível parecer estão caindo no golpe da isca como seus antepassados. Caramba! Será que eles não sabem que este golpe é das antigas, meu?



O boi já foi boy no passado e, naquele tempo ele era valente, um estouro, ou melhor: um touro. O cara que diz que aonde a vaca vai o boi vai atrás tem que levar uma coça de chifres. Bois não perdem tempo com vacas, não, Nenê! São pacíficos e adoram capim como os cavalos.
Os cachorros comem de tudo. Os vira-latas quando encontram fraldas cagadas, as devoram. Aqueles putos, ou melhor, os poodles já são cheios de frescurinhas. Exigem ração de primeira, pois, não comem bobageira. Um queijinho dado por Wilma (a fada madrinha dos cãezinhos e cadelinhas) eles também não recusam não.
A natureza humana, sem dúvida, nos surpreende. Tem gosto pra tudo, desde a bunda gorda predileta pelos pernilongos como as mosquinhas voadoras que vão pro papo do sapo ou das aranhas. E, assim, trabalha a natureza.



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domingo, 8 de setembro de 2013

A TENDA DOS MILAGRES


Certo homem de nome Jesus, literalmente falando: ordinário, salafrário, vagabundo, inútil entre outros adjetivos, decidiu radicalmente mudar de vida. Sua presença era tão insignificante que conseguia fazer correr as pessoas. O sujeito era um tremendo de um pé-de-cana. Vivia serrando cigarros dos outros, roubando as moedinhas de sua avó doente e acamada. Seus pais morreram de desgostos por terem postos no mundo um parasita feito Jesus. A princípio, quando esta criatura ainda era um nenenzinho, todos achavam que ele seria uma bênção de homem em vida. Bênção?! Aquilo ali era uma maldição em todos os sentidos.
Apesar de Jesus ser um marginal, safado e sem vergonha, sem dúvida, era muito inteligente e, foi assim que ele, usando sua inteligência mudou de vida. Montou um negócio próprio, com bens lucrativos, é claro. Na pacata cidade de Leme (interior de São Paulo) inaugurou uma igreja, uma denominação evangélica batizando-a com o nome: “A Tenda Dos Milagres”.
Geralmente, as pessoas que congregavam ali eram ignorantes, analfabetas, humildes e pobres. Não se preocupavam com a salvação de suas almas, porque também não entendiam isso. A preocupação delas era com a cura da carne e a multiplicação do dinheiro para que vivessem uma vida sadia e próspera.
A Tenda dos Milagres dirigida pelo Pastor Jesus pegou de certa forma que vivia lotada. Seus adeptos era aquela gente com semblante caído, triste, sofrido. Gente tirando meleca do nariz, coçando o olho de peixe dos pés, matando piolhos com as unhas, enfim, não era necessário ter um bom faro para sentir um perfuminho desagradável, estranho pelo ar daquela tenda.
O Pastor Jesus de terno e gravata segurava uma Bíblia nas mãos, no púlpito,  e conseguia cativar a todos com a sua pregação.
- Todos vocês que aqui estão são meus amados irmãos. Os milagres vão acontecer na vida de cada um de vocês. Basta crer, é claro. Deus está me mostrando aqui e agora que muito de vocês não tem nem o que comer em casa. Muitos estão repartindo um ovo cozido em cinco, seis da família, e isso inclui seus cachorrinhos. Este é o espírito da miséria, amados. O Diabo tem que ser amarrado e, aquele que crer vai amarrá-lo agora. Quantos que aqui estão creem nisso?
Obviamente, todos criam. Movidos pelas palavras do Pastor Jesus, muitos glorificavam a Deus com louvores e fervorosas orações. Muita gente chorava também e, uma musiquinha triste de fundo deixava o clima ainda mais emotivo. E o povo dava glórias, glórias e glórias a Deus.
O Pastor Jesus interpretava a Bíblia a sua maneira, como fazem muitos. Nunca estudou teologia e, também, nem sequer, sonhou em fazer isso. Ele pregava aquilo que vinha em mente e dizia que quem lhe enviava tal mensagem era o Espírito Santo de Deus. Blasfêmia!
Com o passar do tempo, a Tenda Dos Milagres pegou tanta fama que tinha adeptos no mundo inteiro. Muito dinheiro foi arrecadado dos humildes e miseráveis e, como os milagres supostamente aconteciam, sem dúvida, seu negócio cresceu. Sim, aquele Jesus miserável de outrora se tornou uma das celebridades mais notória, mais importante do mundo. Cegos passaram a ver, surdos-mudos a ouvir e falar, coxos a andar, enfim, Jesus conquistou povos e nações de todo o mundo.
Casou-se com Maria, uma de suas ovelhas, por sinal, muito bela e formosa e, a partir daí, a vida desta mulher virou um verdadeiro inferno. Jesus a violentava sexualmente num prazer sádico e doentio. Maria apanhava muito deste homem que, na igreja, era exemplar. Ninguém sabia que Maria vivia em constante depressão e, que para dormir, precisava tomar medicamentos controlados. Como se não bastasse, Maria era obrigada a sorrir e mostrar aos irmãos da igreja um espírito dócil, tranquilo e feliz. Ela sofria muito nas mãos do marido.
Sucedeu que um dia, adeptos do mundo inteiro desta seita religiosa se reuniram no Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro, para um culto diferente, especial. Cerca de duzentas mil pessoas, entre membros e visitantes estavam ali. O Pastor Jesus fez uma fervorosa oração, depois pregou a palavra como sempre fazia. Pelo menos cinquenta pessoas daquela multidão dariam seus testemunhos no púlpito. E os testemunhos eram comoventes. Maria, esposa do Pastor Jesus também estava na fila e, enfim, chegou a sua vez tão esperada para dar testemunho. Ela com um microfone nas mãos, fala a todos os presentes com voz firme e muito segura:
- Não me casei com um homem de Deus e, sim com um demônio.
Membros e visitantes ficaram perplexos, sem nada entenderem e, Maria prossegue:
- Esta criatura que vocês chamam de homem de Deus nunca creu em Deus e, pior do que isto: fez-me enojar da religiosidade. Se é que existe algo de bonito e extraordinário na palavra de Deus, eu não quero mais saber. Perdi completamente a minha fé que um dia tive. Quantos de vocês, depois de me ouvirem ainda vão querer continuar cegos?
E o Pastor Jesus grita:
- Ela está possuída pelo demônio!
Alguns seguranças do Pastor Jesus tentam impedi-la de falar, porém, não conseguem. O povo queria ouvir tudo o que Maria tinha pra dizer.
- Cegos? Surdos-mudos? Coxos? Com exceção dos contratados por este crápula para testemunharem mentiras, quantos que aqui estão passaram a ver, ouvir e falar? Quantos coxos voltaram a andar?
O povo suspira, olha feio para o Pastor que suava frio e ela prossegue:
- Esta criatura é a pessoa mais sórdida, mais fria e calculista que conheci em vida. É mafioso e assassino. Tapem os olhos de seus filhos, eu peço. Tenho algo para mostrar a todos vocês.
E Maria se despe e exibe as marcas de violência causadas pelo marido, em todo o seu corpo.
- Olhem vocês que tipo de líder é este homem. Fui estuprada, violentada por cinco anos na minha vida. Fui ameaçada de perder minha vida da pior forma, caso eu abrisse a minha boca para a polícia. Agora não me importo mais. Posso morrer agora e, da pior forma, só que tem um único, porém: vocês são testemunhas.
O povo indignado, revoltado entra em pânico e, movidos pela ira, lincham o Pastor Jesus que morre da forma mais cruel que alguém possa imaginar. Maria é aplaudida e consolada por muitos.

Hoje Maria mora só numa bela casa em Roma, na Itália e, não pretende se relacionar com homem nenhum. Ela crê que existe um Deus, porém, não frequenta nenhuma religião. Tem um bom dinheiro, adora crianças e idosos e procura fazer o bem a todos. Sempre diz que com as coisas de Deus não se deve brincar, pois, sua palavra é como o fogo e o fogo não sabe brincar.



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sábado, 7 de setembro de 2013

O QUE MAIS?


Entenderam o título desta historieta? Não? Eu explico:
Um sujeito boa pinta chega numa lanchonete chinesa e logo já vem uma garçonete linda como um pêssego lhe atender:
- O que você deseja?

- Sirva-me um X-Salada e um suco de laranja, por favor.
E ela sorridente pergunta:
- O que mais?
- Uma porção de batatas fritas também.
- O que mais?
- Pode ser uma saladinha mista: tomate, cebola e alface.
- O que mais?
- Uns dois ovos bem passados.
- O que mais?
- Umas torradas com manteiga.
- O que mais?
- Um misto quente.
- O que mais?
- Cancela o misto e sirva-me um kibe.
- O que mais?
- Pode ser uma vitamina de frutas mistas, menos banana, maçã, pêra, abacaxi, coco, manga, uva, melão, melancia, goiaba, acerola, pêssego, laranja, caqui, ameixa, morango, jabuticaba, jaca, pitanga e mamão.
- O que mais?
- Uma água de coco gelada.
- O que mais?
O boa pinta lhe dá um beijo de língua e, ela pergunta:
- O que mais?
O boa pinta lambe o pescoço e acaricia as costas da garota.
- O que mais?
O boa pinta malha a garota e dá-lhe mais um beijo de língua quente.
- O que mais?
O boa pinta dá um cacete duplo no magrelão chinês, patrão da garota e o deixa estirado no chão.
- O que mais?
O boa pinta fecha as portas daquela lanchonete e olha malicioso para aquela garota que pergunta:
- O que mais?
O boa pinta morde os lábios e o pescoço da garota.
- O que mais?
O boa pinta despe a garota, deixando-a nuazinha.
- O que mais?
E Jesus volta bem nessa hora e o mundo acaba. Vichi, Sô! O homem disse que ia voltar e voltou mesmo.


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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

AMOR INCONDICIONAL


Não há nada que seja mais sublime do que o amor. Cito um amor de verdade; aquele que é capaz de suportar toda a dor e superar todos os obstáculos. Tudo na vida pode findar um dia, menos o amor que é imortal e infinito.
Jeniffer era uma mulher linda em todos os sentidos. Deixava transparecer uma beleza interior verdadeira, o que encantava a todos. Nasceu em berço de ouro na pacata cidade de Socorro, interior de São Paulo e era filha única do Sr. Albert White, um milionário inglês que a deixou uma rica fortuna de herança. Jeniffer estudou nos melhores colégios da Europa e, sem dúvida, tinha uma inteligência brilhante. Quando esta jovem encantadora completou vinte e um anos, seu pai promoveu uma grande festa de aniversário para ela. Lamentavelmente, nesse mesmo dia, Jeniffer perdeu seu melhor amigo: seu pai, que sofreu um infarto do miocárdio e não resistiu, entrando em óbito.
Jeniffer morava num casarão em Socorro. Vivia rodeada de amigos e pessoas da alta sociedade. Muitos deles queriam namorá-la, porém, Jeniffer não quis se comprometer com nenhum deles. O que deixou muitos rapazes indignados e surpresos foi o interesse desta jovem tão bela e tão rica por um mendigo de rua.
Ela se apaixonou por um homem que vivia bêbado, maltrapilho e sujo, dormindo nos bancos da praça. Jeniffer investiu tudo de melhor para com aquele homem, que em pouco tempo, abandonou seus vícios e saiu das ruas. Muitos rapazes planejavam matar aquele homem, porém, todas as tentativas foram fracassadas felizmente. Jeniffer casou com Aparício (o ex-mendigo) e, ambos foram morar em Londres, na Inglaterra. Pelo menos lá, ninguém conhecia o histórico de Aparício.
Aparício estava adorando sua nova vida. Estudou muito, graças ao incentivo de sua amada mulher Jeniffer. Jamais se encheu de orgulho e arrogância em seu coração, pelo poder que agora tinha em mãos. Seu lema era praticar o bem para com todos, assim como sempre fazia Jeniffer.
O amor de Jeniffer e Aparício era muito bonito.  Não dependia este amor de nenhum fator externo;  não era aprisionado,  nada tinha haver com sexo;  um amor que não causava dor, sofrimento, ciúmes, enfim, um amor incondicional.
Sucedeu que um dia, Jeniffer saiu de Londres e foi visitar sua avó que estava doente em Liverpool. Ocorreu um trágico acidente na estrada. Um ônibus vinha de contramão em alta velocidade e bateu contra o carro de Jeniffer que conduzia o veiculo sozinha. Seu carro capotou várias vezes e explodiu. O motorista daquele ônibus morreu na hora, porém, Jeniffer sobreviveu. Seu corpo ficou totalmente carbonizado e ela ficou irreconhecível. Lastimavelmente, horrível. Ela morreu e, da pior forma que se pode morrer em vida: morreu nas orelhas, no cabelo, no nariz, na face, nos dedos das mãos, nos olhos. Com mais de 60% do seu corpo queimado, morreu no espelho.
Quando Aparício recebeu esta trágica notícia caiu em  total depressão, porém, deu uma volta por cima e reforçou ainda mais seu amor por Jeniffer. Com o dinheiro que tinha poderia contratar os melhores enfermeiros para cuidar de sua mulher que ficara inválida, que passara por diversas cirurgias, que morria de dor a cada dia que passava, porém, não fez isso. Ele mesmo é quem se comprometeu a cuidar de sua amada mulher. Dava-lhe os medicamentos, alimentava-a, banhava-a, enfim, ficava 24 horas ao lado dela, que dois anos depois não resistiu e veio a falecer nos braços do marido.
Aparício perdeu total interesse pela vida. Toda a sua autoestima caiu de verdade. Aquela fortuna deixada para ele não tinha nenhum valor significativo. Antes de cometer suicídio, deixou uma carta:

“O amor é muito mais que pensei ou sequer imaginei. Aqueles que dizem viver sem amor enganam a si mesmos. Eles não vivem. Eles vegetam. O amor é como um diamante verdadeiro no sol que nunca envelhece. Este amor me surpreendeu. Estive morto e esse amor me trouxe à vida; aprendi a amar e, neste dia soube o que é viver de verdade, porque valorizei a minha própria vida. Sim, este amor era quem coloria todos os meus sonhos, que satisfazia meu ego, que me incentivava a viver. Não. Eu não quero morrer como um velho cavalo; não há nada, absolutamente nada na vida que vai me fazer sorrir, que vai me fazer esquecer este amor. E agora? Para onde foi o meu único e verdadeiro amor? Não importa. Estou indo ao seu encontro”.


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domingo, 1 de setembro de 2013

SORTE E AZAR



Sorte era uma mulher muito linda. Sua beleza interior e exterior encantava a todos. Excepcionalmente inteligente, Sorte sempre estava ao lado de grandes celebridades. Que mulher formosa, sensual, charmosa e elegante! Sorte só tinha virtudes. Sábios do mundo inteiro, afirmam até os dias de hoje que esta grande e exuberante mulher não tinha defeitos.



Azar era um homem caído em todos os sentidos. Lamentavelmente, não teve sorte na vida. No que foi parido por sua mãe Pilory já engoliu água do parto e, presumo que esta água deve ser sujinha. O pobre Azar nasceu na seca do sertão nordestino e, passou toda a sua infância levando tapas na cabeça de seu padrastro Epiderme, um velho tão ruim feito o caçula de Satanás, o Diabo, o maioral dos quintos dos infernos.
Fazia oito meses que não chovia no sertão e, bem no dia que Azar completou doze anos, sua mãe Pilory deu uma festa pro moleque e choveu largado. Pensem numa chuva. Molhou até o bolo de fubá e a buchada de bode.
Azar sonhava em ser um engenheiro um dia, porém, sua mãe e seu padrasto não  o deixaram estudar. Azar tinha que trabalhar na roça e fim de papo. Quando completou vinte e um anos deu uma surra de pau em seu velho padrasto e fugiu daquele sertão indo para São Paulo. Chegou à grande cidade apenas com umas moedinhas no bolso que mal dava para tomar um cafezinho. Conseguiu um trabalho de gari e, no primeiro mês, dormia nos bancos das praças, depois alugou um quartinho com o dinheirinho que juntou e, parecia que as coisas estavam dando certo para ele na vida.
Azar sentia uma necessidade enorme de amar e de ser amado também, é claro, porém, o coitado era tão feio que assustava as mocinhas de boa família simplesmente pelo fato dele existir. Ia pros bailões e, lá, ficava chupando os dedos. Ficava na saudade. Pois é, parece que ser feio não leva vantagem nenhuma na vida.
Sucedeu que um dia, Azar ganhou de um velho gagá e louco uma chácara em Mogi das Cruzes, interior de São Paulo. Sim, aquele velho disse para Azar que já estava para morrer e não tinha com quem deixar aquela chácara e, ficou com pena de vê-lo comer pão com cebola bem de frente a uma churrascaria que freqüentava o velho e outros bacanas da grana. O velho diz para Azar:
- Filho de Deus, confesso que nunca vi antes, em toda a minha vida um ser tão feio assim como você. Mas, peraí! Nem tudo está perdido. Seus dentes são bonitos e, isso não tem nada haver. Vou lhe dar casa e comida pro resto da vida, porque estarei morrendo na próxima semana. É pegar ou largar.
Azar ficou tão surpreso e tão emocionado que se cagou todo. Coitado. Foi conhecer a chácara e adorou. Parece que aquele velho louco era profeta mesmo. Morreu  deixando uma escritura de sua chácara para Azar. O infeliz não sabia ler, mas, parece que aquele papel tinha certo valor.
No passar dos dias, semanas e meses, Azar foi enriquecendo. Tudo o que plantava dava naquela sagrada terra e, é claro: o dinheiro só tendia a crescer. Ficou metido feito um olho de peixe no pé judiado de Maria. Só que o cabra não tinha sorte no amor não.
Sucedeu que um dia, estaciona bem de frente a sua chácara uma limusine bege como um beijo e, pensem numa beldade que saiu de dentro daquela limusine. Sim, era ela mesma: Sorte veio visitar Azar. No que o miserável bateu os olhos naquela encantadora mulher, seu coração pulou e, automaticamente, uns peidos foram libertos da prisão de seu ventre. Que alívio!
Sorte com tamanha simpatia e educação, pergunta para Azar:
- Posso entrar?
E Azar beija os pés daquela dama linda feita uma das jóias caríssimas de Elizabeth Taylor e diz:
- Este chão é teu princesa.
Parece que as palavras têm mesmo poder, não é? Sorte tira de sua bolsinha de couro de jacaré chinês, uns papéis e diz para Azar:
- Este chão realmente é meu. Meu pai era um velho gagá e louco, mas, não tão louco assim porque me deixou a escritura legítima, assinada em cartório e tudo dessa chácara.
Vichi! O que é bom parece durar pouco, gente! Azar não sabia nem para que lado olhar. Soltou logo uma rajada de peidos multiplicativos deixando Sorte preocupada.
- O senhor está sentindo-se mal?
E Azar estava muito mais do que mal: estava péssimo. Suava frio, tremia feito Amado Batista (o cantor) diante da princesa e, Sorte fica muito preocupada.
- Senhor, calma!
Azar se rola no chão, nessas alturas já estava todo cagado e, chora feito um bebê etíope querendo teta e leite da mamãe preta. Sorte tenta acalmá-lo sussurrando em seus ouvidos:


- Eu te amo, bobinho. Sempre te amei. Em vidas passadas fui Lady Lourdes. É claro que você não vai se lembrar. Fui a caçula do velho Nilo. Amamos-nos no ato dos olhares e, confesso: você me completou em todos os sentidos. Por incrível parecer, você se reencarnou e parece que não mudou nada. Parece ser o mesmo homem daquela vida passada. Sou uma das mulheres mais ricas do mundo e quero compartilhar com você tudo o que eu tenho, inclusive o meu amor. Eu te amo e sempre vou te amar e não importa em quantas vidas ainda iremos viver, meu amor. Quero me perder entre estes teus dentes lindos. Morda-me, me ame e me beije, amor da minha vida.
Como a vida surpreende a todos, não é? Nem nessa hora, o pobre do Azar deu sorte. Depois de sentir aquelas mãos suaves e delicadas em seu tórax e de ouvir tal declaração daquela voz suave e tão sensual de Sorte não resistiu: teve um ataque fulminante e morreu. Pois é, Azar que em vida passada foi Parido Aparecido, realmente, não teve sorte nesta vida. Fazer o que? Deu azar.


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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O JUSTO


Escreveu o salmista Davi: “Fui moço e agora estou velho, nunca vi desamparado o justo, nem a sua semente a mendigar o pão”. (Salmos 37:25). O que entendemos com isso? Sem dúvida, que um justo não mendiga o pão.
Desde que o mundo é mundo, existe gente de topo tipo: Há aqueles que, por ventura, já nasceram em berço de ouro e que nunca conheceram a pobreza, a miséria. Por outro lado, há aqueles que não foram bem sucedidos na vida e, pior do que isto: passaram uma vida de intensa tribulação, dor e miséria. Embora muitos não concordem comigo, já citei mais de uma vez que tudo o que se sucede na vida de um homem bem sucedido depende da sorte. Isto é tão certo que, na multidão, vemos pessoas que estudaram e trabalharam muito, porém, nunca conseguiram algo de bom, melhor ou extraordinário no percurso de suas vidas. Por quê? Porque não tiveram sorte. Até mesmo, esta palavrinha mágica chamada sorte se emprega ao amor e saúde. E a vida surpreende o homem, na regra geral, que às vezes, basta ele fazer muito pouco e o sucesso material, principalmente, já o abraça.
Há muitos que tentam de tudo para subir na vida, tipo: jogatinas, prostituição, tráfico de drogas e, até mesmo a busca de Deus. Tudo isso é tolice. Devemos lembrar que Deus não faz acepção de pessoas e que, jamais, vai abençoar alguns e amaldiçoar a outros. Quem empurra a barriga conforme pode é o dono dela e mais ninguém. Não pensem que a fé religiosa vai fazer de vocês prósperos e ricos em todos os sentidos, porque isso é ilusão. Caso tenham sorte, escaparão até mesmo da morte mais de uma vez, porém, uma coisa é certa: um dia ela vem e não vai ter outro jeito: é caixão mesmo e acabou a maionese da mamãe.
Aqueles que se iludem com jogatinas, podem perder até mesmo a cueca e, seu último par de meias, ou não. De repente, o azarado dá sorte na vida e vira um milionário da noite pro dia.
A prostituição é outro caminho nojento. A garota é bonita e seu sonho é fazer uma faculdade, só que tudo o que ela pode oferecer é seu corpinho. Ela acaba provando por si mesma que não passa de uma fracassada.
Quanto ao caminho das drogas, todo mundo já sabe: é prisão ou cemitério. Não vale a pena e, a tentativa já é por si, a pior de todas as covardias humanas.
Esses miseráveis que vemos às ruas pedindo esmolas se acovardaram do mundo real; não querem pegar no batente e, no pesado então, nem se fala. São pessoas que, em minha opinião, não são e nunca deveriam ser dignas de pena. Por outro lado, mesmo assim, muitas igrejas da cristandade estão os alimentando, ou seja: incentivando-os a continuar sendo vagabundos. A Bíblia é clara quando diz: “E se alguém não quiser trabalhar, então não coma também”. (1 Tessalonicenses 3: 10-12).

Não creiam em oportunidades porque elas não existem. Façam por si e ensine o teu próximo a fazer o mesmo. Não pensem que por fazerem só caridades ganharão por galardão à terra paradisíaca. Não deem esmolas, pois, agindo assim, estarão contribuindo com os fracassados, impotentes e injustos que mais e mais causam vergonha em nossa sociedade.


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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

O CELULAR


Este aparelhinho inventado nos anos 70 (antigo tijolão) chamado celular, sem dúvida, é uma das invenções que deixou o homem, na regra geral, mais abestalhado do que já é por natureza. Quase todo mundo tem e, inclusive eu também tenho um.
Acho incrível como é que um simples aparelhinho que cabe em qualquer bolso ou boceta pode despertar tanta atenção nas crianças, velhos e moços. Já perdeu a graça, se é que um dia teve. O aparelhinho não tem culpa de existir, é claro, porém, nas mãos dos “bicudos” que os utilizam, creio que é capaz até de irritar os demônios e o maioral do inferno quando estão por perto.
Você entra num “busão” lotado de bundões e se depara com aquela conversação nojenta e grudenta. Olha pra baixo e colado às outras bundas vê um anão falando com sua namorada pelo celular e, graças à viva voz, é capaz de ouvir o diálogo dos dois:
- Oi, meu amor! Sou eu, o Napoleão, seu homem. Estou num ônibus lotado.
- Oi Napoleão, meu homem! Estou almoçando e, adivinha o que é que estou comendo?
- Repolhos e ovos cozidos?
- Como é que você adivinhou?
- É que estou sentindo o cheiro daqui, amor.
Sentado num dos bancos vê um corno manso falando no celular com sua amada.
- Oi amor! Tá tudo bem por aí?
- Sim, meu amado. O Batista está aqui comigo.
- Batista?!
- Sim. É teu amigo e, se é teu amigo é meu amigo também.
- Sim, meu amor.
- Ele chegou aqui com uma fome lascada, sabe? Mas já dei de comer a ele.
- O que é que tu deste pra ele comer, amor?
- Peito de galinha e sambiquira.
Ao lado do corno, vê uma crente fanática dizendo ser a mulher de Deus para uma perdida do outro lado da linha:
- Alô Lurdinha! Sou eu, a mãe do Matheus, a mulher de Deus. Agora também estou nessa linha, quer dizer nessa operadora e, quero te dizer que Jesus continua operando em todas as operadoras. O aceite agora é claro! (Atch...tim), oi?! Porque ele tá vivo.
E a mundana responde:
- To de boa irmã. To curtindo a rã com o sapo na lagoa.
E aquele paizão nordestino falando com sua filha no Piauí que foi para Paris?
- Alôa! Onde é que tu foi parar, minha filha?
- Em Paris, papai. Está tudo bem por aí? To com saudades do Brasil e acho que não vou me adaptar aqui não.
- Por que, minha filha?
- Os homens daqui são muitos cherrys.
E o caçula do velho Romão que viajou do Mato Grosso pra longe, pra Londres e, graças ao aparelhinho, mata a saudade do papai e de toda a família?
- Papai, mamãe aqui ta tudo bem. Que saudades! E o Rex? Cadê o Rex? O Rex está por aí? Bota o Rex na linha papai.
- Au! Au!
- Oi Rex! Ta com saudades do Julião, Rex?
- Au! Au!
Imaginem vocês gente? Estão botando até cachorros na linha do celular. Sem contar que até mudos estão usando ele graças ao teclado, se bem que de vez em quando, sai uns sussurrinhos tipo: “Hum! Hiii”!
E aqueles casais do tipo grude que estouram seus créditos naquele bate papo furado, noiado? Enquanto essas pragas não derem um banho de língua em seus celulares e os créditos não terminarem fica aquele grude nojento.
Gente, em minha opinião, somente bacana é quem deveria ter um aparelhinho desses. Não quero dizer com isso que eu seja um bacana, porém, eu respeito o silêncio dos santos. Infelizmente, quase todo mundo tem esse aparelhinho e, vocês sabem por quê? Porque com quaisquer dez reais vocês podem ter um também. Se bobear vem até com câmera, filmadora, cartão de memória e outras histórias. As operadoras, com pena da população sedenta fazem umas ofertas de créditos e estão dando até bônus pros bobos.
O celular nas mãos dos bacanas cai bem porque o papo é rápido, ou seja: objetivo e direto. Não perdem tempo com conversinhas reumáticas, não.
Em suma, creio que esta população doentia tecnologicamente, precisa rezar. E faço um apelo aos bicudos: desliguem seus aparelhinhos de celular quando entrarem na casa de Deus, suas antas! Deixem pra curtir essa modernidade da música em Mp3, Mp4, Mp5 no quintos dos infernos. Amém.


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SONHO DE ÍCARO

VEM AÍ: SONHO DE ÍCARO.

AGUARDEM

terça-feira, 27 de agosto de 2013

A BÍBLIA


A Bíblia é, sem dúvida, um dos livros mais complexos que já pude ler. Bíblia é um termo com origem no grego “biblion” cujo significado é “rolo” ou “livro”. Seus autores são reis, pescadores, profetas, médicos, boiadeiros, rabino, governadores, etc. Porém, do ponto de vista teológico todos foram inspirados por Deus, o Autor da Vida.
Literalmente, traduções exatas não existem. Foram utilizados três idiomas diferentes na escrita dos diversos livros da Bíblia: o aramaico (hoje uma língua morta), o hebraico e o grego. É bom lembrarmos que os cinco primeiros livros são atribuídos a Moisés (o Pentateuco), porém, parte desses livros não o foi porque narram à morte desse profeta (como poderia descrever a sua morte).
Em torno de quarenta homens aproximadamente escreveram a Bíblia. O cálculo, embora pareça fácil, não é exato por alguns motivos: há controvérsia sobre quem teria escrito o livro “Hebreus”. Se for Paulo e já estiver contado nas epístolas não se acrescenta nenhum número. Mas, se não for o apóstolo Paulo o autor, teremos mais um autor.

Não é nada inteligente interpretarmos a Bíblia ao pé da letra como fazem os fanáticos religiosos, porque, como já mencionei, literalmente, traduções exatas não existem. Na época em que a Bíblia foi escrita os costumes eram diferentes dos de hoje; a geração era outra, enfim, nada comparado com a modernidade de hoje. Por isso é que existem tantos preceitos religiosos, seitas e religiões espalhadas pelos quatro cantos da terra. Cada qual interpreta a Bíblia a sua maneira e vira essa salada de fruta.


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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

UMA LEBRE ESPERTA



Pensem numa lebre dócil, carinhosa, amável e muito obediente. Sim, Hanny era tudo isso e digo mais: muito esperta. Seus hobbies prediletos eram pular e cheirar. Ela dava seus pulinhos (invejados pelas pulgas) no jardim e cheirava o perfume das flores, mas, deixava-as quietas. Não as comia não.

Hanny com seus pulinhos passeava pelo jardim e chegava até a casa imensa (tinha acesso livre para entrar e sair) onde moravam Dona Mania e suas três filhas Mani, Manialda e Maninice. E Hanny cheirava tudo: desde as sapatilhas de balé de Mani (a mais velha) até o aroma do café preparado por dona Mania que, coincidentemente, tinha mania de inventar coisas, como por exemplo: café com chantili com gemas de ovos, jiló com azeitonas portuguesas, bolo de melancia com creme de chocolate entre outras coisas.
Certo dia, Maninice, a caçula das filhas de Dona Mania, fez aniversário. O que?! Pensem numa festa. Sua mãe, que tinha mania de inventar de tudo, deu uma festa das porretas. Deixou rolar na vitrola ópera e fez uns bolos diferentes desses populares que todos conhecem. Tinha bolo de camarão com leite condensado, bolo de pepino com abacate e torresmos e, ela não entendeu por que razão, as cinquenta e uma crianças convidadas foram embora para suas casas assim tão cedo. Hanny com seus pulinhos cheirava a tudo e, nem mesmo ela ficou dentro daquela casa. Será que era por causa da ópera que rolava na vitrola? E eu fico me perguntando: será que coelhos e lebres gostam de ópera? Vai saber.
Sucedeu que um dia, quem fez aniversário foi Manialda, a filha do meio. O que?! Ela prendeu sua mãe (que tinha mania de tudo) num dos quartos da casa, porque, desta vez, quem ia dar uma festa diferente era ela. E Manialda fez uns deliciosos bolos na companhia de Lúcia (a autora do legítimo bolo prestígio Lúcia). Gente, a galera se fartou de tanto comer e, foi embora satisfeita para suas casas, é claro. O que?! Rolava até som de Bob Dylan na vitrola.
Pelas altas horas da noite, Manialda acorda em seu quarto e dá um sorrisinho típico daqueles de Juquinha quando ganha uma bala e um balão e diz pra si mesma:
- Agora vou provar do bolo que ninguém comeu: o bolo de cenoura que, nessas alturas, deve estar geladinho na geladeira me esperando.
Manialda vai até a cozinha e, quando abre a geladeira leva um susto.
- O que?! Quem comeu meu bolo de cenoura?
Ela caminha furiosa pela casa e, lá na sala, encontra Hanny folgadamente no sofá comendo o último pedaço daquele bolo de cenoura.
Sábios do mundo inteiro ainda não conseguiram desvendar este mistério: como é que a lebre Hanny conseguiu abrir a geladeira e levar até a sala aquele imenso bolo, já que sua mãe e irmãs juraram que não fizeram isso? Pois é, Hanny com seus pulinhos e cheirinhos se interessou apenas pelo bolo de cenoura, gente. Tinha ainda na geladeira muito bolo prestígio Lúcia, mas, ela nem provou, se bem que cheirou.  


Esqueceram de mim, babies? Não sou a Hanny e sim a Mani.
Há! há! há! há! há!





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