sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

FALA FINA



Napoleão era um homenzarrão. Tinha 2 m  de altura, corpo musculoso de halterofilista; boa pinta que calavam até mesmo as cadelas, por onde ele passava. Olhos tão verdes feito o jardim de Madonna. O homem tinha quarenta anos, mas, aparentava ter vinte. O cabra era bonito demais, sô!
Anita era uma mulher muito rica e bonita. Qualquer homem que ela quisesse tinha debaixo da sola dos seus pés, porém, ela queria fazer a escolha certa. Não importava se o cabra fosse pobre, porque ela lhe daria do bom e do melhor, caso gostasse dele. Ela, solteirona, trinta e cinco anos, saudável, cheia de vida, virgem, estava pronta para se entregar ao homem da sua vida.
Napoleão e Anita se conheceram pela internet. “Jesus, que glórias!” Quando Anita viu a foto do perfil de Napoleão, por pouco não estourou seu computador a porradas. A emoção foi forte.
- É ele! É ele!
Quando ela viu outras fotos loqueou de vez. “Que homem lindo, Jeová Giré dos giros, gerações e girassóis!”
Napoleão morava em Manaus, no Amazonas e, Anita em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Era um pouquinho longe, porém, pra quem tinha dinheiro, era só um pulinho. Iniciaram um romance só trocando ideias e ideais pela internet. Só nos dígitos, Nenê. E Napoleão escrevia versos, poemas dos mais lindos. “Que homem romântico, pico do picolé que, agora tenho em meus pés”. E ficavam namorando pela internet até altas horas da noite e, isso, era direto. Casaram-se via internet. O padre foi o Google e, as milhares de testemunhas foram os internautas.
Que sorte a de Napoleão, sô! O camarada estava desempregado há dez anos e quem lhe sustentava era a velha Minâncora, sua avó. Agora, graças à bem sucedida na vida, Anita, Napoleão estava em boas mãos.
Chega de dígitos, Nenê. Agora era bater pra valer. Anita pegou um avião com destino a felicidade. Seu amor, seu marido Napoleão Espada estava aguardando-a no aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus.
De longe, ainda no alto, Anita, por pouco, não se enfartou, pois, podia ver Napoleão e, enfim, o amor é lindo. No que o avião aterrissa, ela é a primeira a sair e corre para abraçar Napoleão, o homenzarrão da sua vida. Foi lindo de ver o encontro excepcional do casal apaixonado. Internautas do mundo inteiro estavam lá filmando tudo. Ué, o que houve, minha couve? Notaram certa decepção no semblante de Anita. Napoleão foi o primeiro a lhe perguntar:
- O que houve, meu amor? Será o calor de Manaus? Está passando mal? Aqui tem hospital.
Anita ficou decepcionada com a voz fina, de gralha e, também hiper delicada do marido. Não disse isso a ele para não magoá-lo, porém, não gostou nem um pouco daquela voz tão fina feita uma veia. Quem diria, Maria? E agora, Aurora? Que o amor seja bem vindo. Isso não é lindo?
Anita ficava envergonhada cada vez que seu marido falava. Cair fora agora não seria tão fácil assim. Suas amigas lhe deram bons conselhos.
- Anita, você se casou com ele e, não com a voz dele.
- Não perca esse super homem, bobinha. O importante é o calor do amor debaixo dos lençóis. Já fez amor com ele?
Anita pensou bem e chegou à conclusão de que ser casada com um fala fina não seria algo assim tão ruim na vida. Finalmente, a noite de núpcias. Anita o levou no motel mais chique de Manaus e, notou que ele estava preocupado. Ué, gente! Será que ele era impotente? Anita abraça o maridão fala finão e pergunta:
- Algo te aborrece, amor?
Napoleão, muito triste, despe-se e diz:
- Nem sei como lhe dizer isso amor. Não tenho pênis.
O que?! Pode parar! Anita até que ficaria com ele por ter fala fina, mas, sem pênis, entorta a colher da sopa, meu! Por que ele não jogou limpo com ela desde o início?
Anita, muito educada tem um diálogo sério com Napoleão.
- Napoleão, sinto muito mesmo, mas, podemos ser simplesmente bons amigos, porém, marido e mulher, neneca, boneca.
Napoleão faz cara de choro.
- Só por que não tenho pênis, amor?
- É que fica assim tão diferente, entende? Toda mulher deseja ser preenchida e...
- Mas, existem pênis de silicone, amor. Inclusive eu tenho um.
Anita fica brava.
- Eu não quero nada artificial, caramba! Sou natural e adoro coisas naturais. Darei-te um bom dinheiro pra você ser feliz, porque sei que você é um homem caído, azarado e fodido.

Napoleão chorava igual nenenzinho etíope. Anita fez um checão no valor de um milhão e, boa. Deixou-o no criado-mudo, ao lado da cama. Saiu daquela suíte do motel, sem olhar para trás. Quando Napoleão olha o valor do cheque tem na hora um piripileque. Liga para Braulião, com quem tinha um caso:
- Amor, tenho um checão em mãos no valor de um milhão. Que tal fazermos um“love” agora?
Xii! Olha que fria Anita ia entrar, gente! O“Fala Fina” gostava de um Braulião, sô!



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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

SILÊNCIO!


Florêncio era um velho que adorava silêncio. Na verdade, ele era chato demais, sô! Bastava o velho ouvir um peido do galo, já pegava sua espingarda e atirava matando todo o galinheiro.
O velho Florêncio morava na última casinha de um cortiço. Vixi! Só naquele corredor moravam doze famílias, contando com ele (que morava sozinho) eram dezesseis.
Aleluia era uma crente fanática religiosa que morava de parede e meia com o velho Florêncio. A mulher não tinha televisão nem rádio, não tinha marido nem filhos, mas, fazia uma festa de glórias em seu barraco que provocava até mesmo o sono tranquilo dos cachorrinhos. Ela gritava, pulava, batia palmas feita uma doida, sô!
- Glórias e glórias e glórias! Aleluias, aleluias e aleluias!
O que?! O velho Florêncio carregava sua espingarda e enchia de tiros na porta da crente e ela gritava mais alto ainda:
- Glórias e glórias e glórias! Aleluias, aleluias e aleluias!
O velho Florêncio ficou tão louco que encheu a boca de Aleluia de tiros.
- Vá dar glórias e aleluias nos infernos, sua coceira de reto.
Numa das casas daquele cortiço, morava um casal de surdos mudos. Pense no barulho que promoviam estes seres quando fazia amor, sô!
- Hum! Hiããã!
- Hiããã! Hum!
Era um arrastar de cama, barulho de palmas dos diabos.
O que?! O velho Florêncio cansou de dar tiros na porta do barraco deles, porém, eles nada ouviam. Não teve outro jeito: o velho Florêncio teve que matar aqueles pombinhos também. Coitadinhos!
Quando o silêncio parecia reinar naquele cortiço, o velho Florêncio ouve uma corrida de gatos e uma miaceira no telhado do seu barraco.
- Miau! Miau!
O que?! O velho descarrega sua espingarda dando vários tiros no telhado. Não matou nem um gato, porque esses bichanos são craques nos pulinhos, sô! Mas, o telhado do velho ficou cheio de buraquinhos.
Deus é bom demais! Mandou uma chuva para a alegria dos sapos, rãs e pererecas do lago seco e eram tantas águas que fizeram piscina e piscinão no barraco do velho bobão. Aproveita para lavar seu escroto, seu louco!
Pois é, no dia seguinte, o velho arrumou todo o seu telhado, mas, os gatos queriam mais festa. Não teve outro jeito: o velho Florêncio atirou em seus próprios ouvidos achando que ficaria surdo e, finalmente dormiria em paz. Coitado!
 Dormiu mesmo. Acordou no inferno, num caldeirão quente. Pense num barulho. Pensou?





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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

EMAIL DO DR. BOA

Prezados leitores, do Brasil e do mundo inteiro, para que eu continue escrevendo histórias inéditas que têm feito muito sucesso, é necessário   que eu tenha vocês como meus 
seguidores.
Envie-me seus emails com críticas ou sugestões e terão uma surpresa.

marvin-hm@hotmail.com


FONES:

 (41)  9768-0951
 (41)  8427-2858




É importante que eu conheça aí, do outro lado, suas opiniões, críticas e sugestões, que são, sem dúvida, importantes para mim. Um abraço a todos.

domingo, 13 de janeiro de 2013

UM HOMEM DELICADO


Havia um baile na cidade de Sorocaba, interior de São Paulo, cerca de 95 km da capital, cujo nome era “Baile dos Encalhados”. A maioria que frequentava tal baile, era “dragão”, isto é: gente feia mesmo, daquela de fazer até múmia correr, se bem que pintava no bailão, gente bonita também.

Geralda, uma nordestina porreta, depois de velha, resolveu desencalhar. Queria arrumar um macho pra sentir-se fêmea. Os comentários na vila onde ela morava multiplicavam como os pães e os peixinhos no milagre de Jesus há milênios. “Será que essa velha gosta de pombinhas?” “Será que essa velha ainda brinca com bonecas?”
Geralda se embeleza toda vai ao baile. Dependendo do estrago da carne, nem cirurgia plástica resolve, vovó. A velha era feia demais.
De repente, um fuzuê geral e total forma dentro daquele baile e só se via garrafas e copos voando e muitos tiros e, vixi! Parou de rolar na hora o som de Michel Teló. E esta estava tão boa! É que duas mocinhas se atracaram numa briga desgraçada por via de um homem. O que?! Pense num homem bonito. Sim, Tonico era o seu nome. Um verdadeiro galã, capaz de fazer qualquer galo cantar pra subir. Tão dócil feito o doce açucarado que cai no estômago do velho amargo. Um sujeito educado, higiênico que pedia licença e tirava a calça pra peidar. Um anjo que só não estava no céu pelo fato de não ter asas. Pois é, Tonico, muito gentil chega junto daquelas mocinhas e diz:
- Não chorem por mim, não liguem pra mim, não pensem em mim. Vocês são lindas e, sempre serão bem-vindas, menos por mim que já tenho a menina preferida.
O que?! É isso aí mesmo: Tonico pegou pelos braços da velha Geralda, o som voltou a rolar e tal de Mané Louco deu um tiro pro alto por achar aquela cena muito bonita. O amor é lindo, gente! Tonico e Geralda dançaram a noite toda de sábado e, na manhã de domingo foram pra casa. Que casa? A casa da velha Geralda. Lá já marcaram o casório logo pra segunda feira e, para surpresa de todos, tudo bancado por Geralda. Sim, Tonico era um duro fodido, comedor de ovos cozidos. Queremos chuva, Lima! Tonico era muito bonito, porém, fodido.
Como Geralda, uma velha encalhada. Tinha grana emprestada até nas mãos da amiga Presidente Dilma, não se recusou a ajudar aquela alma vivente que era Tonico. Quem olhava para ele, com firmeza e certeza dizia: “Além de bonito, é rico”. Que nada, véio! Tonico era um miserável de primeira. Chupava cérebro de galinha porque, além de ser gostoso lhe custava muito pouco. Agora, em companhia da velha Geralda, Tonico chupava eram ovos de galinhas suíças, as coco rococós de primeiro mundo, véio!
Bem, conversar faz bem, porém, vamos ao além. Agora Tonico e Geralda casados, o lance seria outro, pois, nem só de sonhos vivem os loucos. Eles querem chupar igual aos nenês, e digo mais: nenês não são burros não, véio. O lado material deles é um só: chupeta. Tudo o que o nenê vê ele quer chupar. Chupou? Ainda não, porque ele ainda não viu. Aguarde pra ver.
Na hora do “me apavore love” não demore. Geralda de calcinha parecia o retrato da diabinha da cadela caçulinha no cio. Ficou lá na cama esperando o seu amor bonito. Quem? Pode parar! Estou falando de Tonico, o homem. Aquele baita homenzarrão sai do chuveiro e se encontra com uma baratinha pacífica que passeava pelos arredores em busca de doce e, vixi! Tonico se arrepia todo e sobe numa mesa e grita:
- Socorro! Ela quer me pegar!
Será que Tonico não estava exagerando? Se bem que ele era um doce também. Geralda não se conformou com o que viu. Um homem daquele tamanho com medo de uma baratinha?! Pegou logo o chinelo e matou a pobrezinha da baratinha que morreu sem comer seu docinho.
- O que é isso, Tonico? Medo de uma baratinha?
Na cama, foi um desastre. Um baita homem daquele com um membro de 10 cm?! Quem diria, Maria? Tiveram uma relação tão rápida feita um trem bala.
Geralda foi observando que Tonico era delicado demais. Tinha medo do escuro, gostava de seguir uma novelinha, adorava música francesa; cortes de cabelo sempre redondos; enfim, tudo o que os machões também gostam, porém, não assumem. Tonico assumia tudo. Quem fazia o rango na casa era ele, enquanto Geralda ficava com suas amigas na sala tomando cerveja e assistindo futebol. A vida tem seu lado esquisito também, véio.
A velha Geralda tinha muitos sobrinhos e, ela queria entender o porquê deles gostarem tanto de sua casa. Sabe aquelas moscas na orelha sarnenta e sangrenta da cadela? Assim era os sobrinhos da velha Geralda. Era uma goteira na casa, que vinha do telhado e a velha já subia lá para arrumar; encanamento, parte elétrica e tudo, a velha consertava, enquanto seus sobrinhos marmanjões e o baita do seu homenzarrão ficavam trancados no quarto brincando de casinha. O que?! Vai lá e dá uma espiadela, mas, vai ao chinelinho, vovó. Quando a velha Geralda vê o tamanho de um dos nenês brincando de médico com o seu homem, ficou louca. Pegou um porrete daqueles de amansar leão e deu sem dó na cambada.
- Sumam daqui veadinhos!
Sim, ela expulsou de sua casa todos os seus sobrinhos. Por fim, Tonico que chupava um pirulito, pergunta:
- E quanto a mim, amor?
O que?! Tonico levou uma coça de pau da bexiga, véio! O que é que Geralda ia querer com um sujeito daquele? Delicado demais, pode parar. Na falta de ti vai tu mesmo: ela se casou com Napoleão Chiquinho Brandão, um anãozinho bonitinho que tinha um brinquedão chamado “Consolo”. Queres love, não demore.
E quanto a Tonico, finalmente assumiu que havia uma mulher dentro dele. Juntou-se com um dos sobrinhos da velha Geralda e boa. E foram todos felizes para sempre, véio.

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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

AMOR VERDADEIRO


Pedro era um homem muito religioso. Era membro de uma comunidade evangélica da cidade de Navegantes, Santa Catarina, cerca de 114 km distantes da capital Florianópolis. Tudo fazia de bem e do melhor para agradar a Deus. Ajudava a todos sem fazer acepção.
Pedro era um homem bem sucedido na vida. Herdou de seu pai uma grande fortuna. Tinha muitas casas, um grande sítio e uma bela chácara, além de um luxuoso apartamento em Navegantes. Sua renda mensal chegava a três milhões de reais, porém, Pedro não era ganancioso, nem ambicioso. Seu amor a Deus e ao próximo superava a ele, toda a sua fortuna.
Certo dia, após um culto fervoroso, cujo tópico pregado era o amor, Joãozinho Ferreira Bigulinho, um velhinho muito crente, muito humilde, chama Pedro ao lado.
- Irmão Pedro, Deus me revelou que somente tu, podes me ajudar.
O amoroso Pedro da um forte abraço em Joãozinho e lhe pergunta:
- Em que posso lhe ajudar, querido irmão?
E Joãozinho desabafa em lágrimas:
- Por eu amar a Jesus, fui expulso de casa pela minha mulher e filhos a pontapés. Minha bunda está cheia de calos e hematomas de tantos chutes que levei. Quer ver?
- Não é necessário, irmão. Prossiga.
- Quero servir a Deus, porém, não tenho onde morar entende? Esta noite passada dormi debaixo da ponte. Pra encurtar a conversa, o irmão não daria uma casinha humilde pro velhinho?
Pedro, muito amoroso lhe diz:
- Por amar ao meu próximo como a mim mesmo, não posso lhe dar uma casinha humilde, irmão Joãozinho.
- Não pode?
- Vou lhe dar uma de minhas casas e, digo mais: a melhor delas.
Como fazer caridade é bom, irmandade! Pedro deu com escritura e tudo uma excelente casa para Joãozinho. Tinha até piscina. Imagina.
Pedro conheceu Pedrita, obreira daquela igreja. Ela que trabalhava antes como empregada doméstica, limpando cocô de cachorro de madame, agora cuidava dos negócios de Pedro. Casaram-se e, pelo menos, um milhão de reais, Pedro gastou na festa do seu casamento. Mais de cinco mil evangélicos estavam na festa das glórias e glórias.
Outro dia, Joana, irmã da igreja, procurou Pedro no final do culto.
- Irmão Pedro, Deus me revelou que só o senhor pode me atender.
- O que é isso, irmã? Senhor é somente Deus. Em que posso lhe ajudar?
- É que minha avó de noventa e oito anos precisa fazer uma cirurgia do coração e, esperar pelo SUS, melhor por Jesus. Deus me revelou em sonhos que minha avó saía de um hospital famoso na Califórnia, Estados Unidos e, lhe digo mais: com um coração novo.
Vixi! Essa tal cirurgia, com passagem, hospedagem e tudo saiu caro para Pedro. A velha Pirineu morreu. Não resistiu a cirurgia. Seu caixão, velório, flores e enterro foram tudo bancados por Pedro.
Outro dia, o Pastor Pinheiro, logo no final do culto, chama Pedro ao lado.
- Irmão Pedro, Deus me revelou que tu, somente tu, és o homem que podes me ajudar. Se não, “babau”, tudo vai pro pau. Vou direto ao assunto sem ficar enrolando, pois, um homem de Deus como eu, tem que ser claro, exato nas suas palavras e...
Pedro o interrompe:
- Em que posso lhe ajudar, pastor?
- Preciso de um dinheiro emprestado, mas, eu pago. Minhas duas filhas estão devendo pra faculdade e estou precisando reformar meu sobrado e, um dos meus carros está na oficina e...
- Quanto é que o pastor precisa?
- Creio que um milhão de reais resolve tudo.
Pedro lhe diz:
- Quem resolve tudo é Deus, pastor.
Pedro faz um cheque de dois milhões de reais e entrega nas mãos do pastor Pinheiro.
- Pague-me quando puder.
Na residência de Pedro, o telefone não parava de tocar. Eram instituições de caridade pedindo uma oferta, hospitais, escolas, igrejas, parentes, enfim, Pedro ajudava a todos.
Seus dois sobrinhos, filhos de Gorréia, irmã de Pedrita, sua esposa, se envolveram com drogas e ficaram devendo uma fortuna para os traficantes. Foi o sítio e a chácara de Pedro pro pau, nessa brincadeira.
Só os diamantes no sol duram para sempre. Um dia, tudo se acaba. Pedro ficou no vermelho total. Ficou decepcionado com o que sua mulher Pedrita lhe fez. A traíra vendeu o luxuoso apartamento de Pedro, e fugiu com o pastor Pinheiro, com quem tinha um caso. Por causa disso, Pedro ficou muito doente e, pior do que isso: não tinha dinheiro para se tratar. Jesus! Mais um na fila do SUS!
Pedro, um homem que dizimava antes, trezentos mil reais para a igreja, não tinha agora trinta centavos no bolso. Ficou no “lambisco” da vida. Teve que vender sua casa, a única que lhe restou, para pagar algumas dívidas de Pedrita para com os agiotas. E não paga pra ver. Pedro ficou sem lar. Coitado!
Peraí! Nem tudo, parecia estar perdido para ele. Lembrou-se do irmão Joãozinho Ferreira Bigulinho, aquele velhinho que ganhou uma casa de Pedro. Foi até lá, é claro. Tocou a campainha, mas, devido ao canto dos passarinhos, Joãozinho demorou em vir atender, porque era meio surdo e, pelo menos, uns dois mil passarinhos, o velhinho tinha em sua casa.
- A paz do Senhor, irmão Joãozinho.
Joãozinho estava de sunga e todo molhado. Tinha acabado de sair da piscina.
- Direto ao assunto, irmão Pedro. Estou com visitas em minha casa e, a única coisa que eu posso lhe dar é um copo de leite. Quer um copo de leite? Tem leite. Vai querer leite?
Coitado de Pedro, gente! Notícias ruins correm logo. Todos já sabiam que ele estava falido. Foi mal recebido por Joãozinho que, antes, era um velhinho tão humilde e, pior do que isso, aquela irmandade da igreja que antes o rodeava  agora corria dele. Doente, pobre, falido e sozinho, terminou seus dias num asilo.


Lembre-se: Não há na face da terra um justo sequer; ninguém que ame a Deus sobre todas as coisas e, muito menos a seu próximo como a si mesmo. É claro: Pedro foi apenas uma exceção.




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domingo, 6 de janeiro de 2013

SONHOS ROUBADOS



Francisco era um jovem muito talentoso. Compunha lindas músicas e tocava um violão como um verdadeiro artista. Que letras lindas! Fazia canções nos mais variados gêneros: MPB, Samba Canção, Rock Pop, Bossa Nova, Sertaneja, enfim, todas muito bem elaboradas. Seu grande sonho era gravar um CD e mostrar sua arte ao mundo.
Muitas noites, Francisco passava em claro, compondo em seu quarto. Dagmar, sua mãe, queria muito ajudá-lo, pois, reconhecia o grande artista que era o seu filho.
Mãe e filho pagavam um alto aluguel para morarem num subúrbio de São Paulo. Dagmar era diarista, trabalhava em casa de família e, Francisco, seu único filho de apenas 21 anos, trabalhava como servente pedreiro.
O falecido Emílio, pai de Francisco, desejava muito, antes de morrer, ver seu único filho no auge do sucesso.
Espera aí! O que faltava afinal, para Francisco fazer sucesso? Ele era um jovem bonito, se bem que beleza não conta na lista dos monstros sagrados. É claro: faltava-lhe uma chance na vida; alguém que lhe desse um “empurrãozinho”.
Francisco conheceu Isabela, uma linda moça que, por sinal, não era fraca não. Filha de um Deputado Estadual e, fã de Francisco. Ela sempre o incentivava.

- Chico, o mundo precisa ouvir suas músicas. São lindas demais!



Francisco passou a cantar em barzinhos da grande São Paulo e, num desses barzinhos, conheceu Honésio, um homem que tinha fama de ser um milagreiro. Conversaram muito e, Honésio prometeu ajudá-lo.
- Traga-me suas melhores músicas: suas melhores letras. Tem partituras de todas elas?
- Sim.
- São registradas suas músicas?
- Não. Não sei como fazer isso.
Honésio olha sério para Francisco e lhe diz:
- Mas, eu sei. Traga-me suas composições e músicas e vamos gravá-las.
Francisco ficou muito entusiasmado. Ele e sua namorada Isabela sentiram firmeza naquele homem. Por outro lado, Dagmar, sua mãe, não estava assim tão confiante.
Num sábado à tarde, Francisco encontra-se com Honésio naquele barzinho, como combinaram.
- Trouxe suas músicas?
- Sim. Estão todas aqui.
Francisco tinha em mãos uma pasta com pelo menos umas trezentas composições e músicas de sua autoria. Honésio leva Francisco para sua luxuosa mansão. Francisco fica mais confiante ainda.
- Nossa! O senhor mora aqui?
- Sim. Graças ao meu talento.
- O senhor também é um artista?
- Duvidas?
E no interior daquela luxuosa mansão havia um estúdio, para surpresa de Francisco que ficou muito emocionado.
- Nossa! Parece que estou sonhando.
Honésio pede para Francisco cantar algumas músicas e grava-as em alguns canais. Excepcional! A gravação ficou perfeita. Depois de ouvi-la, Francisco pergunta a Honésio:
- Posso levar uma cópia desse CD para mostrar à minha mãe e à minha namorada?
Honésio lhe diz sério:
- De forma alguma. Você só vai mostrar seu trabalho a sua parentela e, principalmente ao mundo quando este for executado. Estamos apenas começando. Não pense que é tão fácil assim. Vou dar uma olhada detalhadamente em todo o seu trabalho e, no próximo sábado, gravaremos de novo.
E Francisco, ingenuamente, deixa nas mãos daquele homem toda a sua arte. No sábado seguinte vai até aquele barzinho e não encontra Honésio. Isso o deixa bastante preocupado. Ele não lembrava mais onde Honésio morava. Nem sequer pegou o número de seu telefone, nem email. Muitos sábados passaram-se e Honésio nunca mais foi visto.
Numa manhã de domingo, Dagmar, mãe de Francisco por pouco não enfarta. Ouve no rádio uma canção de seu filho cantada por um cantor famoso. Corre para o quarto do filho, que ainda dormia. Que trágica notícia! Francisco não tinha registros, Direitos Autorais de nenhuma de suas músicas. Aquilo, sem dúvida, o deixou pra baixo.
- Eu preciso achar esse sujeito, mamãe.
- Mas, como?
Francisco volta para aquele barzinho que costumava cantar, porém, não encontra Honésio. Vai até a polícia, mas, também não acaba resolvendo nada.
Meses depois, outras de suas músicas estouram nas paradas do sucesso. Onde estava, afinal, Isabela, sua namorada, que também sumiu?
Francisco recebe uma carta de Veneza, Itália. Era de Isabela. Com as mãos trêmulas, abre o envelope e lê aquela carta:
“Chico, a verdadeira arte não pode ficar oculta. Você despertou sua arte tarde demais. O mundo jamais vai aplaudi-lo, exatamente por não conhecê-lo. Afinal, quem é você? Estou ao lado de um verdadeiro homem, de um artista que, jamais, deixaria sua arte em oculto. Dê uma volta por cima; recomece a viver; faça tudo de novo. Explore sua arte, seu talento no momento certo e para as pessoas certas, seu bobinho. Boa sorte na vida”.
Honésio e Isabela estavam juntos desfrutando do bom e do melhor graças às canções de Francisco que fez muito sucesso na voz de grandes intérpretes. Francisco perdeu tudo o que compôs em sua vida. Caiu numa depressão total e não suportou mais viver. Cometeu suicídio. Talvez, o mundo nunca ficará sabendo que ele era, sem dúvida, um grande artista.


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