quarta-feira, 13 de agosto de 2014

EM TUDO DAI GRAÇAS



A vida tem seus altos e baixos, porém, tem pessoas que, lamentavelmente, não vingam na vida. Tudo o que fazem dão errado.

Assim acontecia com Leonardo, um sujeito azarado demais. Teve oito filhos lindos e saudáveis, os quais morreram todos de uma só vez, vítimas de um ciclone.
Sempre nessas horas de intensa dor e sofrimento que Leonardo passava, vinha um velhinho em seu caminho (só Deus sabe de onde) para lhe consolar.
- Em tudo daí graças, amado Leonardo.
Leonardo com os olhos lacrimosos dizia:
- Como posso dar graças? Perdi meus oito filhos amados de uma só vez. Morreram todos.
- Mas, ainda tem sua mulher, amado Leonardo. Vocês são jovens, saudáveis e, a vida continua. Podem ter muitos outros filhos. Alegre-se. Deus recolheu seus oito filhos porque, sem dúvida, tinha um plano para com eles. Deus sabe o que faz. Em tudo daí graças.
Ester, a linda mulher de Leonardo a trai com outra mulher. Com a própria cunhada, ou seja: com Leonarda, irmã gêmea de Leonardo.
Leonardo chora muito, porque amava demais sua mulher Ester.

 E vinha aquele velhinho novamente em seu caminho lhe consolar.
- Em tudo daí graças, amado Leonardo.
- Como posso dar graças? Minha mulher traiu-me com minha própria irmã.
- Talvez, ela não era pra ser sua. Deus sabe o que faz. Em tudo daí graças.
Leonardo pagava aluguel da casa onde morava e, para sobreviver, tinha que trabalhar muito. Tudo bem que agora não tinha mais mulher e filhos para sustentar, mas, mesmo assim, tinha que dar um duro danado. Nem pão de mel cai do céu e, aluguel, é aluguel.
Leonardo trabalhava como pintor e, sucedeu que um dia, quando estava pintando a parede de um prédio por fora, de repente, um abutre defeca bem em cima de sua cabeça e ele se assusta. Pior do que isso: cai do décimo terceiro andar e, milagrosamente sobrevive. Fica em coma hospitalar entre a vida e a morte, porém, sobrevive.
Dias depois, recebe a visita daquele velhinho.

- Em tudo daí graças, amado Leonardo.
Leonardo estava indignado demais.
- Como posso dar graças? Perdi minhas duas pernas e um braço. Estou internado aqui há três meses sem saber o que está acontecendo lá fora.
- Lá fora está tudo igual, amado. Não entendemos os desígnios de Deus, porém, creia: Ele quer sempre o melhor para nós. Você perdeu duas pernas e um braço, porém, Deus poupou a sua vida porque tem um plano com você. Alegre-se! Você ainda tem um braço, uma cabeça, um pescoço, uma bunda, etc., e está vivo, amado.
O velhinho vai embora e, Leonardo fica ali no leito hospitalar questionando com Deus, o porquê de estar sofrendo tanto assim.
Recebe a visita de um pastor político que lhe presenteia com uma cadeira de rodas. Leonardo só precisava assinar alguns papéis e, como ainda tinha um braço, fez isso e pronto. Ganhou a cadeira e, três dias depois, alta hospitalar e foi para casa. Casa? Que casa? Chegando lá, decepciona de vez: havia outros moradores.
Uma alagoana vem lhe atender no portão.
- Pois é, seu cadeirante, esta casa foi abandonada e, o proprietário gostou tanto de mim e de meus doze filhos que, por sinal, são todos trabalhadores que, encarecidamente, alugou para mim, que paguei um ano adiantado.
Leonardo fica preocupado.
- Peraí! E os meus móveis? As minhas coisas?
- Fiquei sabendo que, o proprietário doou tudo para um pastor político.
Leonardo só desejava morrer naquela hora. Desta vez, chora com ódio. Conduzindo sua cadeira de rodas, encontra pelo caminho, aquele velhinho.

- Em tudo daí graças, amado Leonardo.
Leonardo estava muito revoltado.
- Como posso dar graças, enviado de Deus ou do Diabo? Olhe só o estágio do estado que cheguei. Como se não bastasse, além de perder tudo, não tenho mais moradia.
- Alegre-se, amado. Ainda tem uma cadeira e, de rodas. Procure uma assistência social. Será bem recebido. Tomará um bom banho, um cafezinho quente e, amanhã descobrirá que o mundo é colorido como nos sonhos do nenê. Isso não é lindo?
Leonardo procura uma assistência social e, chega lá, todo defecado. Precisava urgentemente que alguém lhe desse uma assistência.
- Mocinha, acabei de defecar. Olhe só o meu estado. Você pode me ajudar?
Que azar! A mocinha chuta tão forte aquela cadeira de rodas que Leonardo cai dela.
- Sai pra lá, seu verme!
E nesse hora chove muito forte. Leonardo caído no chão, defecado e todo molhado, desejava morrer. Pior do que isso: um ladrão ainda rouba a sua cadeira de rodas.

E aquele velhinho aparece em seu caminho.
- Em tudo daí graças, amado Leonardo.
- Como posso dar graças? Olhe só o meu estado. Não tenho mais nada.
O velhinho lhe dá um guarda chuva.
- Agora tem um guarda chuva e pode segurá-lo porque tem um braço. Não seja tão pessimista, amado.
Leonardo com muito ódio da vida, segura aquele guarda chuva.
- O que mais me falta acontecer?
De repente, vem um caminhão em alta velocidade e, acontece um terrível acidente. O velhinho escapa porque da um pulinho de gato para trás, porém, Leonardo morre na hora e, da pior forma: Morre com o bico do guarda chuva espetado em seu reto para ter uma ideia de quão terrível foi o acidente. Que morte horrível!

O velhinho misterioso chora e diz, olhando para o corpo esfacelado de Leonardo. 


Nem tudo na vida é engraçado, portanto, é desnecessário dar graças a tudo. Dar graça para a desgraça é como aceitar a derrota. É deteriorar a memória, dizendo tolices como ora que melhora e ficar dando glórias e glórias e, esta é mais uma das minhas histórias.



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A RAIVA




Um andarilho de tanto andar, chega num lugar bem afastado da cidade. Uma gigantesca mata que mais lembrava uma selva. Decide viver lá até o término de sua vida.

Avista uma casa. Sim, uma única casa no meio daquela grande mata, com um cachorro amarrado que, sai de sua casinha e late furioso ao sentir a presença daquele andarilho. Bate palmas várias vezes e desiste. Não havia ninguém naquela casa.

O cachorro late, late, e, pelos latidos do bicho, sem dúvida, ele estava com muita raiva daquele andarilho ou de qualquer passarinho que chegasse próximo de seu portão, ou seja: do portão que ele achava ser dele.
Havia uma grande árvore bem de frente aquela casa e, o andarilho senta debaixo dela e decide tirar um cochilo. O cachorro não parava de latir. O andarilho cochila, acaba se ferrando no sono e, o cachorro latindo. Quatro horas depois, o andarilho acorda e o cachorro latindo. “Como pode um bicho desses sobreviver de tanta raiva?” – Pensa o andarilho.





O cachorro só fazia uma pausa em seus latidos para comer sua ração (que tinha muita) e beber água e, depois, voltava a latir.
O andarilho tira de seu grande saco de plástico uns pães, um litro grande de água e faz sua refeição e, o cachorro latindo.
Cai à noite e o andarilho dorme ouvindo aqueles latidos impertinentes daquele cachorro. Acorda de madrugada com uma forte tempestade de chuva e, não se conforma com a cena que vê: o cachorro, ao invés de se abrigar em sua casinha, molha-se todo na chuva e continua latindo. “Uma curiosidade: será que enquanto durmo, esse bicho também dorme?” – Pensa o andarilho.
A tempestade de chuva passa e o andarilho todo molhado volta a dormir e o cachorro latindo. Acorda com um lindo dia de sol, faz sua refeição e, o cachorro latindo que, também faz uma pausa para comer e beber e, depois volta a latir.
Passam dias e algumas semanas e, a ração e água daquele cachorro acabam e, mesmo assim, ele continua latindo. A água do andarilho também acaba e ele tinha apenas um único pãozinho duro e acaba dividindo com aquele cachorro que come com raiva e depois volta a latir. “Mal agradecido. Sua raiva é maior que sua fome”. – pensa o andarilho.
O andarilho é picado por um escorpião e não consegue levantar-se do chão devido a muita dor. Ele queria achar alimento nas redondezas para si e também para aquele cachorro que não parava de latir. Sentiu fortes dores de cabeça, febre muito alta e dormiu ouvindo de longe os latidos daquele cachorro.
O andarilho morre e morre também aquele cachorro. Não se sabe até hoje qual dos dois morreu primeiro.
Um ano depois, o dono daquela casa chega e, já esperava, é claro, não encontrar Rex, seu cachorro vivo. Dobra seus joelhos diante da caveira de Rex e chora muito.




- Perdoe-me, meu melhor amigo. Estive preso em outro país e, não teve como eu voltar antes.
Minutos depois, o sujeito olha para aquela árvore e, bem debaixo dela, vê uma caveira. Chega próximo dela.
- Seria homem ou seria mulher esta praga? Quem sabe não foi este monstro que matou meu cachorro. Movido de pura raiva, aquele sujeito pega um machado e dá várias machadadas sobre a caveira do andarilho, destruindo-a de vez para sempre.

A raiva é o pior de todos os sentimentos que um ser humano ou animal possa ter no percurso de suas vidas. Viver com raiva é como morrer na dor e, não existe dor que seja maior do que a raiva, aquela que destrói tudo por dentro causando grandes moléstias e intenso sofrimento. Nossas vidas são almas, nossas almas são glórias e glórias e, esta é mais uma das minhas histórias.


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terça-feira, 12 de agosto de 2014

AMOR DOENTIO


Francisco era um homem muito rico. Tinha terras espalhadas por todo o Brasil. Fazendeiro dos bons que enriqueceu importando e exportando café, soja, feijão, arroz, cana de açúcar e muito gado. Muito religioso também.
Francisco ficou viúvo de Ruth que morreu no parto da única filha do casal: Rita. Uma menina bonita, carinhosa, excepcionalmente inteligente. 
Cresceu aos mimos do pai. Aos 17 anos, muito estudiosa que era, com uma inteligência brilhante, já dominava cinco línguas.  Muitos rapazes desejavam namorá-la, mas, Rita não era chegada em romance e tinha aversão a sexo. Para ela, seu grande, verdadeiro e único amor era Francisco, seu pai, seu herói e melhor amigo.
Francisco freqüentemente aconselhava a filha:
- Minha querida, você ainda é jovem e muito bonita. Una-se com alguém. Têm muitos rapazes de boas famílias que te desejam. Dê-me ao menos um neto.
Rita sorria e lhe dizia:
- Não amo ninguém com exceção ao senhor, meu pai. Sei que este amor é diferente, porém, é o único que tenho.
Rita amava seu pai demais, ao ponto de vigiá-lo até mesmo quando ele dormia. Na ponta dos pés, ela entrava no quarto do pai, colocava sua mão sobre o coração dele para ter a certeza de que ele estava vivo.
Rita não era apegada a nada material. Não era vaidosa e também não tinha amigos. Sua maior paixão era a de ficar ao lado do pai que tanto amava.
Quem administrava os bens materiais de Francisco era Benedito, que, lamentavelmente morreu, vítima de uma congestão alimentar na grande casa da fazenda de Francisco, seu patrão. Francisco sentiu muito por isso e, nessas horas de dor, quem sofria com ele, era Rita, sua filha mimada.
Francisco adotou um cachorro de rua e, quem cuidava dele era Rita. Dava-lhe banhos, boa comida e especial carinho. Tudo isso por amar demais o seu pai que já estava velho.
Rex, o cachorro morreu intoxicado por algo diferente que comeu. Francisco caiu em depressão porque o amava demais. Rita consolava seu velho pai.
- Não quero lhe ver triste, meu pai. A vida é assim mesmo. Tudo tem o seu tempo.
Rita caiu em depressão e, o motivo desta era por via de seu pai. Temia muito em um dia perdê-lo.
O tempo passou e Francisco completou 100 anos de vida. Já estava velho demais e muito doente. Rita não confiava em ninguém para lhe dar medicamentos e cuidados especiais. Ela mesma era quem passava 24 horas ao seu lado. Presenteou o pai com um lindo terno de primeira, dizendo-lhe:
- Meu pai, hoje é o teu dia. Quero lhe vestir este terno e convidá-lo para um jantar especial.
O velho Francisco chora emocionado.
- Filha, antes de sairmos para jantar, preciso ir orar em meu quarto. Eu logo volto.
Enquanto o velho Francisco vai orar em seu quarto Rita toma um bom vinho italiano e acaba cochilando no sofá. Acorda com seu pai lhe chamando.
- Estou pronto minha filha. Vamos jantar?
Rita coloca seu velho pai em seu carro e sai em alta velocidade. Ela estava com um comportamento estranho e isso assustou o velho.
- Não corra tanto, minha filha. Isso é perigoso.
- Cale a boca, seu velho gagá! Quem conduz a sua vida agora sou eu. Desejei a sua morte desde quando era menina. Toda a sua fortuna agora é minha e de mais ninguém. Sou sua única herdeira e, por isso não quis me unir a ninguém. Tenho cinqüenta anos, a metade da sua idade e, ainda sinto-me jovem. Tenho a vida toda pela frente e, o senhor?
Rita para o carro bruscamente numa estrada deserta e arrasta o pai para um grande matagal. Havia entre as matas um profundo buraco, provavelmente feito por ela. Rita empurra seu pai para dentro daquele buraco, corre para o carro, abre o porta malas e pega uma grande pá e cobre todo o corpo do pai com terra.
- É difícil acreditar meu velho pai, mas, eu sempre te amei. Tive nojo de seus amigos, do maldito Benedito, daquele maldito cachorro. Eu mesma os matei. Nunca suportei ninguém que chegasse próximo de ti. Morra seu velho.
Rita volta para o seu carro e chora convulsivamente, depois vai para a casa da fazenda que agora era só sua. Não importava a ela se estivesse que esperar alguns anos para herdar a fortuna do pai. O corpo do velho nunca seria encontrado. Assim pensava ela.
Chegando a casa da fazenda, tudo o que mais queria era tomar um banho. Antes disso, tomar um bom vinho italiano é claro. Cochilou em lágrimas no sofá e acordou com seu velho pai lhe chamando. Mas, como?!
- Estou pronto minha filha. Vamos jantar?
Rita enlouqueceu nesta hora. Começou a gritar e a quebrar tudo à sua volta. Graças aos empregados da casa, foi socorrida até chegar à ambulância e levá-la para o hospital e, de lá, para o manicômio.
O velho Francisco faleceu aos 115 anos desejando profundamente ver a recuperação de sua única filha.

A vida é complexa demais para podermos defini-la. Ela sempre nos surpreende com bons ou maus acontecimentos. Os pais educam seus filhos para que estes tenham um futuro melhor, porém, nem sempre tais resultados são satisfatórios.
Como definir o amor que é tão complexo quanto à vida? De repente, podemos estar convivendo com um psicopata, um doente, um bandido. Boa conduta, bom comportamento, muitas vezes podem não significar nada.
Rita amava tanto seu pai ao ponto de idolatrá-lo e, pior do que isso, de querer este amor só para ela. Planejou mata-lo e, conscientemente o matou mesmo. Sua mente insana estava acreditando que era uma assassina. Felizmente, tudo não passou de um sonho.

Devemos amar a todos com um coração puro, com uma mente limpa. Sei que isso é muito difícil, porém, é só assim que teremos real vitória e poderemos dar e viver glórias e glórias e, esta é mais uma das minhas histórias.




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quarta-feira, 30 de julho de 2014

EM TUDO DAI GRAÇAS

A vida tem seus altos e baixos, porém, tem pessoas que, lamentavelmente, não vingam na vida. Tudo o que fazem da errado. 
Assim acontecia com Leonardo, um sujeito azarado demais. Teve oito filhos lindos e saudáveis, os quais morreram todos de uma só vez, vítimas de um ciclone.
Sempre nessas horas de intensa dor e sofrimento que Leonardo passava, vinha um velhinho em seu caminho (só Deus sabe de onde) para lhe consolar.
- Em tudo daí graças, amado Leonardo.
Leonardo com os olhos lacrimosos dizia:
- Como posso dar graças? Perdi meus oito filhos amados de uma só vez. Morreram todos.
- Mas, ainda tem sua mulher, amado Leonardo. Vocês são jovens, saudáveis e, a vida continua. Podem ter muitos outros filhos. Alegre-se. Deus recolheu seus oito filhos porque, sem dúvida, tinha um plano para com eles. Deus sabe o que faz. Em tudo daí graças.
Ester, a linda mulher de Leonardo a trai com outra mulher. Com a própria cunhada, ou seja: com Leonarda, irmã gêmea de Leonardo.
Leonardo chora muito, porque amava demais sua mulher Ester.

 E vinha aquele velhinho novamente em seu caminho lhe consolar.
- Em tudo daí graças, amado Leonardo.
- Como posso dar graças? Minha mulher traiu-me com minha própria irmã.
- Talvez, ela não era pra ser sua. Deus sabe o que faz. Em tudo daí graças.
Leonardo pagava aluguel da casa onde morava e, para sobreviver, tinha que trabalhar muito. Tudo bem que agora não tinha mais mulher e filhos para sustentar, mas, mesmo assim, tinha que dar um duro danado. Nem pão de mel cai do céu e, aluguel, é aluguel.

Leonardo trabalhava como pintor e, sucedeu que um dia, quando estava pintando a parede de um prédio por fora, de repente, um abutre defeca bem em cima de sua cabeça e ele se assusta. Pior do que isso: cai do décimo terceiro andar e, milagrosamente sobrevive. Fica em coma hos

pitalar entre a vida e a morte, porém, sobrevive. Dias depois, recebe a visita daquele velhinho.


- Em tudo daí graças, amado Leonardo.

Leonardo estava indignado demais.

- Como posso dar graças? Perdi minhas duas pernas e um braço. Estou internado aqui há três meses sem saber o que está acontecendo lá fora.

- Lá fora está tudo igual, amado. Não entendemos os desígnios de Deus, porém, creia: Ele quer sempre o melhor para nós. Você perdeu duas pernas e um braço, porém, Deus poupou a sua vida porque tem um plano com você. Alegre-se! Você ainda tem um braço, uma cabeça, um pescoço, uma bunda, etc., e está vivo, amado.

O velhinho vai embora e, Leonardo fica ali no leito hospitalar questionando com Deus, o porquê de estar sofrendo tanto assim.

Recebe a visita de um pastor político que lhe presenteia com uma cadeira de rodas. Leonardo só precisava assinar alguns papéis e, como ainda tinha um braço, fez isso e pronto. Ganhou a cadeira e, três dias depois, alta hospitalar e foi para casa. Casa? Que casa? Chegando lá, decepciona de vez: havia outros moradores.

Uma alagoana vem lhe atender no portão.

- Pois é, seu cadeirante, esta casa foi abandonada e, o proprietário gostou tanto de mim e de meus doze filhos que, por sinal, são todos trabalhadores que, encarecidamente, alugou para mim, que paguei um ano adiantado.

Leonardo fica preocupado.

- Peraí! E os meus móveis? As minhas coisas?

- Fiquei sabendo que, o proprietário doou tudo para um pastor político.

Leonardo só desejava morrer naquela hora. Desta vez, chora com ódio. Conduzindo sua cadeira de rodas, encontra pelo caminho, aquele velhinho.


- Em tudo daí graças, amado Leonardo.

Leonardo estava muito revoltado.

- Como posso dar graças, enviado de Deus ou do Diabo? Olhe só o estágio do estado que cheguei. Como se não bastasse, além de perder tudo, não tenho mais moradia.

- Alegre-se, amado. Ainda tem uma cadeira e, de rodas. Procure uma assistência social. Será bem recebido. Tomará um bom banho, um cafezinho quente e, amanhã descobrirá que o mundo é colorido como nos sonhos do nenê. Isso não é lindo?

Leonardo procura uma assistência social e, chega lá, todo defecado. Precisava urgentemente que alguém lhe desse uma assistência.

- Mocinha, acabei de defecar. Olhe só o meu estado. Você pode me ajudar?

Que azar! A mocinha chuta tão forte aquela cadeira de rodas que Leonardo cai dela.

- Sai pra lá, seu verme!

E nesse hora chove muito forte. Leonardo caído no chão, defecado e todo molhado, desejava morrer. Pior do que isso: um ladrão ainda rouba a sua cadeira de rodas.


E aquele velhinho aparece em seu caminho.

- Em tudo daí graças, amado Leonardo.

- Como posso dar graças? Olhe só o meu estado. Não tenho mais nada.

O velhinho lhe dá um guarda chuva.

- Agora tem um guarda chuva e pode segurá-lo porque tem um braço. Não seja tão pessimista, amado.

Leonardo com muito ódio da vida, segura aquele guarda chuva.

- O que mais me falta acontecer?

De repente, vem um caminhão em alta velocidade e, acontece um terrível acidente. O velhinho escapa porque da um pulinho de gato para trás, porém, Leonardo morre na hora e, da pior forma: Morre com o bico do guarda chuva espetado em seu reto para se ter uma ideia de quão terrível foi o acidente. Que morte horrível!


O velhinho misterioso chora e diz, olhando para o corpo esfacelado de Leonardo. 

Nem tudo na vida é engraçado, portanto, é desnecessário dar graças a tudo. Dar graça para a desgraça é como aceitar a derrota. É deteriorar a memória, dizendo tolices como ora que melhora e ficar dando glórias e glórias e, esta é mais uma das minhas histórias.



(HISTÓRIAS DA VELHA GLÓRIA 1)


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segunda-feira, 28 de julho de 2014

HORAS DE AFLIÇÃO



Meu nome é Jessé e, hoje confesso que passei os momentos, as horas de aflição mais tensas que uma pessoa possa imaginar.
Tudo começou numa balada funk onde cheguei totalmente embriagado de vinho e chapado de crack na cabeça. Não me lembro  ao certo das idiotices que lá falei para os meus colegas. Briguei com alguns rapazes, não me lembro por qual motivo e, quando dei por mim, eu estava caído e ensanguentado no banheiro daquele baile. Eu estava imóvel, não conseguia sequer, piscar meus olhos ou então mexer com um dos meus dedos das mãos ou dos pés. Estava ciente, podia ouvir nitidamente as pessoas falarem e o som alto do funk.
- Ele está morto. Foi assassinado.
Mas, eu não estava morto. Como explicar isso? Alguns homens seguranças daquele baile me recolheram do chão.
- É melhor que a polícia não saiba disso, se não, vai sobrar pra gente.
- Vamos nos livrar de seu corpo.
Que aflição! Eu queria poder dizer a eles que estava vivo. Pelos fundos daquele baile, havia uma porta que dava saída para o estacionamento. Jogaram-me no porta-malas de um carro e fiquei ali, creio que, por algumas horas. O carro começou a rodar e eu só ouvia risos e mal pude entender o que eles, (ou quanto eram eles) diziam. Depois de rodar por uns quarenta minutos (calculei) o carro parou. Eu estava gelado e duro, mas, vivo. Jogaram-me num rio, como se eu fosse um saco de lixo. Na queda, bati gravemente com minha cabeça e, ainda assim, eu continuava vivo, sem poder me mexer. Senti a água poluída daquele rio entrar em minhas narinas e boca e meus pulmões incharem pelo excesso de água e, finalmente, desejei a minha morte. Achei que meus pulmões iam estourar, mas, não foi isso o que aconteceu. Eu estava sobrevivendo a tudo aquilo, sem entender como. Senti bichos sobre o meu corpo, comendo a minha carne. Tudo aquilo me doía demais, mas, não era tão doloroso como a forte dor que eu sentia em minha cabeça. Perdi a noção do tempo. Escutei vozes, mas, não pude ver mais nada. Eu estava completamente cego, mas, pior que isso: vivo. Recolheram o meu corpo, levando-o para o Instituto Médico Legal e, lá me deixaram na geladeira. Logo meu corpo foi identificado pela minha mãe que chorava em desespero.
Não. Isso não poderia estar acontecendo comigo: meu corpo estava, horas depois, sendo velado. Ouvi muito choro da minha mãe, dos meus irmãos e entes queridos e, só queria ao menos, poder mexer um dos meus órgãos para chamar a atenção deles e perceberem que eu estava vivo. O caixão foi fechado e, eu não queria acreditar que aquilo estava acontecendo comigo. Não. Eu não estava morto. Fiquei asfixiado dentro daquele caixão e, aí sim, pensei que em questão de minutos eu iria apagar de vez. Isso não aconteceu. Eu continuava vivo. Entendi que aquilo era catalepsia, uma doença que deixa os membros moles, sem contrações. Provavelmente foi da minha intoxicação com álcool e drogas. Desceram meu caixão a sete palmos debaixo da terra e, adeus. Fui enterrado vivo. Quando o coveiro jogou a primeira pá de terra sobre o caixão, consegui mover meus dedos e, sucessivamente, cada órgão do meu corpo. Gritei muito alto, mas, ninguém pode me ouvir. Seria impossível eu sair dali daquele caixão lacrado, há sete palmos debaixo da terra. Lutei muito pela minha vida, mas, muito mesmo, porém, tudo foi em vão. Meu tempo acabou e, felizmente, não queria que fosse desta forma, mas, descansei de verdade.
Dizem que coração de mãe não se engana e, de fato, o coração da minha mãe não se enganou. Ela conseguiu convencer o coveiro para me desenterrar, porque pressentia que eu estava vivo. Já era tarde, mamãe! Quando meu caixão foi aberto, confesso que fiquei atemorizado: eu estava com um semblante agonizante. Minha mãe e todos que ali estavam puderam ver como debati dentro daquele caixão para sobreviver.


Ignore as drogas, caso tenha amor e respeito pela vida. Tudo o que ela é capaz de lhe oferecer é uma “vida ilusória repleta de sonhos mentirosos”. A vida de verdade tem um valor incalculável e infinito. Você, que é usuário de drogas só vai valorizar a vida quando perde-la como eu. Nem mesmo sei hoje onde estou, mas, eu desejaria estar aí em terra viva com todos aqueles que me amavam e eu os ignorava por via da maldita droga. Só se vive uma única vez. Pense nisso.


Postado por Marvin Di Capri
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BILHETINHO PREMIADO

Teba era um nordestino porreta, trabalhador, “pau pra toda a obra”.

 Casado com Tiba com quem tinha oito filhos. Pagava aluguel numa casinha feia num cortiço onde moravam mais umas doze famílias. Só havia um banheiro pra toda essa gente e, isso era um problema sério.
Teba era um excelente borracheiro e chegava a sua casa de segunda a sexta sempre as noitinhas. Tirava seus botinões de borracha e os urubus faziam campo de aviação no telhado de sua casa; pois, é! O sujeito tinha um chulé praga que deixava sua mulher e filhos dopados.
O grande sonho de Teba era ganhar na loteria para tirar sua família da boca da miséria. Tiba era doméstica do próprio lar e, por sinal, muito caprichosa. Deixava sua casa perfumadinha e com os panelões de arroz e feijão prontos para a chegada de Teba, que trazia sempre uma mistura diferente. Tiba e seus oito filhos pulavam feitos os cangurus tanta alegria. E olha que essa família comia, meus! 
Tuba era a cadela da família. Feia, magra feito uma cana, ficava em sua casinha no quintal e amarrada. A bichinha era bravinha. Latia a noite toda. Bastava o galo soltar um peido, e pronto. Latia tanto que acordava até as galinhas que costumam acordar cedo. Que cadelinha chata e mal educada, meus!
Teba jogava todos os dias na loteria na esperança de ganhar, é claro. Todas as noites, após tomar seu banho, ele sentava no sofá úmido, fedido, suado e velho e ficava conferindo suas apostas. Sua esposa Tiba estava cansada de ver tantos bilhetinhos de apostas espalhados pela casa e, protestava para o marido.
- Pare com isso, Teba! Todo tipo de jogo é do diabo! É tudo combinado. Pobre não ganha não.
Teba era fanho e, quando ficava nervoso, era difícil de entendê-lo.
- Fun fala festeira, fulhé! Fun fia feu fô fanha.
Talvez ele quisesse dizer: “Não fala besteira, mulher! Um dia eu vou ganhar”.
E Tiba ficava aperreada.
- Vai ganhar nada, filho de uma égua sem patas! Pense na conguinha da Julinha. A bichinha ta indo pra escola só de meias, por causa que nem uma porreta chineleta da fé, ela tem para calçar em seus pés.
Teba não parava de conferir as apostas.
- Fofê fun fabe Fo Fe fala, fulhé. Fun fia fou fanha fa foteria Fe famos fodos ficá ficos.
Talvez ele quisesse dizer: “Você não sabe o que fala mulher. Um dia vou ganhar na loteria e vamos todos ficar ricos”.
E Tiba ficava atentada.
- Vai ganhar nada, filho de brinquedo do cão! Pense na cueca de Jozéca. O coitado ta cagando na calça e a trouxa aqui lava...
De repente, opa! Vixi! Pra que segredos? Tem horas na vida que só uns peidos. Teba soltou logo uma peidorreira de primeira categoria de tanta alegria. Soltou até sua cadela. Ele e sua família pulavam feita pulga na bunda de gordo. Era alegria demais, Sô! Socou a coitada da geladeira velha que pifou na hora; chutou as panelas e mandou seu fogão pro espaço; o sofá ele deu pro vizinho Josafá que só gostava de sentar; de tanta alegria deu uma surra da peste em toda a sua família. Teba ficou louco, gente. No meio de toda aquela confusão, roupas, alimentos e objetos espalhados pelo chão, epa Jureba! Cadê o abençoado bilhetinho premiado? Teba ficou duplamente nervoso.
- Fo filhete fava faqui. Fonde foi Fe foi farar fele?
Talvez ele quisesse dizer: “O bilhete tava aqui. Onde foi que foi parar ele?”
E Tiba puxava seus próprios cabelos e dizia chorando.
- Eu não sei. Sei não eu. Não sei eu. Eu sei não. Sei eu não.
Teba estava quase tendo um infarto. Arregalou seus olhos gordos e, sua família e mais as dozes do cortiço ficaram em silêncio total. Todos ouviram um som tipo assim: “RESKROSKRASKRASGUE”.
Xiii!! A cadelinha Tuba brincando há horas com o bilhetinho que virou picadinhos. Teba pegou sua espingarda, deu três tiros pro alto e disse:
- Feu fou fatar fessa fadela.
De certo a cadela Tuba entendeu: “Eu vou matar essa cadela”. Tuba saiu numa correria da peste e Teba foi atrás.
Tiba, calmamente pega pedacinho por pedacinho daquele bilhetinho e cola, pacificamente, enquanto Teba corria atrás de Tuba. Não é que Tiba conseguiu colar bonitinho aquele bilhetinho, meus?! 
Foi receber o prêmio na Caixa Econômica e, o gerente lhe diz, com pena.
 


- Sinto muito, senhora! Não posso lhe pagar é nada por esse bilhete todo colado. A montagem da colagem ficou perfeita, mas, peraí! To vendo uns números aqui que não são os premiados. Este bilhete não é o premiado, minha senhora.
Ela ficou muito feliz com essa notícia. Voltou pra casa, deu um abraço em Teba que não parava de chorar e ela tentava consolá-lo.
- Marido lindo, não chore homem.
E Teba responde.
- Feu fão five foragem fe fatar Fuda. Fela fesma fulou fo fio. Fadinha! Ferá fe felá forreu fou fá fida?
Talvez ele quisesse dizer: “Eu não tive coragem de matar Tuba. Ela mesma pulou no rio. Tadinha! Será que ela morreu ou ta viva?”
E Tiba estava alegre demais.
- Deixa essa peste de cadela pra lá, homem! To pra dizer a maior: aquele bilhetinho que Tuba picou todos com os dentes não era o premiado. Fui até a Caixa Econômica e...
Teba soltou um peido emocionado.
- Fulhé! Famos frocurar fireito fesse filhete.
Acho que ele quis dizer: “Mulher! Vamos procurar direito esse bilhete”.
E reviraram toda a casinha e nada. Procuraram por tudo, menos no bolso da camisa de Teba. Ele mesmo foi quem achou. Estava tão fácil.
- Fa faqui, Fachei fo filhetinho fremiado.
Talvez ele quisesse dizer: “Ta aqui. Achei o bilhetinho premiado”.
Que final feliz teve Teba e sua família, gente! O cabra, inteligentemente, ganhou sozinho uma bolada acumulada da Mega Sena e, não queria ir muito longe não. Comprou o cortiço, fez mais uns banheiros, reformou sua casinha e continuou a morar lá.


E para alegria das crianças quem vinha lá, abanando o rabinho? Tuba. E pereba da muleka, Sô!





Postado por Marvin Di Capri


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