sexta-feira, 25 de abril de 2014

GRÁVIDA DE UM ANJO


Meu nome é Elisandra, tenho 21 anos. Sou evangélica e leio muito a Bíblia, que, aliás, é o meu livro de cabeceira da cama. Não gosto das coisas do mundo, como: ver televisão, bailes e baladas, usar maquiagens, roupas escandalosas, etc. Procuro fazer o melhor para agradar a Deus.
Moro só com a minha mãe, que diferente de mim é muito mundana.
 Vive infernizando-me para eu cortar pelo menos as pontas dos meus cabelos, usar umas maquiagens, arrumar um namorado e esses papos satânicos. Sou noiva de Jesus apenas e, não adianta insistir.
Sei que a carne é fraca e, confesso que tenho desejos também como outras moças cristãs ou não. Às vezes chego a molhar minha calcinha de puro orgasmo dentro da igreja quando assisto a pregação do meu pastor que, também se chama Jesus. Depois que isso acontece caio num choro terrível e começo a clamar, a clamar e, sinto que algo divino consola-me.
No silêncio do meu quarto, sempre leio a Bíblia e, ultimamente coisas estranhas vinham me acontecendo, sempre na calada da noite. Primeiro: minhas vistas começaram a arder e, então, dispensei a Bíblia, apaguei a luz e tentei dormir. Segundo: bateu-me um tesão daqueles que queimam. Peguei meu travesseiro e comecei a brincar com ele até chegar ao prazer, entende? Contei isso para Jesus, meu pastor e, ele disse-me que oraria muito por mim. Disse-me mais: que estava sendo dominada pelo espírito do tesão e, isso poderia não ser nada bom.

Num domingo, mamãe insistiu-me para que eu fosse com ela num baile, mas, eu clamei pelo sangue de Jesus e, ela acabou indo só. Fiquei lá, na solidão do meu quarto clamando, clamando, quando, de repente, um anjo visitou-me. 
Este anjo puxou meus cabelos com estupidez e, eu clamando, clamando, deu-me um beijo de língua daqueles lascados na boca; tirou minha blusinha, meu sutiã e chupou meus seios e até mordeu seus biquinhos e, eu clamando, clamando, ele desceu minha calcinha com violência, deu-me uns tapas na bunda e, eu clamando, clamando e ele me penetrou. Aí foi que eu clamei de vez mesmo. Não imaginava que era tão grande o membro daquele anjo. Gemi, chorei, sussurrei e é claro: clamei muito, mas, o espírito do tesão foi mais forte que acabei tendo um orgasmo múltiplo. Tomei um banho e, quando voltei para o meu quarto aquele anjo mau ou bom (sei lá) não estava mais lá. Fui para a igreja. Eu precisava desabafar isso com Jesus, o meu pastor. Só que dei azar: ele não estava lá.
 Somente a pastora Jucéia, a esposa dele. Disse-me que Jesus estava meio adoentado e quem iria dirigir o culto naquele domingo era ela. Que droga! Voltei para casa. Eu mal podia andar. Queria saber se aquilo que ocorreu comigo era algo divino ou não, só isso.
 Na terça-feira seguinte tinha culto e o pastor estava lá na igreja, mas, não me deu muita atenção. Disse-me apenas em particular que já sabia de tudo porque lhe foi revelado e eu não precisei lhe falar mais nada. Só que, três dias depois, meu pastor Jesus juntamente da pastora Jucéia, sua mulher foram embora da cidade de Colombo, Paraná e, nem sequer, deixaram endereço. Agora, estou confusa Doutor Boa: eles eram de Alagoas, mas isso não importa. Estou grávida de um anjo e queria saber se é de um anjo bom ou mal.
DR. BOA:
- Elisandra, você é uma maníaca sexual das mais sem vergonhas que já pude presenciar. É histérica e, tem um lado esotérico: é louca. Pula santa! Não brinque com o oculto, com o desconhecido porque você pode se machucar, garota. Não deve e nem pode ficar em cima do muro: ou vai ou racha santa. Até quando você vai ficar se escondendo da verdade? Teu negócio não é Jesus, é Jesus, entendeu? É evidente que seu pastor é um pilantra e, notou que você estava caidinha na dele. O tarado Jesus não perdeu tempo. Jesus é um camarada mal preparado e já deve ter cantado outras alopradas assim como você. Grávida de um anjo? Você toma gardenal? Sua mãe estava certa quando lhe dizia para mudar seu visual, boneca. Quem você quer enganar? Não existe nada desse papo de revelação e, esse tal Jesus não passa de um sem vergonha, isto é: Jesus, o pastor da sua igreja. Não entendo por que é que certos pais têm o péssimo gosto de dar nomes bíblicos para nenês modernos. Isso dá uma confusão das bravas. Zele bem da criança que vai nascer que é a melhor coisa que você vai fazer. Não aconteceu nada de estranho com você, acalme-se. Você simplesmente sente desejos como qualquer pessoa saudável e normal. Que espírito de tesão é este, garota?! Pula santa! Jesus, o safado, o Drácula das mocinhas virgens te ganhou no papo e você caiu, só isso. Não brinque com as coisas sagradas e respeite a Deus que é o Autor da Vida, ok?


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quinta-feira, 24 de abril de 2014

A LEOA E O VEADO



Oa era uma leoa triste com a vida que levava na selva. Andava assim meio descontente, porque seu macho Ão, um grande leão só prestava para dormir e comer a caça que ela, sua fêmea caçava.
Ão era brincalhão e adorava seus filhotinhos leãozinhos, porém, a vida não é só adorar. Quem caçava para o almoço e jantar era Oa, pois, se dependesse de Ão, ninguém comia.
Assim que Inho e Inha, filhotes de Oa e Ão cresceram, Oa decidiu mudar radicalmente a sua vida, dando um perdido total em sua família.
Ão, o grande leão ficou preocupado, ainda mais com as fofocas de Pardo, seu amigo leopardo.
- Oa, sua fêmea leoa foi vista com Ado, um grande veado. Bichos e bichas estão dizendo por toda a selva que Ado, o veado e Oa, a sua leoa estão vivendo numa boa.
Ão fica furioso e muito enciumado.
- Se eu pego esse veado, não vai sobrar nada dele.
E Pardo, o leopardo diz:
- Pega mais demora. Pelo que estou sabendo, Ado, o veado não tem medo de felinos. Desista.
- Desistir?! Desde quando um veado não vai temer um felino?
- Dizem que ele até caça leão com seu pistolão.
- Pistolão?! Como é que um veado vai segurar um pistolão nas patas? Isso é conversa fiada.
Era, uma pantera, vizinha de Ão, o leão, passa por ali.
- Olá pra vocês! Por pouco não morri agora, bichos.
Ão, curioso pergunta:
- O que houve?
E Era, a pantera diz:
- Vi um bando de veados descansando e tranqüilos demais pro meu gosto e pensei em atacar ao menos um, mas, o grande veado Ado botou-me pra correr. Ele e sua fêmea Oa, a leoa.
Ão espumava de tanto ódio.
- Oa é a minha fêmea e não desse Ado veado. Leve-me até lá agora, pantera Era.
- Sinto muito rei. Você perdeu sua majestade e, depois outra: o veado Ado está armado. Desista.
- Desistir?! Jamais. Vou mostrar a esse veado quem realmente é macho e rei desta selva. Como chego até lá?
E Era, a pantera, ensina para Ão, o leão, como chegar lá.
Quando Ão chega, depara-se com uma cena que nunca havia visto antes nem em sonhos: veados e veadinhos brincando e, pior, que até ignoraram sua presença. Pois é, não temeram Ão, não.
Ão estava nervoso.
- Cadê o pai de vocês, bando de veados? Quem é este tal Ado? Digam a ele se for macho que venha me encarar.
Quem aparece com um grande pistolão nas mãos? O próprio Ado. Ado?! Mas, veados não têm mãos. Ado era uma bicha assumida, gente. Era o protetor de todos os veados. Simpatizou-se com Oa, a leoa e deixou-a morando lá com o bando de veados. Ado não temeu Ão, não.
- Vai querer dar uma de macho aqui, seu leão velho?
E Ado da uns tiros pro alto, mas, Ão não se assusta. Vira as costas e simplesmente caminha chorando de volta a sua toca. Ele amava demais Oa, sua fêmea leoa. 
Depois de caminhar muito, quem o alcançou na corrida foi o grande amor de sua vida. Quem?! Oa, sua fêmea leoa.
- Ão, meu grande leão, espero que tenha aprendido a lição. Ainda me amas? Sim ou não?
Pensem na alegria de um rei. Ão nunca mais comeu veados a pedido de Oa, sua fêmea leoa e ambos viveram felizes para sempre numa boa.

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SUICÍDIO DE UMA BORBOLETA


Borboletas vivem em média de duas semanas a um mês. A borboleta monarca pode chegar a viver nove meses.

Voava triste e cabisbaixa uma linda borboleta deprimida. Ela estava cansada da vida que levava. Voar e pousar nas flores dos jardins estava sendo muito rotineiro para ela. Então, aquela borboleta, decididamente pensou em despedir-se da vida.


Subiu voando até o terraço de um edifício, (não se sabe até hoje como é que ela conseguiu fazer isso) rezou muito e depois pulou. Só que ela não morreu não. Automaticamente, no que ela pulou, suas asas abriram-se e ela voou. Assim, ela descobriu que este método de pular para quem tem asas pode fracassar para muitos bichos voadores.
Aquela borboleta pousou bem no meio de uma avenida bastante movimentada, mas, os carros desviavam dela, no que ela ficou muito zangada:“Por que é que essas bestas gostam tanto de borboletas?”.
Os dias foram se passando e aquela borboleta foi tentando vários outros métodos de suicidar, mas, não teve jeito. 


Num domingo de manhã ela avista um casal simpático batendo palmas num portão. Aquela borboleta teve uma brilhante ideia e, conseguiu pôr fim a sua vida. 
Morreu esmagada entre as palmas gordas de Josefá uma testemunha de Jeová. Que borboleta bobinha, né? A vida é tão linda.

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quarta-feira, 23 de abril de 2014

FALA FINA


Napoleão era um homenzarrão. Tinha 2 m  de altura, corpo musculoso de halterofilista; boa pinta que calavam até mesmo as cadelas, por onde ele passava. Olhos tão verdes feito o jardim de Madonna. O homem tinha quarenta anos, mas, aparentava ter vinte. O cabra era bonito demais.


Anita era uma mulher muito rica e bonita. Qualquer homem que ela quisesse tinha debaixo da sola dos seus pés, porém, ela queria fazer a escolha certa. Não importava se o cabra fosse pobre, porque ela lhe daria do bom e do melhor, caso gostasse dele. Ela, solteirona, trinta e cinco anos, saudável, cheia de vida, virgem, estava pronta para se entregar ao homem da sua vida.
Napoleão e Anita se conheceram pela internet. “Jesus, que glórias!” Quando Anita viu a foto do perfil de Napoleão, por pouco não estourou seu computador a porradas. A emoção foi forte.
- É ele! É ele!
Quando ela viu outras fotos loqueou de vez. “Que homem lindo, Jeová Giré dos giros, gerações e girassóis!”
Napoleão morava em Manaus, no Amazonas e, Anita em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Era um pouquinho longe, porém, pra quem tinha dinheiro, era só um pulinho. Iniciaram um romance só trocando ideias e ideais pela internet. Só nos dígitos, Nenê. E Napoleão escrevia versos, poemas dos mais lindos. “Que homem romântico, pico do picolé que, agora tenho em meus pés”. E ficavam namorando pela internet até altas horas da noite e, isso, era direto. Casaram-se via internet. O padre foi o Google e, as milhares de testemunhas foram os internautas.
Que sorte a de Napoleão, sô! O camarada estava desempregado há dez anos e quem lhe sustentava era a velha Minâncora, sua avó. Agora, graças à bem sucedida na vida, Anita, Napoleão estava em boas mãos.
Chega de dígitos, Nenê. Agora era bater pra valer. Anita pegou um avião com destino a felicidade. Seu amor, seu marido Napoleão Espada estava aguardando-a no aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus.
De longe, ainda no alto, Anita, por pouco, não se enfartou, pois, podia ver Napoleão e, enfim, o amor é lindo. No que o avião aterrissa, ela é a primeira a sair e corre para abraçar Napoleão, o homenzarrão da sua vida. Foi lindo de ver o encontro excepcional do casal apaixonado. Internautas do mundo inteiro estavam lá filmando tudo. Ué, o que houve, minha couve? Notaram certa decepção no semblante de Anita. Napoleão foi o primeiro a lhe perguntar:
- O que houve, meu amor? Será o calor de Manaus? Está passando mal? Aqui tem hospital.
Anita ficou decepcionada com a voz fina, de gralha e, também hiper delicada do marido. Não disse isso a ele para não magoá-lo, porém, não gostou nem um pouco daquela voz tão fina feita uma veia. Quem diria, Maria? E agora, Aurora? Que o amor seja benvindo. Isso não é lindo?
Anita ficava envergonhada cada vez que seu marido falava. Cair fora agora não seria tão fácil assim. Suas amigas lhe deram bons conselhos.
- Anita, você se casou com ele e, não com a voz dele.
- Não perca esse super homem, bobinha. O importante é o calor do amor debaixo dos lençóis. Já fez amor com ele?
Anita pensou bem e chegou à conclusão de que ser casada com um  fala fina não seria algo assim tão ruim na vida. Finalmente, a noite de núpcias. Anita o levou no motel mais chique de Manaus e, notou que ele estava preocupado. Ué, gente! Será que ele era impotente? Anita abraça o maridão fala finão e o pergunta:
- Algo te aborrece, amor?
Napoleão, muito triste, despe-se e diz:
- Nem sei como lhe dizer isso amor. Não tenho pênis.
O que?! Pode parar! Anita até que ficaria com ele por ter fala fina, mas, sem pênis, entorta a colher da sopa, meu! Por que ele não jogou limpo com ela desde o início?
Anita, muito educada tem um diálogo sério com Napoleão.
- Napoleão, sinto muito mesmo, mas, podemos ser simplesmente bons amigos, porém, marido e mulher, neneca, boneca.
Napoleão faz cara de choro.
- Só por que não tenho pênis, amor?
- É que fica assim tão diferente, entende? Toda mulher deseja ser preenchida e...
- Mas, existem pênis de silicone, amor. Inclusive eu tenho um.
Anita fica brava.
- Eu não quero nada artificial, caramba! Sou natural e adoro coisas naturais. Darei-te um bom dinheiro pra você ser feliz, porque sei que você é um homem caído, azarado e fodido.
Napoleão chorava igual nenenzinho etíope. Anita fez um checão no valor de um milhão e, boa. Deixou-o no criado-mudo, ao lado da cama. Saiu daquela suíte do motel, sem olhar para trás. Quando Napoleão olha o valor do cheque tem na hora um piripileque. Liga para Braulião, com quem tinha um caso:
- Amor, tenho um checão em mãos no valor de um milhão. Que tal fazermos um“love” agora?
Xii! Olha que fria Anita ia entrar, gente! O“Fala Fina” gostava de um Braulião. Como pode?


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VILA DOS PRAZERES


Dona Vicentina era uma mulher já bastante idosa. Dizia a todos que lhes perguntavam que tinha setenta e cinco anos, mas, na verdade, ela estava beirando quase um século de existência.
O interessante da vida e mal também, é claro, que quando a carne humana envelhece ao ponto de apodrecer ainda em vida, aqueles que são jovens, que ainda têm carne de primeira, querem se livrar da podridão. Pois é exatamente o que os filhos e os netos de Dona Vicentina fizeram com ela. Botaram a velha num asilo, dando um perdido na coitada para sempre.
Dona Vicentina, apesar de ser muito religiosa, tinha dentro de si um espírito de galinha. Sentia ainda, apesar de sua avançada idade frescurinhas, o mesmo desejo que sente uma mocinha. Esperta como uma gata ladra que rouba o filézão de peixe das mãos de uma menininha ingênua, bobinha, ela fugiu do asilo, localizado na cidade de Cerro Azul, interior do Paraná.
Dona Vicentina sentia fortes desejos carnais e, antes que seu coração pifasse de vez, queria era mais curtir o doce do mel ou da cana de açúcar que a vida pudesse oferecê-la. Sonhava muito com uma Vila dos Prazeres, localizada na região de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. Sim, ela sonhava com anjos e dizia religiosamente para si mesma que eles estavam enviando mensagens em sonhos para que ela fosse para lá. Segundo os anjos, na Vila dos Prazeres, os jovens, gatões sarados adoravam gente velha tipo: bico de papagaio, artrose dupla, reumatismo, furúnculos, varizes e varicoses, arca caída, gota, dermatoses, joanetes, feridas crônicas, etc.
Dona Vicentina que não precisava pagar passagem (porque velhos também têm suas vantagens) chegou até Belo Horizonte. Foi uma viagem longa, gente. Ela queria era mais tomar um banho, porque fazia um calor de 40 graus e, quando um ventinho passava por ela, levava seu suor catinguento longe. Os abutres mineiros, lá do alto já estavam de olho na velha. Coitada. Suas moedinhas que carregava na sacolinha deram para pagar um banho na rodoviária de Belo Horizonte. Ficou cheirosinha.
Aproximou-se de uma mocinha que estava sentada num dos bancos da rodoviária e a perguntou:
- Mocinha, você é daqui de Minas?
- Sim, minha senhora.
- Como posso chegar à Vila dos Prazeres?
A mocinha que tomava um refrigerante de latinha se engasga, depois diz:
- Desculpe-me, senhora. Nunca ouvi falar dessa vila por aqui.
Dona Vicentina pergunta desta vez para um jovem do tipo sarado.
- Olá brotinho, tudo bem? Como faço para chegar à Vila dos Prazeres?
Vixi! O boy acabara de curtir um breu e acabou achando que aquilo era uma pegadinha. Dá um sorriso daqueles chouriços e diz:
- To fora desta vila, velhinha. Nunca ouvi falar.
Dona Vicentina não desiste. Foi perguntando aqui e ali e, finalmente, encontrou uma idosa, assim como ela,que conhecia tal vila.
- A senhora vai precisar pegar um ônibus circular para chegar até lá. O ônibus passa na BR. É logo ali. Vai toda a vida reta por essa rua de terra detrás da igrejinha, mas, vai toda a vida que a senhora vai dar de cara com a BR. Lá vai passar um ônibus amarelinho com o nome de Vila dos Prazeres.
Dona Vicentina chega à BR, para num ponto e aguarda ansiosa pelo ônibus. Que BR estranha! Não passava nem sequer um carro nela. Ela espera por uns quarenta minutos e, de repente, quem vinha lá? Um ônibus amarelinho. Dona Vicentina tinha uma visão muito boa. Deu pra lá no letreiro: Recolhe. E ela pragueja muito:
- Maldição desse tal recolhe. Estou aqui há tanto tempo, coringa do baralho.
Quarenta minutos depois, quem vinha lá? Outro ônibus amarelinho, apesar de estar cheinho, recolhe também. Dona Vicentina pragueja os céus, a terra e até sua própria vida. Ela resolve seguir a pé pela BR e já estava perdendo o fôlego. Olha para trás e vê que vinha outro ônibus amarelinho com o mesmo letreiro que dizia: recolhe. Como ela praguejava, meu Deus!
Vixi! O céu escurece e pensem numa chuva. Ela queria uma marquise, porém, marquise em BR só nas idéias de Marcão, não é mesmo? Ficou mais molhada do que um peixe. De repente, quem vinha lá? Outro ônibus amarelhinho com o letreiro: Recolhe. Desta vez, ela entra na frente do ônibus porque queria dizer umas verdades para o motorista e, pensem num final triste que teve essa doce velhinha, gente. Morreu sem conhecer a antiga Vila dos Prazeres que tinha por novo nome Recolhe. Sim, era uma vila assim tipo: espere pela morte que ela está a caminho.Só tinha velhinhos.






Que sacanagem, gente!


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terça-feira, 22 de abril de 2014

MENINA LOUCA

Recentemente atendi uma menina em um dos meus consultórios que, por pouco não fiquei “pirado” como ela.

- Como é teu nome?
- Maria Encarnação Pinto de Jesus.
- Belíssimo nome.
- Qual é o teu problema, Maria?
- Que Maria?
- Você não se chama Maria?
- Maria Encarnação Pinto de Jesus. Sou completa. Odeio que me
   Chamem pela metade.
- Ok! Então, qual é o teu problema?
- Pra quem o senhor está perguntando?
- Pra ti, oras!
- Meu nome não é “ti” e não tenho horas.

Respirei fundo e pensei em Giré dos giros.

- Ok! Maria Encarnação Pinto de Jesus... Qual é o teu problema?
- No momento nenhum.
- Nenhum?! Em que posso te ajudar?
- Ta me achando com cara de necessidade, é?
- Não minha querida.
- Querida?! O senhor é pedófilo?
- Claro que não! Você está louca?
- Não, mas estou ficando. Não te dei a liberdade para me chamar
   De querida.
- Me perdoe Maria.
- Maria?!
- Ô... Quer dizer: Maria Encarnação Pinto de Jesus.
- O que quer dizer meu nome? Isso não importa. Por que quer 
   Saber?
- Saber o que?
- O que acabou de me perguntar.
- Não lhe perguntei nada.
- O senhor é louco?
- Não, mas estou ficando.
- Ta me remendando, é?

Respirei fundo e quis me livrar dela:

- Aceita um café?
- Minha religião não permite. Obrigada.
- Nem um cafezinho?
- É café ou cafezinho?
- Cafezinho.
- Mas, antes o senhor me perguntou se eu aceitava um café, não
   Foi?
- Isso não importa Maria!
- Que Maria?!
- Maria Encarnação Pinto de Jesus. Café ou cafezinho não importa. Vai querer ou não?
- Já lhe disse que minha religião não permite e o senhor fica me insistindo?
- Ok! Vamos esquecer-nos do café. O que trouxe até aqui?
- Um táxi.

Respirei fundo...

-O que está acontecendo com você?
- Pinga com limão. Ela me deixa louca.
- Interessante. Tomar pinga com limão sua religião permite?
- Permite. Lá na igreja é o maior barato quando todo mundo ta chapado! É tal de glória, glória dos “caraios”, Doutor! Pode crer! Mas, eu quero me libertar da cachaça por que ela pode me inchar de vez. Aí dana- se tudo.



- Já pensou em mudar de religião?
- Já, mas minha religião não permite.
- Então pare de beber.
- Beber?! Eu já parei.
- Parou?!
- Sim, agora eu só tomo.
- Beber e tomar são a mesma coisa.
- De jeito nenhum. Toma-se na bunda, não se bebe na bunda.
- Mas estamos falando de pinga com limão!
- Sim. Mas eu já lhe disse que parei de beber.
- Parou de beber, mas continua tomando?!
- É claro.
- Mas isso não é a mesma coisa?
- Claro que não! Cadê a sua inteligência, Doutor? Parei de beber, mas continuo tomando na bunda, entendeu agora? E os caras lá da minha igreja não me perdoam.
- É óbvio que não vão te perdoar.
- Quer dizer então que o Sr. acha que eles estão certos em não me perdoar?!
- Como é que vão te aceitar no meio deles, seus irmãos de igreja se você acaba de me confessar que está tomando na bunda?
- Mas estou tomando deles que se chapam da pinga com limão.
- Mas, então menina... Se isso está lhe incomodando fuja dessa igreja e desses caras e boas.
- Fugir? Eu não! É tão gostoso ficar tomando.
Abri minha gaveta e peguei meu cassetete e, totalmente enfurecido bati bem forte na mesa e gritei:

- Vaze daqui sua louca! Fuja louca!



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