sexta-feira, 4 de abril de 2014

MÁSCARAS


Certa vez, entrou em meu consultório um rapaz, aparentemente muito bonito, de nome Cresmaldo Pinto de Jesus Júnior. Preferi chamá-lo de Júnior.
- Bom dia, Júnior! Tudo bem com você?
- Se estou aqui é porque não está tudo bem comigo.
- Qual é o teu problema?
- Eu não tenho mais problemas. Estou morto.
- Isso é pessimismo, menino. Você é jovem, bonito e tem uma vida inteira pela frente.
- Eu sou feio.
- Você quer dizer-me que é feio por dentro?

- Por dentro e por fora, eu sou feio.


Giré, meu Deus! Aquele jovem tirou a sua máscara e, fiquei sem saber o que dizer. Eu podia jurar que ele não estava usando máscara. Era horrível e assustador.
- Então, Dr. Boa, o que tem a me dizer? Seja sincero: sou ou não sou feio?
Ás vezes entendo os mentirosos, porque há situações na vida em que é difícil falar a verdade, porém, fui sincero com ele, já que me pediu para ser.
- Sim, você é feio, porém, tenho coisas lindas para lhe dizer: a beleza exterior não importa. O que importa são os valores que você tem por dentro.
- Não tenho valores dentro de mim.
- Procure tê-los, ora! Isso sim é moral e o que realmente importa para Deus.
- Alguém que mentiu a vida toda e, pior do que isso: abandonou esposa e filhos, é possível que ainda tenha alguma moral?
- Sim. Alguém que mentiu no passado, que abandonou esposa e filhos, sem dúvida, não tinha moral quando fez estas coisas, porém, o pecado traz conseqüências pesadíssimas na vida de um errante. Não pense que este alguém levou vantagem na vida por fazer isso. Só que nunca é tarde para se arrepender e recomeçar uma nova vida.
- Bem, tudo isso que me disse é muito bonito, porém, para mim não serve mais.
- Mas, por quê?
- Você não está morto, querido. Está desempregado?
- Há séculos. Eu sou muito feio.
- Bem, já falamos sobre isso. Já pensou em arrumar um trabalho no mundo artístico para assustar as pessoas, de brincadeira, é claro?
- Isso é ficção. É mentira.
- Não, meu caro. Obras de ficção são arte e, nada tem haver com mentira.
- Então, o que você é?
- Dr. Boa.
- Acaso, está de máscara?
E nós dois choramos muito. Não vi como aquele jovem saiu do meu consultório. Talvez, ele nunca esteve lá.

Somos todos personagens de uma vida mística, onde ninguém, absolutamente ninguém, tem a certeza de nada.



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SEM PRECONCEITOS


Meu nome é Ângela sou loura e, por sinal, muito linda olhos azuis, 25 anos de alegria, tristeza, solidão e agonia.

A história que vou contar a vocês é real e aconteceu comigo. Podem soltar suas emoções e chorar porque isso é bonito e faz parte da vida, meus irmãos e irmãs do mundo todo.


Conheci Jocrésio numa encruzilhada bem no seio de um cemitério num dia lindo de muita chuva. Era dia de finados e eu levava flores para a velha Cudores, minha falecida avó. Eu e Jocrésio nos apaixonamos no ato, ou seja: ele por mim e eu por ele. Nunca tive preconceitos: ele era gago, manco e com o tempo perdeu um olho, além de ter um mau hálito da peste. Quando muito nervoso soava e lamentavelmente também peidava, mas isso é normal. Levei-o para minha casa e o alimentei, pois ele estava muito faminto. Jocrésio e eu nos casamos e o nosso amor era muito lindo.
Meu cheiro era pedreiro.
 Um dia, ele estava no alto de um prédio rebocando quando levou um tombo e desceu rolando abaixo daquele prédio gigante. Sua coluna foi pro pau e por azar ele ficou impotente. Mas nosso amor era lindo e ele tinha mãos fortes e peludas que me faziam um carinho da hora. Meu cheiro passava o dia todo sentado numa cadeira de rodas e eu dava um duro danado para sustentar nossa humilde casinha na favela da Rocinha.
Numa noite de verão bem quente, ele me acariciava quando de repente uma bala perdida invade nossa casinha e se encontra com uma de suas mãos. Não teve jeito: sua mão direita foi amputada, mas ele ainda tinha a esquerda e, o nosso amor era lindo.
Jocrésio adoeceu de vez depois que perdeu aquela mão. Após sérios exames foi constatado que tinha diabetes, câncer do pâncreas e aí danou-se tudo. Como se não bastasse ele ainda ganha uma trombose e suas duas pernas com pés e tudo foram pro pau. Que estado miserável ficou este homem, meu Deus! Sua boca inchou e todos os seus dentes caíram; sua outra mão também foi amputada, mas ele ainda tinha braços, me fazia um carinho da hora com aqueles toquinhos e o nosso amor era lindo. Por tragédia do destino seus braços também foram amputados e, aí danou-se de vez mesmo.
Jocrésio teve três AVC, perdeu outro olho e também a fala, mas ele ainda tinha tórax e o nosso amor era lindo. Veio o diabo de uma ferida em sua bunda e aquilo não sarava nem com reza brava; ganhou uma coceira no ânus e eu tinha que ficar coçando pra ele até que meu cheiro dormisse. Isso era direto. Aquela ferida foi crescendo, crescendo que se multiplicou de certa forma que não teve outro jeito: seu ânus também foi amputado juntamente com o seu pênis e aí danou-se de danar-se de vez mesmo. A ferida se alastrou, comeu o tórax dele, as orelhas e, as narinas, seu pescoço e meu cheiro estava sumindo. Caíram seus cabelos, seus olhos cegos e ele ficou sem face, mas seu coração ainda batia tic tac e o nosso amor era lindo.
Eu não tenho preconceitos, mas o homem ficou sem nada, gente! Até que um dia, seu coração parou de bater e ele morreu. Fiz um pedido no necrotério e fui atendida: deram-me seu coração parado e eu tenho guardado ele até hoje em meu freezer porque nosso amor ainda assim continua muito, mas muito lindo mesmo.


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VIDA DE TRECHEIRO



Vida de trecheiro é triste, gente. Não tem parada e, quando para, logo tem que se retirar da parada e, eu explico por que. Paga um preço muito caro por isso, nas suas andanças. Suas roupas começam a feder devido ao suor de seu corpo e, ele, parando em hoteizinhos de quinta, do tipo ralés, mocós, é expressadamente proibido sequer lavar uma cueca, um par de meias, quem diria uma camisa ou uma calça.
O trecheiro em seu quartinho humilde acende um cigarrinho para se relaxar, pensar no trecho do dia seguinte e, os hóspedes, seus vizinhos de quarto já reclamam do fedor da fumaça.




No dia seguinte, a camareira dopada feito um sapateiro, vai limpar o seu quartinho, passar um paninho e, já protesta:
- Que fedor da peste é esse, menino?



O miserável compra aquelas varetinhas de incenso indiano para perfumar o seu quartinho, mas, o problema aumenta. Perfume na carniça, o padre cancela a missa.



O coitado chega cansado do trecho, às vezes, molhado feito um cachorro na chuva, em seu quartinho, tira suas botas guerreiras e, já vem o porteiro batendo em sua porta convidando-o a se retirar do recinto.

O trecheiro sofre, gente. O chulé domina e predomina e, quando é demais, fede bosta. Catinga macumbeira de primeira. Cheirem para identificar. E o sovaco do trecheiro chega num ponto, que nem sabão de côco, meu irmão. Sua cueca cola no cú feito chiclete na dentadura do vovô e, olhe quem vem vindo lá: o vento. Sim, passou por ali e, rindo, o miserável do vento que levou o fedor do trecheiro, mas, também deixou. É como se fosse o diálogo de dois amigos:
- Vá com Deus, amigo.
- Fique com Deus também, amigo.
Nas andanças do trecheiro, é evidente que ele pega tudo o que é tipo de pereba, principalmente nos pés. Chulé ainda é chique, pior são as frieiras, esporões, rachaduras, joanetes, feridas, olho de peixe e outras. Sua coceira vira sarna. Seu sangue se contamina de tanto comer salgadinhos em promoção. Seu estômago arde mais do que um cú doce no formigueiro. Quando o trecheiro peida, aquele gás vem carregado de frituras das antigas e quando caga então, o ossinho da coxinha entala na privada e aí, minha amada: Pensem num fedor de bosta.
Ninguém quer um trecheiro a seu lado, porque ele é uma espécie assim de fedor ambulante.
Vida de trecheiro é triste, gente.



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quinta-feira, 3 de abril de 2014

O INVISÍVEL

Há muitos mistérios na vida que, talvez, o homem com toda a sua inteligência e sabedoria nunca conseguirá desvendá-los.

Era uma manhã linda de sábado quando um ônibus de excursão saía da cidade de São Lourenço, Minas Gerais com destino a Curitiba, capital do Paraná, com distância de 634 km. No interior do ônibus tinham trinta bundas, ou seja: trinta cabeças contando com o motorista. No meio daquela alegria boba em que ninguém falava o que prestava, de repente, um silêncio total. Todos fazem uma pausa e respiram um ar desagradável. Janelas fechadas, ou melhor: lacradas e, o pior: o ar condicionado do ônibus havia pifado. O cheiro tinha um aroma doce, salgado, amargo e azedo. Aquilo era um peido.



Leandro, o organizador da excursão grita alto para o motorista:
- Pare o ônibus.



O motorista para o ônibus e, Leandro vai bufando de ódio em direção a Aroldo, o gordo.
- Você não tem vergonha de fazer o que fez? Acreditei em você, gordo. Dediquei toda a minha vida numa amizade linda, que agora finda. É você.
E Aroldo regala os olhos.
- Não fui eu.
Leandro, muito inteligente diz:
- Acabou de confessar, gordo. Fora do ônibus.
Coitado de Aroldo. Ficou na estrada e o ônibus segue a viagem. De repente...
- Pare o ônibus.



Leandro vai bufando de ódio em direção a Josiel, um moleque que comia um pastel.
- Fora do veículo, seu moleque atrevido e fedido.
Coitado de Josiel. Ficou na estrada também. E o ônibus segue a viagem. De repente...
- Pare o ônibus.


Leandro vai bufando de ódio em direção a Adala, uma menina que chupava uma bala.
- É você, Adala. Eu esperava de tudo nesse mundo de segredos, menos que você fosse a autora desses peidos. Fora do veículo.
Coitada de Adala. Ficou na estrada também. E assim, Leandro vai expulsando um por um daquele ônibus devido aos peidos, até que fica só ele e o motorista. De repente...
- Pare o ônibus. E Leandro vai bufando de ódio em direção a Batista, o motorista.
- É você Batista. Eu tinha tanta fé que você fosse o cara, o motorista artista, mas, me enganei com meus desejos. Você é o autor dos peidos. Fora do busão, peidão.
Coitado do Batista. Ficou na estrada também. Leandro era quem dirigia o ônibus agora. De repente, ele grita:
- Pare o ônibus.
Ele mesmo para o ônibus e vai bufando de ódio para o banheiro, mas, verifica que lá estava até cheirosinho, limpinho. Olha detalhadamente debaixo dos bancos e não encontra nenhuma sujeirinha. Aquele cheiro fedorento aumentando, aumentando e, Leandro fica agoniado e grita para si mesmo:
- Não peidei! Não peidei!
Sai fora do ônibus para respirar o ar divino e, enlouquece quando vê o ônibus seguindo viagem. Que absurdo, sô! Quem peidou?


 Incrível! Sábios do mundo inteiro afirmam que era Parido Aparecido, o legítimo e inimitável espírito do peido, ou melhor: o próprio peido. Se não for, eu pergunto pra ti: Quem peidou?




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quarta-feira, 2 de abril de 2014

AMOR DE VELHOS


Artrose era uma velha sábia de primeira. Tinha muito bom gosto por sinal. Apesar de tanta sabedoria, não se lembrava mais que herdou uma fortuna de herança do velho Tubérculo, seu pai.






Reumático era o velho da velha Artrose. Eles tinham dois netinhos: Juninho e Joaninha. 





A velha Artrose amava contar estórias para seu netinho Juninho.
A velha sentava o netinho em seu colo e lhe contava estórias:
- Era uma vez uma velhinha muito apaixonada por seu netinho. Ela dava-lhe de comer de tudo, porque desejava vê-lo crescer. E o menininho foi crescendo, crescendo e, cresceu tanto que agora, quem sentava no colo do netinho era sua vovó. Deixa a vovó sentar no seu colo agora, moleque. Acaricie minhas nádegas.
- O que são nádegas, vovó?

- É bunda, netinho.

Reumático, sentadão numa cadeira de balanço coloca a netinha Joaninha em seu colo e também a contava estórias:
- Era uma vez uma menininha muito bonitinha, boazinha, comportadinha que adora sentar no cavalinho de pau do vovô. E o cavalinho pulava e gritava: Up! Iuup!  E a menininha ficava meia assustadinha. Ta gostando, netinha?
- Do que, vovô?
- De sentar no cavalinho de pau do vovô.
- Seria melhor me sentar nas costas da baleia, vovô. Meu bumbum ta doendo.
- Up! Iuup!
Que velhos sem vergonhas, gente! Aquele tipo de amor estava assim, meio cheio de malícias. Isso é pedofilia.
Sucedeu que um dia, Juninho ficou tão nervosinho que deu uma surra de pau em sua avó. Mas, pensem numa surra de pau, gente. A velha era tão sem vergonha que morreu sorrindo e babando. Nunca tinha apanhado tanto assim de pau.
Joaninha também queria se livrar de sua avó. Deu-lhe uma surra de bacalhau. Como assim? O velho comeu tanto, mas, tanto que, não resistiu: seu coração explodiu.
Juninho e Joaninha sabiam da fortuna que iriam receber e só estava esperando os velhos morrerem.

Têm coisas na vida, eu sempre digo, que a gente tem que provar, tolerar, suportar, para depois se livrar e, também herdar, é claro.


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terça-feira, 1 de abril de 2014

NEGÓCIO DA CHINA



Lee era um chinês, por sinal, muito trabalhador, porém, tinha um vício terrível que era o de jogar baralho. A lanchonete que tocava estava falindo, mas, ele tinha uma reserva ainda nas mãos de sua fiel esposa Teng.


Tinha um casal de filhos: Ieun e Iedoi. Um menininho e uma menininha.
Com o passar do tempo, Lee ficou tão viciado no baralho que não queria mais saber de trabalhar não. Não dava mais atenção pra sua linda mulher e, muito menos para seus filhos. Quem se curvava de tanto trabalhar, passar pano no chão, fazer pastel, kibe, bolinho, esfiha, etc., e servir aos fregueses cerveja, suco e guaraná era Teng, enquanto Lee, no bar Brasil, (bem de frente sua lanchonete ficava jogando baralho e tomando umas com seus colegas.


Sucedeu que um dia, entra naquela lanchonete Kicacho, um negrão africano de quase 2 m de altura que, por sinal, falava muito bem português. Muito conversador, sorridente, simpático como um cachorro vira-latas de rua, conseguir conquistar até a amizade de Teng, a chinesa que antes não sorria nem para o dinheiro.
Alguns amigos de Lee diziam:
- Cuidado com esse negrão, Lee.
- E isso aí: ele está de olho na sua mulher.
Lee, não estava nem aí. Seu negócio era jogar e ganhar
Xii! Os filhinhos de Lee e Teng já estavam sentando no colo do negrão e, o povo estava cismado com ele. Tomava todas na lanchonete, comia de tudo e não precisava mais pagar, não. Tudo por debaixo dos panos entendem?
Bem, por falta de aviso não foi: Kicacho, o negrão despertou a chama ardente do coração de Teng e fez um negócio da China; Levou ela e seus filhinhos para Sibéria. Antes disso, Kicacho e Teng limparam até o último centavo de Lee, o chinês do baralho que ficou sem um mísero centavo no bolso. Que negócio é esse China? Perdeu pro negrão, meu!

(Autor desconhecido. Adaptação: Dr. Boa)



segunda-feira, 31 de março de 2014

MINHA LINDA




Quanto tempo faz que não almoças, minha linda?
Eis que comerás hoje comigo.
Eis que almoçarás e jantarás hoje comigo, minha linda.











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O GRANDE AMOR DA MINHA VIDA








Gente, sinceramente, o amor não é lindo? Como diz, Marvin: “O amor não escolhe sexo, idade, nem raça cor ou religião. Se acha no caos da multidão, se perde no azul de roda a ilusão”.




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domingo, 30 de março de 2014

PAI AMOROSO




Napoleão Espada era, sem dúvida, um grande homem. Anão extremamente educado, gentil, natural do Brasil. Tinha uma fala mansa, pacífica que agradava a todos, com exceção aos apressadinhos.











Dádiva, sua única mulher lhe deu vinte e quatro filhos. Deu tanto a luz que ficou cega. Filhos e filhas formosos, saudáveis. Coisas lindas.




João, o caçula de Napoleão puxou o pai, pelo menos na estatura. Era anão também. O que chamava a atenção de todos os bundólatras (aqueles que gostam de bundas) era o tamanho da bunda desse anão. Para os pernilongos, aquela bunda era o paraíso.
Nesse mundo tem muita gente maligna. João perdeu a sua bunda. Peraí! Mas, como?! Sim, perdeu aquela substância rica, aquela carne de primeira, aquele paraíso. Mas, como?!



Lee, um chinês mafioso, muito maldoso, era também um especialista em bundas e, quando viu aqui no Brasil (um país onde tudo se vê) aquela bunda, já deu um sinal para os integrantes de sua máfia:
- 採取的屁股
Ou seja, ele quis dizer: Peguem essa bunda.


Lan, mulher de Lee, era semelhante a uma tábua como a maioria dos chineses. Quem já viu uma tábua com bunda? Pois é, não existe. A cirurgia foi um sucesso. A bunda de João agora estava implantada em Lan. “Sorria, você está sendo filmada”. (Que frase estúpida).
O bom filho a casa torna. João voltou para a sua casa sem bunda, gente. Puns e fezes saíam agora de seu pipí. Que horror! Que ciência mais avançada é esta! Quando Napoleão, o anão, pai de João também anão, viu seu filho sem bunda, ficou indignado.
- O que é isso, meu filho? Onde deixou sua bunda?
João chorando conta tudo a seu pai. Napoleão Espada, sem dúvida, era um grande homem. Deu sua bunda para seu filho. Que pai amoroso, gente!


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sexta-feira, 28 de março de 2014

GAROTA REBELDE



Pensem numa adolescente rebelde, gente. Numa garota linda, com um espírito de grilo deprimido e velho; numa criatura que só ri da desgraça dos outros, tipo: ver uma velhinha escorregar numa casca de bananas, cair e quebrar sua espinha; um padre deixar escapar um peido (sem querer, é claro) bem na hora da missa, naquela parte da pausa pro silêncio; um anão cair e se afogar dentro de um vaso sanitário, enfim, assim era Fabíola, uma garota rebelde.
Fabíola não curtia sexo e, muito pelo contrário: achava que todo o ser vivo era sem vergonha, menos ela, é claro. Quando via uma transa sexual da barata macho com a barata fêmea, dizia com ódio nos olhos.
- Que podridão dos demônios! Será que Deus, o Criador se diverte com isto? Assim trabalha a natureza. Desta sacanagem viriam ovinhos e mais baratinhas. Viriam.
Fabíola pegava a chineleta da vovó e esmagava as baratas.
- Morram, suas inúteis.
Ferdinando, o pai de Fabíola era um homem tranqüilo e, por sinal, muito amoroso para com sua filha rebelde. Ele dizia cada coisa linda para Fabíola.
- Minha filha, não fique triste. Lembre-se: o pôr-do-sol ainda existe.
Fabíola irritada como os pernilongos etíopes que queriam sugar um sangue com mais substância olha para o seu pai diz:
- Eu queria ser uma jiboia, aquela cobra grande e grossa para ter o prazer de engoli-lo vivo. Odeio saber (ainda bem que não me lembro) da forma que me trouxe ao mundo, seu sem vergonha.
Ferdinando com aquela fala mansa, pacífica de Jó diz:
- Minha querida, você veio ao mundo como todos os anjinhos vêm. Foi fazendo amor com sua mamãe que nasceu esse fruto abençoado, ou essa fruta, se preferir que é você.
Fabíola nervosa feita uma mosca velha querendo pousar no bolo, porém, não pode porque o bolo acabou de sair do forno, responde.
- Enigma do Diabo! Ninguém faz amor. O que rola é sexo. É veia dura no buraco molhado, fétido e maligno. Eu me odeio por saber que saí dessa veia, entrei neste buraco sujo e fui mês além, depois voltei para esse mesmo buraco e hoje estou aqui. Ainda bem que não me lembro disso.
Ferdinando com aquele olhar doce de cão que olha para um osso de frango, diz:
- Tudo foi criado por Deus, filhinha. Deus é lindo e sabe o que faz.
Fabíola cega de ódio como Tiago louro, responde.
- Você é a pior coisa que Deus já fez. É infantil. É um psicopata. Vou dar um jeito de processar você.
Ferdinando chora.
- Meu mel, me adoce.
Fabíola irritada feita uma cadela no cio, sabendo que não tem mais cachorros na vila por causa da carrocinha, chuta o bumbum do papai.
- Suma da minha vida sua nódoa. Vou matá-lo da pior forma que nenhum ser humano ainda teve essa ideia.
Ferdinando fica preocupado feito um piolho na cabeça de um calvo, que é fácil de pegá-lo.
- Como filhinha?
Fabíola tranqüila feita uma pomba muçulmana diz:
- Vou deixá-lo vivo. Vai vazar daqui de casa feita merda grossa de vaso sanitário de primeira.
Coitado de Ferdinando, gente! Vazou mesmo. E ele era um homem tão amoroso para com a sua filhinha.Nunca deu sequer um tapinha na bundinha dela.
Edimala, mãe de Fabíola, fica triste com a atitude guerreira da filha.
- Por que expulsou teu papy de casa, meu anjo?
Fabíola com olhar de loba obcecada diz para sua mãe:
- Me aguarde, velha maldita. Você será a próxima vítima.
Vixi! Que garota rebelde, gente!




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quinta-feira, 27 de março de 2014

VILA DOS PRAZERES


Dona Vicentina era uma mulher já bastante idosa. Dizia a todos que lhes perguntavam que tinha setenta e cinco anos, mas, na verdade, ela estava beirando quase um século de existência.
O interessante da vida e mal também, é claro, que quando a carne humana envelhece ao ponto de apodrecer ainda em vida, aqueles que são jovens, que ainda têm carne de primeira, querem se livrar da podridão. Pois é exatamente que os filhos e os netos de Dona Vicentina fizeram com ela. Botaram a velha num asilo, dando um perdido na coitada para sempre.
Dona Vicentina, apesar de ser muito religiosa, tinha dentro de si um espírito de galinha. Sentia ainda, apesar de sua avançada idade. Frescurinhas, o mesmo desejo que sente uma mocinha. Esperta como uma gata ladra que rouba o filézão de peixe das mãos de uma menininha ingênua, bobinha, ela fugiu do asilo, localizado na cidade de Cerro Azul, interior do Paraná.
Dona Vicentina sentia fortes desejos carnais e, antes que seu coração pifasse de vez, queria era mais curtir o doce do mel ou da cana de açúcar que a vida pudesse oferecê-la. Sonhava muito com uma Vila dos Prazeres, localizada na região de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. Sim, ela sonhava com anjos e dizia religiosamente para si mesma que eles estavam enviando mensagens em sonhos para que ela fosse para lá. Segundo os anjos, na Vila dos Prazeres, os jovens, gatões sarados adoravam gente velha tipo: bico de papagaio, artrose dupla, reumatismo, furúnculos, varizes e varicoses, arca caída, gota, dermatoses, joanetes, feridas crônicas, etc.
Dona Vicentina que não precisava pagar passagem (porque velhos também têm suas vantagens) chegou até Belo Horizonte. Foi uma viagem longa, gente. Ela queria era mais tomar um banho, porque fazia um calor de 40 graus e, quando um ventinho passava por ela, levava seu suor catinguento longe. Os abutres mineiros, lá do alto já estavam de olho na velha. Coitada. Suas moedinhas que carregava na sacolinha deram para pagar um banho na rodoviária de Belo Horizonte. Ficou cheirosinha.
Aproximou-se de uma mocinha que estava sentada num dos bancos da rodoviária e a perguntou:
- Mocinha, você é daqui de Minas?
- Sim, minha senhora.
- Como posso chegar à Vila dos Prazeres?
A mocinha que tomava um refrí de latinha se engasga, depois diz:
- Desculpe-me, senhora. Nunca ouvi falar dessa vila por aqui.
Dona Vicentina pergunta desta vez para um jovem do tipo sarado.
- Olá brotinho, tudo bem? Como faço para chegar à Vila dos Prazeres?
Vixi! O boy acabara de curtir um breu e acabou achando que aquilo era uma pegadinha. Dá um sorriso daqueles chouriços e diz:
- To fora desta vila, velhinha. Nunca ouvi falar.
Dona Vicentina não desiste. Foi perguntando aqui e ali e, finalmente, encontrou uma idosa, assim como ela,que conhecia tal vila.
- A senhora vai precisar pegar um ônibus circular para chegar até lá. O ônibus passa na BR. É logo ali. Vai toda a vida reta por essa rua de terra detrás da igrejinha, mas, vai toda a vida que a senhora vai dar de cara com a BR. Lá vai passar um ônibus amarelinho com o nome de Vila dos Prazeres.
Dona Vicentina chega à BR, para num ponto e aguarda ansiosa pelo ônibus. Que BR estranha! Não passava nem sequer um carro nela. Ela espera por uns quarenta minutos e, de repente, quem vinha lá? Um ônibus amarelinho. Dona Vicentina tinha uma visão muito boa. Deu pra lá no letreiro: Recolhe. E ela pragueja muito:
- Maldição desse tal recolhe. Estou aqui há tanto tempo, coringa do baralho.
Quarenta minutos depois, quem vinha lá? Outro ônibus amarelinho, apesar de estar cheinho, recolhe também. Dona Vicentina pragueja os céus, a terra e até sua própria vida. Ela resolve seguir a pé pela BR e já estava perdendo o fôlego. Olha para trás e vê que vinha outro ônibus amarelinho com o mesmo letreiro que dizia: recolhe. Como ela praguejava, meu Deus!
Vixi! O céu escurece e pensem numa chuva. Ela queria uma marquise, porém, marquise em BR só nas idéias de Marcão, não é mesmo? Ficou mais molhada do que um peixe. De repente, quem vinha lá? Outro ônibus amarelhinho com o letreiro: Recolhe. Desta vez, ela entra na frente do ônibus porque queria dizer umas verdades para o motorista e, pensem num final triste que teve essa doce velhinha, gente. Morreu sem conhecer a antiga Vila dos Prazeres que tinha por novo nome Recolhe. Sim, era uma vila assim tipo: espere pela morte que ela está a caminho. Só tinha velhinhos.







Que sacanagem, gente!


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