domingo, 6 de janeiro de 2013

O CASAMENTO DOS PROBLEMAS



Atendi um sujeito em um dos meus consultórios e fiquei horrorizado. Confesso nunca ter sentido antes tanto cheiro de carne podre. O sujeito era um peão sertanejo cabra da peste trabalhador. Tirando aquele insuportável maldito cheiro de carniça dele até que o cabra era gente boa.

- Qual é o teu nome?
- João Bidú
- Qual é o teu problema?
- Minha futura sogra. Ela “num qué de reito nenhum que sua fia se case mais eu”
- Por que?!!
- Diz ela que eu sou um “fedô” ambulante. Minha noivinha diz que isso num importa não. A bichinha me ama cada rez mais.

Respirei fundo e fiquei pensando como deveria ser sua noivinha. Pra suportar aquele cheiro deveria ser porca.
- Sua noivinha deve até curtir o teu cheiro. Isso chama fetiche.
- É não! Minha noivinha cuando era pequeninha levou uma porrada no nariz do seu padrasto e perdeu o olfato. Ela num sente cheiro não! O camarada pode soltar um peido bem fedido perto dela que ela num sente cheiro não!

- Então, isso pra ti é bom. E, por que diabos sua futura sogra se incomoda?

- “Proquê” assim que eu me casar mais ela vamo vivê tudo junto na casa da minha sogra.
- Aí danou-se tudo, hein? Mas, diga-me uma coisa João Bidú, já pensou em ir tomar um banho?

- “Vixi!” Já tumei inté banho de perfume,mas de nada resultou. É eu soar assim como agora e o “fedô” predomina. Só que eu também num sinto cheiro não!

- Que bom! Não tem olfato também como tua noivinha?

- Quando eu era muleque meu véio pai me pegô cheirando a calcinha da minha mãe e levei o maior dos pés-do-ouvido. Perdi o olfato e também o paladar. Comi muita merda que me deram achando que era musse de banana.

- Que horror! Aceita um cafezinho?

- Tomo por hábito mas, eu num sinto sabô não!

- Que pena! É um sabor delicioso!

João Bidú não quis tomar no copo não. Tomou mesmo foi no bico da garrafa até esvaziá-la. E ela tava cheia.

- Meu amigo... quer dizer que banho e perfume não resolveram o teu problema?

- As pessoas diz que não! Eu num sinto cheiro. Mas pra me livrar dessa catinga já fui até em benzedeira, macumbeira, feiticeira, Pai de Santo, igreja de crente e o “caraio” e de nada resultou.

Abri a gaveta da minha mesa, peguei um sabonete e lhe entreguei dizendo:

- João Bidú, este sabonete não é bom, é BOA porque fui eu quem criou. Ele tem um poder tão supra que lava até a sujeira interna do peão.Tome uma banho na fé de Deus mas jamais chame Deus de fedorento.

De repente disparos. Me assustei. João Bidú solta uma rajada de peidos multiplicativos, porém, isso eu já previa.

- Me perdoa, doutor!

- O que é isso guerreiro? Liberte o gás verdadeiro que há em você como fazem os nenês!

João Bidú saiu feliz do meu consultório e hoje é um dos meus maiores fregueses do sabonete BOA que lhe disse que não era bom. Casou-se e, no dia de seu casamento ,sua sogra infartou e morreu. O importante é que o casalsinho vive numa boa e eu também. Bem longe dele.


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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

A TÍMIDA


Consultei outro dia, uma jovem muito bonita, porém, sobrecarregada demais.
Notei nela, certa timidez que estava impedindo-a de tomar decisões no percurso da sua vida. Cristina, o nome da bela, precisava libertar-se de “algo” que havia dentro dela. Acompanhem.
Dr. Boa – Bom dia, Cristina! Por sinal, hoje está um lindo dia, não está?
Cristina – É.
Dr. Boa – Por que não olha para mim?
Cristina – Porque eu tenho vergonha.
Dr. Boa – Vergonha? Mas, você é tão linda que, se me encarar, eu é que vou ter que baixar minha cabeça.
Cristina – O senhor acha que eu sou bonita?
Dr. Boa – Muito mais do que bonita. Você é linda.
Finalmente, Cristina levanta sua cabeça e olha para mim.
Cristina – Não consigo me relacionar com ninguém por causa do meu problema, doutor.
Dr. Boa – Que problema?
Cristina – Eu sou tímida.
Dr. Boa – Mas, este é um problema de fácil solução. Estou certo de que vai sair daqui deixando boa parte desta sua inibição. Crê nisso?
Cristina – Acho que sim.
Dr. Boa – Quem acha, procura e, pode nunca encontrar. Ou você crê ou você não crê. Ficar em cima do muro pode ser muito perigoso para um bebê.
Que bom! Consegui arrancar um sorriso de Cristina e, que dentes lindos! Perfeitos.
Cristina – Eu creio.
Dr. Boa – Então, para que eu possa ajudá-la, conte-me o que te aflige? O que te faz ficar assim tão acanhada?
Cristina – Eu tenho vergonha de falar.
Dr. Boa – Você tem mau hálito? Tem chulé?
E ela sorri novamente.
- Não. Absolutamente não.
Dr. Boa – Então, criatura, você é uma jovem vitoriosa. Tem uma voz linda, uma dentição capaz de deixar qualquer cirurgião dentista louco. Pode apostar que, em algum dente ele vai querer mexer; não tem chulé, já se livrou dos podologistas, por ter pés perfeitos, lindos. Cuidado apenas com os podólatras. Você é perfeita.
Cristina – Não sou, doutor. Existe algo dentro de mim que, sei lá, eu não consigo explicar. Esse “algo” me incomoda e fico irritada e tenho vontade apenas de me isolar do mundo, entende?
Fiquei observando aquela linda jovem e, notei que ela estava perturbada demais. Cruzava e descruzava as suas pernas, roía até as unhas dos pés. “Giré, me ajude”. Pensei.
Dr. Boa – Aceita um café?
Cristina – Sim.
Cristina tomou meu café e, lacraias do deserto! Pensem numa revolução. Pensaram? Rajadas multiplicativas de peidos de todos os tamanhos e medidas saíram de seu ventre, gente! Ela chorava e ria e a peidorreira prosseguia. Condicionei seus peidos ligando o ar condicionado.
Dr. Boa – Sente-se melhor?
Cristina – Desculpe-me, doutor! Não sei o que aconteceu, mas, sinto-me ótima.
Dr. Boa – Você está liberta, Cristina. Gases não podem e não devem ficar alojados, presos dentro da gente porque senão eles mexem com tudo lá dentro, entende? Peidar faz bem, é saudável e o reto agradece quando fazemos o correto pra ele, que é essa forcinha, compreende?
Cristina – Nossa, doutor!Eu segurei esses peidos dentro de mim por muito tempo.
Dr. Boa – Agora você está livre. Recomendo a você que tome bastante suco de mamão com leite e também couve com leite. Tome em jejum e terás um dia pleno com farturas de peidos.
E assim, aquela linda jovem sai do meu consultório liberta e curada. Às vezes, na vida, o que nos falta é muito pouco para nos libertar. O melhor que tem de fazer é expulsar o maligno de dentro da gente.



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PROFESSOR DE INGLÊS



Juarez era professor de inglês, isto é: era o que ele dizia a todos, entende? Sertanejo porreta tinha um cabeção que me tia medo nas cabecinhas. Nascido no sertão do Ceará foi tentar a vida no sul brasileiro. Chegou a Vacarias, interior do Rio Grande Sul, distância de 240 km da capital Porto Alegre.
Juarez dava aulas de inglês pras gauchinhas. As mocinhas iam até o barraco que ele alugou e saíam de lá alegrinhas, sô! O homem parecia ser bom de língua mesmo.
Valdivino, um gaúcho muito desconfiado e, por sinal, pai de uma das mocinhas foi até lá, no barraco de Juarez conferir, se o mesmo era realmente um professor de inglês. Bateu palmas no portão e, Juarez o mandou entrar.
- Tu és mesmo professor de Inglês, tchê?
Juarez olha para o botinão de Valdivino e responde:
- Yes, I be.
Vivaldino não entende.
- O que significa esse “be”, tchê?
Juarez se enrola todo e deixa escapar um peido.
- Depende do “be”. Pode ser abelha (aquela que faz mel), como pode ser “be” (abelhudo) de Bee Gees, ou pode ser do verbo “to be” que significa na gramática inglesa: “Sou ou ficou”.
Vivaldino fica admirado.
- Estou vendo que tu conheces mesmo a língua, tchê! Como se diz: “Papai me ama” em inglês?
Juarez se enrola todo, deixa escapar mais um peido e responde:
- “Fodes my love you”
O gaúcho Vivaldino fica admirado.
- Quer dizer que “fodes” é papai?
Juarez responde:
- Sem dúvida. “Dí verdadeirou fodes love you”, ou seja: “O verdadeiro pai ama”.
- E como se diz: você é pai?
Juarez deixa escapar mais um peido e diz:
- You do is fodes.
Vivaldino dá um aperto bem forte na mão de Juarez e diz:
- Estou vendo que tu, tchê, é um homem estudado demais. É pegar ou largar: quer se casar com minha filha Magali, sua aluna?
Vixi! Magali era bonitinha demais. Era um “pêssego” e, Juarez adorou a proposta, é claro.
- É claro que quero, meu senhor! Mas, será que ela vai me querer?
- É o sonho dela se casar com você, tchê! Por isso é que estou aqui. Os padrinhos dela são ingleses e estão chegando da Inglaterra e só um homem como tu, tchê, poderá traduzir o nosso bate papo.
No dia seguinte, Juarez, logo pela manhã, arruma todas as suas muambas e desaparece daquela cidade e nunca mais foi visto por ninguém, sô! Ele não falava inglês coisa nenhuma e, é claro que ficou com medo dos padrinhos da linda Magali. Jamais queria conhece-los.
Valdivino consola sua linda filha Magali que não parava de chorar.
- Tu achas minha filha que aquele sujeito conseguiu me enganar? Um gauchão velho e sábio como eu. Não tem como enganar não, tchê! Quando falei para ele que tu tinhas padrinhos ingleses, notei que ele se assustou. Seus padrinhos são Tonico e Tonica, os gauchinhos. Esse tal Juarez deve de ser o próprio inglês e, como lá na Inglaterra é tudo pequenininho, ficou com medo de ser reconhecido. Esse Juarez é um sábio inglês, pode apostar que é, tchê!
Magali ficou tão irritada com seu velho pai que não parava de falar que lhe desrespeitou e, feio. Desceu seu shortinho de lycra, mirou seu bundão bem na cara do pai e soltou um peido volumoso e acumulado há horas dentro de seu ventre. Vixi, sô! Que menina má criada!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O TÍMIDO



Cristino era um jovem muito tímido. Ficava vermelho feito uma brasa quando as menininhas os chamavam de “bonitinho”.
Dona Júlia, mãe de Cristino o levou para os maiores psicólogos do mundo, gastou dinheiro porreta com o filho e, nada de curar sua timidez.
Cristino tinha vergonha de rir. Mas, por quê? Seus dentes eram tão brancos feitos algodão.Tinha vergonha de falar. Mas, por quê? Sua voz era suave feita uma geleia de uva.
Dona Júlia cansou de ver seu único filho naquele estado. Arrumou uma namoradinha para ele e, vixi! Ele não gostou daquela encrenca não. Mas, por quê? A menina parecia uma Madoninha de tão bonitinha que era, sô!
Dona Júlia derrubou a porta do quarto do filho aos pontapés, o pegou pelos colarinhos da camisa e disse-lhe:
- O que lhe sucede, sua peste? Virgem, o que lhe aflige? Cristino, por que és tímido?
Cristino chora feito um bezerrinho nordestino querendo teta no sertão da seca.
- Não chora, que teu choro me apavora. Filhinho, quer um docinho?
Não tinha jeito não. O jovem Cristino só queria ficar trancado em seu quarto feito um pássaro sem asas, cego, mudo e surdo numa gaiola. Danou-se.
Dona Júlia foi para os Estados Unidos e trouxe de lá uma menininha linda. Pense numa bonequinha de verdade. Cristino odiou. Mas, por quê? A menininha parecia uma Brookshieldezinha, sô!
Numa manhã de quinta-feira, uma figura bate palmas no portão de Dona Júlia. Era um etíope de 2 m de altura e estava vendendo linguiça. O que?! Quando Cristino viu a beleza da linguiça, suas mãos tremeram, suas lombrigas entraram num carnaval infernal dentro dele e ele gritou:
- Mande este homem entrar, mamãe.
O tal etíope entrou e ficou lá até hoje, sô! Cristino gostava de linguiça e, não é que sua mãe, Dona Júlia, também, sô!


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quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O RONCO


 

Afonso era um homem bonito, elegante e querido por todos. Um homem bem sucedido na vida. Tinha uma pequena empresa que importava e exportava deliciosos doces caseiros.

Afonso conheceu Aurora, coincidentemente logo na aurora; no raiar do sol onde gaivotas voavam e cantavam na praia de Santos, (SP) um dos litorais mais lindos e limpos do mundo. O homem da vida de Aurora passava por lá de terno e gravata e sapatos engraxadissimos nos pés e, ela mexeu com ele:

- Psiu! Vem cá, homem! Tire esses trapos e venha curtir a Aurora.

Afonso tirou a gravata, o terno, o sapato e as meias e ficou ao lado de Aurora, uma morena deusa morena de primeira linha. Namoraram e já marcaram o dia do casório. Como o amor é lindo, Jesus! E Maria Madalena? Casaram-se no mesmo dia.

Aurora era uma pobre coitada. Nunca trabalhou na vida e não sabia fritar um ovo, quem diria fazer um rango. Só que a bichana era muito bonita.

Foram passar a lua de mel em São Vicente, uma cidade vizinha de Santos. Na hora do “LOVE”, Afonso sente um sono porreta, talvez por ter tomado altos porres de vinho.

- Amor, vou dar apenas uma cochilada. Depois você me tem, ou seja: Love Me Tender.

Vixi, sô! Afonso fechou os olhos e roncou feito um velho barrigudo e bicudo. E seus roncos eram altos, barulhentos e assustadores, além de impertinentes. Aurora bate em sua cabeça, seus ombros e, Afonso ronca é mais. O porteiro do hotel sem estrelas vem até o quarto verificar se está tudo bem e pede pra maneirar no barulho porque os hóspedes dos quartos vizinhos estavam reclamando.

Aurora pula em cima da barriga de Afonso e nada do homem acordar. Urina no rosto dele e, nada do homem acordar. Danou-se! Não teve outro jeito: o bocão de Afonso estava bem aberto e ela teve uma idéia genial: sentou com seu bundão bem na boca de Afonso e soltou um peido lascado, daqueles bem volumosos. Que crime! Deus que me livre!  Afonso morreu asfixiado com o peido de Aurora e, coincidentemente, na aurora do dia.

Hoje, Aurora é uma grande empresária e da graças ao peido que soltou na hora certa. Se esta moda pega, hein, sô!

MALDIÇÕES DE UM DESTINO



Esta é uma história baseada em fatos reais, ocorrida nos 30 (época que havia respeito. O que prevalecia era a educação, o respeito e, a palavra de um homem valia muito mais do que os seus documentos) até os anos 80. 
Horácia nasceu em 1900, na pacata cidade de Monte Sião, interior de Minas Gerais, cerca de 484 km distantes da capital Belo Horizonte.
Naquela época, principalmente nas zonas rurais, era comum os pais arrumarem casamento às filhas e, com Horácia, não foi diferente: conheceu Brazilino, um homem honesto e trabalhador no dia do seu casamento. Ela agradeceu a Deus por seus pais terem feito a escolha certa, pois, ela amou Brazilino.
Horácia tinha apenas 16 anos quando se casou. Era uma menina ingênua, infantil, porém, muito dedicada às tarefas domésticas. Brazilino achava engraçado quando chegava em sua casa e encontrava sua mulher Horácia brincando com bonecas. Sim, a tarefa doméstica fora cumprida por ela. A casa toda em ordem, arrumada, as roupas todas lavadas e a comida preparada.
Ainda muito jovens, Brazilino e Horácia mudam-se para Socorro, interior de São Paulo, cerca de 135 km da capital. Uma cidade pacata também e, naquela época, as pessoas, na regra geral, eram mais passivas; o que predominava era a educação, o respeito de filho para com os pais, etc.
Moravam num pequeno sítio em Socorro e, com o tempo, nasceram Cesárea, depois Lazara, Benedito, Maria, Júlia e Guilherme.
Brazilino e Horácia sempre faziam compras no único armazém da cidade de Socorro. Iam a cavalo sem quaisquer preocupação com seus filhos no sítio. Cesárea já tinha 16 anos e, na falta dos pais, seus irmãozinhos tinham que obedecê-la pra não apanharem de vara.
Sucedeu que, numa tarde em que Brazilino e Horácia voltavam pra casa, no sítio, Brazilino presenciou uma cena que o deixou muito aborrecido: viu um sujeito pagando pinga para o seu compadre Zé, que sofria de Hepatite e Cirrose (males do fígado). Enfurecido, Brazilino desce do cavalo e diz para Horácia:
- Espere-me aqui. Vou dizer umas verdades para aquele sujeito.
Horácia pressente o perigo:
- Deixe disso Brazilino. Vamos embora.
Brazilino entra naquele boteco, pega o sujeito que pagava pinga para o seu compadre, pelos colarinhos da camisa e lhe diz:
- Você não está vendo o estado que está o meu compadre, filho de uma puta? Quer apressar a morte dele para ficar com sua mulher?
No que Brazilino vira as costas é golpeado por duas facadas que perfuram seus pulmões. Cai sangrando no chão daquele boteco e ainda recebe mais uma facada no coração e fica agonizando. Horácia pula do cavalo e entra naquele boteco clamando em desespero por socorro. Tarde demais! Brazilino morreu e o tal sujeito que o assassinou fugiu.
E agora? Como dar esta triste e trágica notícia a seus filhos que amavam tanto o pai Brazilino? Horácia chora muito e, quando chega ao sítio, todos os seus filhos perguntam do pai. Horácia, mal podia encará-los.
- O pai de vocês nunca mais voltará para casa. Foi assassinado.
Cesárea, a filha mais velha, não derramou uma lágrima de tão sentida que ficou com a notícia da morte do pai. Pior do que isso: a adolescente pegou desprazer pela vida.
Um mês depois da morte de Brazilino, Horácia e seus cinco filhos vão ao cemitério levar flores ao falecido. Quando passam por uma cova vazia, Cesárea diz zombando e revoltada:
- Dona cova, me aguarde que não vai demorar muito e eu estarei aí.
Horácia repreende a filha batendo em sua boca.
- Não fale besteiras, menina! Respeite os mortos, sua má criada.
Quando chegam ao sítio, Horácia da uma ordem à Cesárea:
- Vá banhar o cavalo e tratar dos porcos.
Cesárea, muito revoltada, responde a mãe:
- Por que vão vai a senhora?
E Horácia pega o cinto do falecido Brazilino e dá uma forte surra em Cesárea que não derrama uma lágrima de seus olhos e ainda afirma para a sua mãe:
- É a última surra que a senhora me deu.
Cesárea vai para o seu quarto, enquanto Horácia chora muito clamando por Brazilino:
- Que falta você está me fazendo. Brazilino!
Na manhã seguinte, Horácia e seus quatro filhos tomavam café na cozinha. Horácia olha para Maria e diz:
- Vá chamar Cesárea, Maria.
A pequena Maria vai até o quarto da irmã Cesárea e, logo volta para a cozinha.
- Mamãe, Cesárea está espumando pelo nariz e boca.
Horácia corre para o quarto de Cesárea, mas, já era tarde. Ela estava morta. Suicidou-se com veneno pra matar ratos. Horácia grita muito e cai em pranto sentindo-se culpada. Que triste tragédia!
Dois meses depois, Horácia e suas filhas Lazara, Maria e Júlia preparavam o almoço enquanto os meninos Benedito e Guilherme brincavam na área da casa do sítio. Fazia muito calor e, de repente, Guilherminho, o caçulinha de apenas cinco anos vai a cozinha se queixar a mãe:
- Mamãe, está doendo o meu peito.
Horácia nota que Guilherme estava com muita febre.
- Vá se deitar, meu filho. Mamãe vai lhe fazer um chá e essa dor vai desaparecer.
Quando Horácia chega no quarto dos meninos, com a xícara de chá nas mãos, Guilherme estava morto. Ela pega o menino no colo e sai pra fora de casa gritando por socorro. Que maldição era aquela, afinal, que rondava Horácia? Ela amaldiçoou a cidade de Socorro e disse aos filhos:
- Vamos embora deste lugar. O diabo ronda Socorro.
Lazara já era uma mocinha e namorava um homem honesto e muito trabalhador. Preferiu ficar em Socorro e, se casou com Ângelo.
Horácia e seus filhos, Benedito, Maria e Júlia vão para a capital (São Paulo). Aparentemente, tudo corria bem para Horácia. Júlia se casou com Jacó e, sequentemente Maria se casou com Vicente. Benedito, lamentavelmente não teve sorte no amor. Enterrou-se na bebida por gostar de uma mulher que não gostava dele. Benedito costumava desabafar com Vicente, seu cunhado e amigo:
- Um dia, Vicente, eu ainda cometo uma loucura. Estou perdidamente apaixonado por uma mulher que, não da à mínima por mim.
Vicente, um alagoano sorridente e muito brincalhão diz:
- Deixe disso, Benedito. Mulher é o que mais tem nessa São Paulo, rapaz!
Benedito se desentende com a mãe por causa da bebida e decide morar sozinho. Na mesma Rua Antônio João, ele aluga um quartinho.
Sucedeu que no dia de seu aniversário, sua mãe resolve lhe fazer uma surpresa levando-o um café e um bolo de fubá (que ele adorava) logo pela manhã. Ela bate na porta do quarto do filho e, ele não responde. A porta estava entreaberta e ela entra. Que cena terrível! Benedito havia se suicidado. Enforcou-se com sua gravata no pé da cama. Como foi triste Horácia ter visto isto!
Com o passar dos anos, Maria adoece de verdade; tem um tumor maligno no cérebro e acaba morrendo. Dois meses depois, morre Celso (asfixiado nas águas de Mairiporã, região metropolitana de São Paulo,) filho de Maria, por sinal, o neto que Horácia mais gostava. Isso tudo foi muito forte para a velha Horácia suportar. No ano seguinte, em 1986, ela despede-se da vida.

Só os diamantes no sol duram para sempre. Descanse em paz, Horácia e, quem sabe, ao lado de todos estes entes queridos que você perdeu aqui em vida. 

O JOVEM E A VELHA


 
Júnior era um rapaz muito bonito e saudável. Físico de atleta, deixava as mocinhas com fissurinhas, coceirinhas e frescurinhas. Por onde fosse que esse gato passasse, provocava um tumulto na mulherada de todas as idades. Pode parar, flor! Júnior era bonito demais, sô!

Certo dia, Júnior entrou numa igreja evangélica para assistir um culto e, lá dentro a gritaria multiplicou. Eta mulherada boba, sô! Podia ao menos respeitar os anjos, não é? Como as mulheres ficaram possessas, deitando e se rolando no chão, Júnior achou melhor sair daquela igreja.
Júnior recebia milhares de cartas do mundo inteiro. Selecionava as mais românticas e inteligentes e, de preferência das mulheres ricas.
Sucedeu um dia que ele se apaixonou no ato por uma mulher que lhe escreveu o mais lindo poema de amor que ele já havia lido na vida.
“Se o amor for um vírus, eu quero ser este vírus para me alojar em cada detalhe do seu corpo e te provocar uma coceira da virada. Coça-me amor!”
Não deu outra: Júnior se apaixonou não só por este lindo e bem bolado poema como pelas treze mil fazendas, seiscentos e um edifícios, mil e quinhentas empresas, oitocentos e três aviões e um carrinho de cachorro quente que tinha, Marilú. Grande mulher! Seja bem-vinda Marilú.
Repórteres, jornalistas e curiosos do mundo inteiro não queriam acreditar no que estavam vendo. Vixi! Marilú era uma velha e a feiúra de toda catinga humana perdia feio pra ela. Pernas cheias de varizes, celulite e carne enrugada de primeira, etc. Vixi! A velha Marilú era feia demais, porém, dona do mundo.
Marilú tinha seguranças robozinhos até em seus bolsos. Juntou-se com Júnior no Brasil, mas, foram morar num castelo em Ottawa, no Canadá... e, logo se casariam.
E lá no castelo, a velha Marilú tira a sua roupa para se entregar ao grande amor da sua vida. Meu Deus! Não chore, Nenê! Demorou pelo menos uns quinze minutos para a velha Marilú se despir, tirar sua maquiagem, enfim, ficar nuazinha para Júnior. O que?! Velha?! Marilú era uma ninfeta, rapaz! A mulher era a mais linda do mundo. Coitada de Lady Lourdes. Marilú era muito mais linda.
Júnior chorou, gritou, babou, pediu perdão a Deus de todos os seus pecados e, finalmente, tirou a sua roupa. O que?! Virgem Maria do mocotó! Júnior era um velho, sô! A jovem Marilú foi muito generosa com o velhinho Júnior. Deu-lhe um carrinho de cachorro quente e disse-lhe:
- Boa sorte na vida, vovô.
Quem diria, hein sô! A vida realmente nos surpreende.
                                                                   




                   

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terça-feira, 1 de janeiro de 2013

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O OUTRO LADO DA VIDA

Lázaro era um homem honesto, trabalhador e temente a Deus. Amava sua esposa Amélia e seus filhos Rodrigo e Andréa. Moravam em São João da Boa Vista, interior de São Paulo.
Lázaro era um excelente sapateiro e tinha seu próprio negócio. Montou uma sapataria na área de sua casa. Amélia também trabalhava em casa como costureira. Fazia reformas de roupas em geral e tinha uma excelente clientela. Rodrigo e Andréa, apenas estudavam e, seus estudos eram mantidos por seus pais.
Sucedeu que, numa manhã de terça-feira, assim que Lázaro abria sua sapataria, foi abordado por quatro marginais de alta periculosidade. Eles, todos armados, invadiram a casa de Lázaro e, pior do que isso abusaram e violentaram sexualmente de Amélia, Rodrigo e Andréa e humilharam sob muita tortura, Lázaro. Bateram fortemente a cabeça de Rodrigo no chão, até desmaiá-lo. Fizeram uma limpa nos pertences de valor da casa e foram embora.
Uma hora depois chega à polícia. Conduzem a família ao pronto socorro, depois a delegacia para prestarem queixas, porém, os marginais nunca foram capturados.
Rodrigo que era um jovem dotado de uma inteligência extraordinária cursava o último ano de Direitos, na faculdade, perdeu a memória devido ao traumatismo craniano que deixou seqüelas em sua cabeça. Ele não conhecia mais ninguém e, para a medicina, estava desenganado.
Andréa, uma moça tão linda, que sonhava em ser um dia uma psicóloga para ajudar as pessoas, acabou ficando nas mãos de neurologistas e psiquiatras. Ficou traumatizada por ser estuprada e violentada pelos marginais e, talvez, nunca mais se recuperará deste quadro clínico; está internada num sanatório e ela é agressiva.
Amélia, não suportando a dor de ver seus filhos neste terrível estado, caiu em depressão total e, pior do isso: suicidou-se tomando medicamentos em excesso.
Lázaro vendeu sua casa, sua sapataria e doou todo o seu dinheiro em Instituições de Caridade. Abandonou sua fé cristã e se entregou à bebida alcoólica. Hoje vive nas ruas como um mendigo maltrapilho, falando sozinho.
Os quatro marginais, talvez estejam longe e numa boa fazendo mais vítimas.
Pois é, não se surpreendam: Só se vive uma única vez e, este, é o outro lado da vida.