quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

UM VENDEDOR OTIMISTA



Alfino era um sujeito trabalhador, cabra da peste macho de verdade. Para alimentar sua mulher e seus 12 filhos, ele dava um duro danado. Era simpático, comunicativo e, se encaixava na profissão de vendedor. Saía todos os dias logo pela manhã nas cantadas do galo, com três sacos de panelas nas costas e ia para as vilas. Sua intenção era voltar para sua casa segurando os sacos nas mãos, porém, vazios, é claro.
Certa manhã, ele chega numa tal de Vila Esperança e, pelo número que viu de casas pensou que ia arrebentar de tanto vender. Tinha panela de pressão, panela pra fogão, enfim, todo tipo de panela. Bate palmas na primeira casa e logo já vem uma velhinha desdentada e sorridente lhe atender:
- Bom dia, Dona Maria! Mas, quanta alegria!
E ele tira dos sacos as variadas panelas e ali fica pelo menos uns quarenta minutos chamando, inclusive, a atenção das vizinhas e da maldita cachorrada. Por azar, ele não vende ali nem uma panela. Parece  que aquelas mulheres estavam literalmente falando “fodidas” mesmo. Alfino sai dali sorrindo, pula umas quatro ruas e, ainda não tem sorte: a maioria já tinha falado com ele lá de frente a casa da velha desdentada. Apertou a boca do estômago e lhe deu uma fome da peste. Ele estava durango, sem nem um real no bolso, mas, mesmo assim continuava otimista. Afinal, o dia estava só começando. Na primeira venda de uma panela, ele já comeria uma pratada. Naquela vila não havia sequer um armazém de secos e molhados e, quem diria um restaurante. Preocupado, ele suspira e peida, mas, continua otimista. Bate palmas numa casa e quem vem lhe atender era uma senhora gorda e mau humorada. Ele tenta se abrir com ela:
- Dona Maria, estou há horas aqui na vila e, infelizmente ainda não vendi nenhuma panela, mas...
E a gorda mau educada pergunta:
- E o que é que eu tenho com isso? O povo não quer saber de panela não, tio. Vá vender doriu que todo mundo compra, até eu. Estou com uma dor de cabeça dos diabos e o senhor me aparece aqui batendo panelas? Vá fazer essa batucada no inferno, homem da caverna.
 Não tinha como dialogar com aquela senhora e, ele parte para outra vizinha. Aquela vizinha pede-lhe umas informações precisas sobre as panelas e ele se anima. Pensou que aquela mulher estava com grana e iria lhe comprar mais de uma panela. E, ela com uma cara de bunda mal lavada diz para Alfino:
- Se eu tivesse dinheiro tio, eu já ia lhe comprar logo duas panelas quando tu fizestes a demonstração delas no portão daquela velha banguela. Eu estava lá também, lembra-se de mim? Lamento muito, mas estou sem um puto.
Alfino era otimista demais:
- Mas, eu lhe dou uma panela em troca de um prato de comida.
E aquela mulher sorri:
- Comida?! Estamos sem gás, tio. Só tem um bocadinho de farinha que eu vou dar pra minha nenenzinha.
Preocupado, Alfino pede licença, solta mais um peido e se retira daquelas redondezas, porque o povo estava realmente numa dureza da peste. Chegou ao topo da vila e, teve problemas com os cachorros e cadelas que lhe morderam até sua bunda. Ele estava com muita fome e, para acabar de danar tudo começa a chover e ele se molha muito porque nem sequer uma marquise havia por ali. Ainda otimista, junta todas as suas forças e solta mais um peido e diz para si mesmo: “To nas tuas mãos, meu Deus”. Bate palmas numa casinha humilde e o velho o manda entrar. Conta para aquele velho sua história e, sem querer, faz o velho chorar.
- Meu filho, tu és um cabra da peste de norte a sul, de leste a oeste e, preste bem atenção no que vou lhe dizer e, para você entender e crer, aprender a lição desse velho irmão que de antemão sofreu tribulação, mendigou casquinha e farelo de pão por este mundo cão, passando fome em vão, desejando comer arroz e feijão, comeu até poeira do chão até que chegou grande dia para mim de muita alegria: construí minha família, tive filhos e filhas, grandes maravilhas, tive João, José e Maria.
As lombrigas de Alfino estavam de fato revoltadas. Entraram numa luta corporal dentro dele que só a peste e, não teve outro jeito: Alfino precisava comer.
- Meu senhor, eu precisava comer qualquer coisa.
O velho dá uma escarrada e o catarro sem querer cai por inteiro num panelão de sopa de fubá que estava destampado. O velho não percebeu, mas Alfino sim.
- Meu filho, vou esquentar esse sopão,  tu vai sair daqui convertido em meu irmão e...
Alfino muda de ideia:
- Sinto muito, meu senhor, mas, antes de eu comer, preciso mesmo é ir embora agora. Minha mulher e filhos me esperam e...
- O que é isso, cabra da peste? Será uma desfeita que tu estará fazendo pra mim e para Alá se não comer da minha sopa de fubá.
Foi difícil Alfino se livrar daquele velho, mas ele conseguiu.
O dia já estava terminando e ele não tinha sequer nem o dinheiro para pegar uma condução para ir embora para a sua casa. Da um saco de panelas para o motorista e sai daquela vila feliz prometendo pra si mesmo nunca mais voltar nela. Chega à cidade e lembra que precisa comprar mantimentos para levar para sua mulher e filhos. Além de ter que comprar arroz e feijão precisava pegar mais uma condução. Preocupado, suspira e solta mais um peido, mas continua otimista. Conversa com vários gerentes de mercados e consegue convencer um deles que, em troca de dois sacos de panelas lhe dá um quilo de arroz, um quilo de feijão e mais um dinheiro para a sua condução. Ele sai dali tão feliz que não tinha outro jeito: solta mais um peido.
Chega a sua casa finalmente. Sua mulher e seus doze filhos estavam no portão lhe esperando. Pensaram, é claro, que ele iria trazer para casa bastante alimentos e não apenas um quilinho de arroz e outro de feijão. Sua mulher e seus doze filhos e até mesmo o cachorro magro entram num conflito familiar dos diabos. Quem teve que escolher o feijão e cozinhá-lo foi Alfino. Sua mulher e filhos e, até o cachorro magro abandonaram ele que,  otimista, escolhia o feijão.
Opa! Dessa vez ele solta rajadas de peidos multiplicativos. Encontra dentro daquele saco de feijão um milhão. Sim, um milhão de reais ele encontra ali. Sai pra fora gritando feito um louco querendo ver sua mulher e filhos:
- Estamos ricos! Estamos ricos!
Porém, sua família e até mesmo aquele cachorro magro já estavam longe.
Alfino feliz, escolhe o arroz e, opa! Dentro daquele saco de arroz encontra mais um milhão. Dessa vez ele se caga todo e diz para si mesmo: “Amanhã, comprarei com esses dois milhões tudo em panelas”.




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UM CAIPIRA HONESTÍSSIMO


Perinildo era um sujeito trabalhador e honesto demais. Era analfabeto por completo. Amava sua esposa Perereba e seus doze filhos.
Perenildo morava num barraco bem no pico de uma montanha, no sertão do Piauí. Era difícil chegar lá, viu? Às vezes, quando ele vinha do trabalho, cansado, contando os minutos para chegar a seu barraco, tropeçava numa pedrinha ou numa minhoca e escorregava montanha abaixo. O coitado já estava todo quebrado e, ainda assim, trabalhava de roçador de jardins.
Certa vez, uma linda mulher bateu na porta de seu barraco. Nem Freud conseguiria explicar como é que aquela deusa de sapatos de saltos altos conseguiu chegar lá. Ela era mesma: Madonna. Ele, com toda a sua humildade, não sabia da fama daquela mulher e muito menos, quem era ela, diz:
- Pode entrar moça. Agora que entrou, pode sentar. Agora que sentou, aceita tomar uma xícara de café?
E Madonna, linda e exuberante, fica admirada de ver o número daquela grande família de Perinildo. Ela toma o cafezinho e ainda pede um bolinho.
- Yes, I do. I Love you. Tem bolinho de fubá?
E Perenildo responde:
- Não tem. Mas, minha velha vai fazer agora.
E Perenildo lasca um tapaço no ouvido da velha Perereba e diz:
- Vá ao galinheiro e pegue uns ovos antes que nasçam pintos e, faça bolinhos de fubá para a dona Xuxa.
Madonna protesta:
- Yes, I do. I Love you. Eu não ser Xuxa. Eu ser Madonna.
- Pois é dona, além de cafezinho e dos bolinhos de fubá, o que trouxe vosmecê prá cá?
- Yes, I do. I Love you. Eu querer contratar o senhor para roçar my garden in Boston.
Perenildo fica bravo.
- Não roço galho e muito menos, bosta.
- Yes, I do, ou seja: Yes, I not. Eu não dizer galho e sim garden, jardim, entender? Boston fica em Massachussets, Estados Unidos, onde eu morar.
Danou-se tudo. Foi aí que Perenildo ficou confuso de vez.
- Coma bolinhos de fubá, dona. Deve estar com muita fome.
E Madonna come uns oito bolinhos de fubá e toma algumas xícaras de café.
- Yes, I do. I Love you. Onde ficar toilet?
- Quer chiclete?
- No, I not. Eu querer WC.
- Sim, aqui é o Piauí.
- No, I not. Onde ficar banheiro?
- Aqui nós toma banho de canequinha, dona. Tem uma privadinha ali, ó.
Vixi! Sabem aquela privada que tem um buraco? Bem diferente de um vaso sanitário, sabem? Mas, Madonna não se importou. Afinal, ela queria contratar Perenildo para roçar um de seus jardins nos states, só isso. Assim que saiu da privada, ela volta a conversar com Perenildo.
- Yes, I do. I Love you. Quanto eu pagar para o senhor roçar meu jardim?
Perenildo era simples demais, gente.
- Bem roçadinho eu cobro “vinte reais”.
Madonna sorri.
- Yes, I do. I Love you. O senhor ser muito engraçado. Semana que vem passarei aqui com meu jatinho e voaremos até o Rio de Janeiro e, de lá para os Estados Unidos. Mandarei Jesus, cuidar de seu passaporte, ok?
Perenildo não entendeu foi nada. Assim que Madonna partiu de seu barraco, os filhos explicaram detalhadamente para o pai do que se tratava.
Jesus, o homem de Madonna, aparece lá no pico da montanha no dia seguinte e leva Perenildo para dar um passeio. Vixi! Comprou pro velho até um sapato vulcabras. Tirou uns documentos assim tão rápido, como quem tira piolho da cabeça da nenê, já que no Brasil, o que manda é o dinheiro e, sendo verde, melhor ainda.
Uma semana depois, Perenildo vai pra Boston. Cagou-se todo no interior do avião e, a aeromoça teve que lhe dar uma cabaçada de pau para que ele desmaiasse e só acordasse chegando lá no destino.
Mas, correu tudo bem. Perenildo conheceu uma das mansões da rainha Madonna e nunca viu tanto luxo antes. Roçou seu jardim enquanto ela foi fazer seus shows. Quando ela chegou, ficou tão admirada com o trabalho feito por Perenildo que, nossa!
- Yes, I do. I Love you. Eu pagarei pelo teu trabalho em tesouros de ouro e diamante, ok?
Perenildo não gostou.
- Dona, não me enrola não que isso fica feio pra senhora. Eu quero “vinte reais” pelo que combinamos lá no Brasil.
Madonna sorri:
- Yes, I do. I Love you. O senhor realmente é muito engraçado. Tem ideia de quanto está avaliado este tesouro?  Isto vale mais do que cem milhões de dólares, meu senhor.
Perenildo coça a cabeça, não entende nada.
- Eu quero somente os vinte reais, dona.
Madonna lhe paga vinte dólares e ele protesta.
- Esse dinheiro verde pra mim não vale nada. Eu quero ver meus conterrâneos nas notinhas. Pode ser duas de dez, quatro de cinco, ou uma de vinte.
Madonna tira da boceta (pequena bolsa), uma nota de vinte reais e entrega para Perenildo, que fica muito feliz. Pede para Jesus levá-lo até o aeroporto e adeus. O velho volta para o Brasil com vinte reais no bolso. Passa na vendinha do Bilú e compra umas misturinhas para levar pro barraco e boa. E aquele ignorante, em seu barraco, reúne sua família e diz:
- Estão vendo como é que eu sou um cabra inteligente?  Aquela mulher queria me enrolar com tal de tesourinho que na vendinha do Bilú se compra por 1.99; depois, veio com umas notinhas verdes, que com certeza, seus filhinhos pintaram. Ah! Ah! Pra enganar o velho aqui, é difícil, viu sô?
E assim, Perenildo e sua grande família ficaram morando lá no pico da montanha do sertão piauiense e foram felizes para sempre.


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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

FALA FINA



Napoleão era um homenzarrão. Tinha 2 m  de altura, corpo musculoso de halterofilista; boa pinta que calavam até mesmo as cadelas, por onde ele passava. Olhos tão verdes feito o jardim de Madonna. O homem tinha quarenta anos, mas, aparentava ter vinte. O cabra era bonito demais, sô!
Anita era uma mulher muito rica e bonita. Qualquer homem que ela quisesse tinha debaixo da sola dos seus pés, porém, ela queria fazer a escolha certa. Não importava se o cabra fosse pobre, porque ela lhe daria do bom e do melhor, caso gostasse dele. Ela, solteirona, trinta e cinco anos, saudável, cheia de vida, virgem, estava pronta para se entregar ao homem da sua vida.
Napoleão e Anita se conheceram pela internet. “Jesus, que glórias!” Quando Anita viu a foto do perfil de Napoleão, por pouco não estourou seu computador a porradas. A emoção foi forte.
- É ele! É ele!
Quando ela viu outras fotos loqueou de vez. “Que homem lindo, Jeová Giré dos giros, gerações e girassóis!”
Napoleão morava em Manaus, no Amazonas e, Anita em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Era um pouquinho longe, porém, pra quem tinha dinheiro, era só um pulinho. Iniciaram um romance só trocando ideias e ideais pela internet. Só nos dígitos, Nenê. E Napoleão escrevia versos, poemas dos mais lindos. “Que homem romântico, pico do picolé que, agora tenho em meus pés”. E ficavam namorando pela internet até altas horas da noite e, isso, era direto. Casaram-se via internet. O padre foi o Google e, as milhares de testemunhas foram os internautas.
Que sorte a de Napoleão, sô! O camarada estava desempregado há dez anos e quem lhe sustentava era a velha Minâncora, sua avó. Agora, graças à bem sucedida na vida, Anita, Napoleão estava em boas mãos.
Chega de dígitos, Nenê. Agora era bater pra valer. Anita pegou um avião com destino a felicidade. Seu amor, seu marido Napoleão Espada estava aguardando-a no aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus.
De longe, ainda no alto, Anita, por pouco, não se enfartou, pois, podia ver Napoleão e, enfim, o amor é lindo. No que o avião aterrissa, ela é a primeira a sair e corre para abraçar Napoleão, o homenzarrão da sua vida. Foi lindo de ver o encontro excepcional do casal apaixonado. Internautas do mundo inteiro estavam lá filmando tudo. Ué, o que houve, minha couve? Notaram certa decepção no semblante de Anita. Napoleão foi o primeiro a lhe perguntar:
- O que houve, meu amor? Será o calor de Manaus? Está passando mal? Aqui tem hospital.
Anita ficou decepcionada com a voz fina, de gralha e, também híper delicada do marido. Não disse isso a ele para não magoá-lo, porém, não gostou nem um pouco daquela voz tão fina feita uma veia. Quem diria, Maria? E agora, Aurora? Que o amor seja benvindo. Isso não é lindo?
Anita ficava envergonhada cada vez que seu marido falava. Cair fora agora não seria tão fácil assim. Suas amigas lhe deram bons conselhos.
- Anita, você se casou com ele e, não com a voz dele.
- Não perca esse super homem, bobinha. O importante é o calor do amor debaixo dos lençóis. Já fez amor com ele?
Anita pensou bem e chegou à conclusão de que ser casada com um fala fina não seria algo assim tão ruim na vida. Finalmente, a noite de núpcias. Anita o levou no motel mais chique de Manaus e, notou que ele estava preocupado. Ué, gente! Será que ele era impotente? Anita abraça o maridão fala finão e o pergunta:
- Algo te aborrece, amor?
Napoleão, muito triste, despe-se e diz:
- Nem sei como lhe dizer isso amor. Não tenho pênis.
O que?! Pode parar! Anita até que ficaria com ele por ter fala fina, mas, sem pênis, entorta a colher da sopa, meu! Por que ele não jogou limpo com ela desde o início?
Anita, muito educada tem um diálogo sério com Napoleão.
- Napoleão, sinto muito mesmo, mas, podemos ser simplesmente bons amigos, porém, marido e mulher, neneca, boneca.
Napoleão faz cara de choro.
- Só por que não tenho pênis, amor?
- É que fica assim tão diferente, entende? Toda mulher deseja ser preenchida e...
- Mas, existem pênis de silicone, amor. Inclusive eu tenho um.
Anita fica brava.
- Eu não quero nada artificial, caramba! Sou natural e adoro coisas naturais. Darei-te um bom dinheiro pra você ser feliz, porque sei que você é um homem caído, azarado e fodido.
Napoleão chorava igual nenenzinho etíope. Anita fez um checão no valor de um milhão e, boa. Deixou-o no criado-mudo, ao lado da cama. Saiu daquela suíte do motel, sem olhar para trás. Quando Napoleão olha o valor do cheque tem na hora um piripileque. Liga para Braulião, com quem tinha um caso:


- Amor, tenho um checão em mãos no valor de um milhão. Que tal fazermos um “love” agora?
Xii! Olha que fria Anita ia entrar, gente! O “Fala Fina” gostava de um Braulião, sô!



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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

UM CARA CHATO



Pensem num cara chato. Mas, pensem num cara chato mesmo. Aquele que, a natureza humana ainda não conseguiu desvendar o “por que” de sua existência. Um ser que vive por acaso, sabem? Uma criatura que não se toca que já foi tocado, empurrado pela vida. Um personagem capaz de assustar e botar pra correr a própria morte; uma figura impertinente, sem nexo.
Setubaldino era um homem irritante demais, sô! Vivia dando uma de palhaço para chamar a atenção das pessoas, arrancar risos delas, porém, nunca conseguiu isso.
Gente que fala demais irrita. Setubaldino falava até mesmo quando defecava. Desde nenenzinho, quando descobriu o poder da língua, lascou-se tudo. E o sujeito tinha a língua presa, sua voz suava assim com um “s”, e era muito irritante de ouvir.
Bobin era um cachorro bravo que morava bem ao lado da casa de Setubaldino. O cão babava de tanta raiva quando Setubaldino o irritava.
- Cas-sorinho querido, por que late tanto, mocinho? Estou as-sando que tu queres um ossinho. Queres um ossinho? Deis-as o titio ver se tem aqui em minha bolsa um ossinho pro mocinho.
E Bobin parava de latir na hora. Ficava com as orelhas em pé e nem sequer piscava os olhos, enquanto Setubaldino mexia na bolsa.
- Síí! Titio não as-sou ossinho, au, au! Mas, tem halls. Quer halls? Tem halls. Quer halls?
E Bobin babava, mordia o portão de tanto ódio desse cara. Pra que irritar o cachorrinho, sua praga?
Por milagre do destino, Setubaldino arrumou uma namorada. Coitada da menina! Aninha devia estar muito carente ou com chulé cerebral quando se uniu com um cara infernal feito Setubaldino. Caracas, meu! Aninha era bonita demais. Surgiu um comentário de que ela caiu de um prédio de vinte andares, bateu a cabeça, mas, sobreviveu.
Num domingo, Setubaldino levou Aninha ao cinema e, no caminho, como sempre, não parava de falar.
- Amor, esse filme que vamos ver, eu já vi doze vezes. O cara mata sua mulher no final e, ela, em espírito e em verdade volta para vingar sua morte. Ele já havia se casado com a irmã dela, que na verdade, era irmã dele, filha do padrasto dela, entendeu?
Que cara chato, gente! Era véspera de Natal e, Setubaldino presenteia Aninha.
- O que será que tem, hein? Uma dica: Com ele você pode falar por tempo ilimitado gastando apenas vinte e cinco centavos. O que será que é, hein? Você tem que adivinhar para ganhar.
E Aninha, muito feliz diz:
- É um gravadorzinho.
Setubaldino ri feito um retardado.
- He! He! Não é! Não é! O que será que é? É um ce... é um ce...
- Um sebo de carneiro.
- Não é! Não é! O que será que é? É um ce... é um ce...
- É um Setubaldino bonequinho.
- Não é! Não é! O que será que é? É um celu... é um celu...
- É um Celulari Edson.
E de tanto o retardado de Setubaldino ficar balançando aquela caixinha, cai no chão e quebra.
- Quebrou amor, porque você não acertou.
E Aninha abre a caixinha e diz chorando.
- Eu sabia que era um celular desde o princípio. Agora quebrou, danou.
- Danou nada. Darei-lhe outro se casares comigo agora.
Setubaldino e Aninha se casaram numa igreja evangélica. O pastor ganhou um troco legal desse chato, pra o deixar fazer uma declaração de amor para Aninha, no microfone.
- Alô, som. Atenção, som. Amor, I love you é pouco, Marisa. Darei à minha amada muito mais do que o céu, Roberto. Darei o céu, o mar, o chun, chun, chun, o chá, chá, chá...
E bem naquele momento, assim prega a história, cai um meteoro da paixão naquela igreja e o baque foi tão forte que não sobrou ninguém. Matou todos.
Setubaldino acordou no inferno vendo o Diabo e sua equipe de demônios chupando sorvete de fogo e enxofre, mas, ficou assustado de vez quando viu vindo em sua direção Bobin, aquele cachorro, lembram? E Bobin babava de tanta raiva e dizia:
- Agora eu te pego, demônio!
Vixi! Sai dessa agora, Setubaldino. Corra porque o bicho te pega, sua praga.

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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

DOUTOR BOA ESTATÍSTICAS


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maio de 2008 – dezembro de 2012 AgoraDiaSemanaMêsTudo

 

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DEUS E LÚCIFER



O Sétimo Céu é formado pela Luz Divina, cuja descrição está acima da língua humana é reservado para Deus e a mais alta hierarquia dos Anjos, os chamados Ministros de Deus. Neste Sétimo Céu, também residia Lúcifer, esposa do Altíssimo, dotada de uma beleza fenomenal, de muita luz esplêndida.
Deus criava os céus abaixo do céu de sua morada, enquanto Lúcifer, Ministra do Louvor Celestial, regia o maior coral dos anjos existente no céu.
Quando os céus e a terra, enfim, foram criados, Deus chamou Lúcifer para mostrar sua criação.
- Eis que tenho criado o Universo, Lúcifer. Pressinto que serei traído por grande parte dela.
Lúcifer diz:
- O amor não pode ser traído, pois, é a única coisa que “ele” não perdoa. Lembre-se que até o mal fostes tu que o criastes.
Deus abraça Lúcifer.
- Façamos o homem a nossa imagem; a nossa semelhança.
E assim, o homem foi criado, ou seja: macho e fêmea os criou.
Deus, dotado do grande amor Ágape, notou que o homem, sentia-se só no Éden, um grande jardim paradisíaco implantado na terra.
- Farei para o homem uma companheira.
Deus fez com que o homem caísse num profundo sono, tirou uma de suas costelas e, desta, criou a mulher.
Deus promoveu Lúcifer, que recebeu o nobre título de “Querubim”, cuja função era guardar a porta do santuário, onde está o trono de Deus. Lúcifer deixara um sentimento de orgulho invadi-la, até penetrar seu coração, antes tão puro e perfeito, tão sublime diante de Deus. Lúcifer começou a desejar ser adorada assim como o próprio Deus o era entre os anjos do céu. Logo, ela, olhando para dentro da sala, na qual estava o Trono de Deus, sentiu desejo de ter um trono também, semelhante aquele lindo Trono que estava sob sua proteção. E Lúcifer começou a planejar como se elevaria acima das mais altas nuvens. Começara um grande conflito no Reino Celeste. Deus, cujas obras são magníficas, só Ele possui ao mesmo tempo onisciência, onipresença, onipotência, sentiu-se profundamente traído por aquela que Ele  mesmo havia criado, com todo amor e carinho.
Havia na terra, bem no seio do Jardim do Éden, duas árvores diferentes de todas as outras. Uma delas, era a Árvore da Vida e, a outra era a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, de cujo fruto, jamais, Adão e Eva, poderiam tocar. Deus dissera:
- Só terei certeza de que, realmente, o homem me ama, se este me obedecer. Não é necessário que ele conheça o mal, pois, não terá domínio suficiente para suportar a vida e, em pouco tempo, fará da terra uma maldição.
Deus desce a terra e passeia pelo grande jardim, contemplando todas as maravilhas que criou, porém, estava entristecido com Lúcifer, que o traíra. Quando Deus a viu sentada em seu trono disse-lhe:
- Levante-se do meu trono, Lúcifer.
Lúcifer ficou indignada.
- Por que só tu, altíssimo, és digno de ser adorado? Criastes Serafins, Querubins, Tronos, Dominações, Potências, Virtudes, Principados, Potestades, Arcanjos e Anjos unicamente para te adorarem? Expulsas a mim de sua morada, mas, levarei comigo a terça parte de toda a hierarquia angelical porque me adoram. Tudo o que criastes é duvidoso aos teus olhos? Aquela serpente que está no Éden é tão astuta feita eu e, vou precisar dela, para desvendar para aquele casal a verdade sobre a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. Não vou enganá-los. Simplesmente direi que, se comerem do fruto proibido por ti, serão como Tu és e, como também sou, conhecedores do bem e do mal.
E assim, Lúcifer usou a serpente e, até nos dias de hoje, o mundo jaz no maligno.



domingo, 9 de dezembro de 2012

PERGUNTAS TOLAS, RESPOSTAS BOAS




Um sujeito chega numa confeitaria, tomas umas três xícaras de café, come uns pudins e, antes de pagar a conta, pergunta para uma das garçonetes:
- Por gentileza, onde é o banheiro?
A garçonete pergunta.
- O senhor quer fazer o que no banheiro?
E o sujeito responde:
- Soltar uns peidos, defecar e urinar, ou seja: cagar e mijar.

Bem na hora que o padre está celebrando a missa, faz-se um silêncio total na igreja e, todos podem ouvir um peido volumoso e com ecos. O padre pergunta:
- Quem peidou?
E um sujeito levanta a mão e diz:
- Fui eu padre.
E o padre pergunta.
- Por que soltou um peido, meu filho?
E o sujeito responde:
- Soltei pra ele brincar um pouquinho, padre. Difícil vai ser ele voltar.

Um molequinho curioso pergunta para a sua mãe.
- Mamãe, por que é que a gente tem que mijar e cagar?
E a mãe responde:
- Porque se não, o mijo e a bosta fede dentro da gente.