quarta-feira, 8 de maio de 2013

ESTATÍSTICAS BOAS

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A REGRA DA VIDA


Lamentavelmente, nem sempre a vida nos revela boas surpresas. Vivemos intensamente com medo feito aquele pássaro que,voando em liberdade aterrissa ao chão para se alimentar, mas, que fica atento (mesmo sem entender) com as surpresas inesperadas que, possivelmente, podem lhe ocorrer.
Nas grandes cidades a violência é tão grande que, raramente se vê casas com janelas ou portas abertas. As pessoas vivem trancadas, assustadas como quem pressentisse o perigo. Não se tem liberdade e, contudo, a vida passa.
Tudo, absolutamente tudo, poderia ser diferente e, nossa terra seria paradisíaca, porém, o homem não quis assim. As gerações passam como a vida e o mau predomina.
Um homem bastante revoltado certa vez me perguntou:
- Quem eu devo odiar mais: Deus, o homem ou o cachorro?
Notei que as lágrimas que ele expelia de seus olhos eram de puro ódio e, ele prosseguiu:
- Deus com sua divindade e misericórdia criou o homem e este homem tornou-se ladrão e, para a minha segurança adotei um cachorro em minha casa que, em poucos minutos tirou a vida da minha filha, que morreu agonizando. Ela tinha apenas sete anos.
Cães, na regra geral, são violentos e não escolhem suas vítimas na hora da súbita raiva. São criaturas irracionais como os gatos, pássaros, etc; porém, violentos. Muitos se sentem seguros tendo essas criaturas a vigiar suas casas por causa dos ladrões e, isso, não passa de mera ilusão. Nem todos que batem palmas em seu portão são ladrões. Eduque o seu cão caso não queira ser mais uma vítima de suas súbitas raivas.

Até quando teremos que suportar este mundo que se tornou estúpido e violento por causa do homem? Até quando fecharmos os olhos e despedirmos da vida. Não pensem que um dia tudo aquilo de ruim que vivemos aqui vai mudar para melhor. Isso é ilusão. A regra da vida é única: “Tudo aquilo que plantar, um dia colherá”. Alguém acredita que colheremos o que no futuro? Um jardim paradisíaco? Continue sonhando, porque isso, sinceramente, faz um bem enorme para qualquer ego.


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terça-feira, 7 de maio de 2013

UM CÃOZINHO NOJENTO


Bobynho era um cãozinho nojentinho demais, sô! Latia até para o vento e ai do galo se soltasse um peido. Ele estraçalhava o coitado cantador. Bobynho tinha nojo de cadelas, principalmente quando elas entravam no cio, devido o cheiro de sangue que lhe provocava náuseas e vômitos. Sua comida tinha que ser de primeira e feita na hora. Sucos só naturais e, água, somente filtrada.
Contudo, Bobynho vivia mau humorado. Não abanava o rabo para qualquer pé-de-chinelo, aliás, não abanava o rabo para ninguém, com exceção à sua dona. Caso ele tivesse comendo e alguém arrotasse ou soltasse um peido perto dele, vixi nossa! Bobynho virava uma fera. Se visse uma baratinha passeando sozinha ou com sua família, perdia o apetite na hora. Que cachorrinho nojentinho, sô!

Se Bobynho pudesse dizer, diria talvez: “Tenho horror e nojo de cadelas. Todas elas são porcas”. Só existia uma paixão guardada em seu coração: sua dona Maricréa. Ele amava essa velha demais. Gostava de ouvir canções de Nelson Gonçalves (inesquecível) e choramingava pelos cantos da casa por amor à velha.
Sucedeu que, um dia, a velha Maricréa solteirona desde a mocidade resolveu se desencalhar. Botou uns anúncios na rádio e, vixi! Cada dia era um velho diferente em seu portão, só que não entrava porque Bobynho não deixava. Que ciúme maluco, sô! Ninguém podia sequer olhar para a velha Maricréa, quem diria falar.
Um dia, a velha Maricréa adoeceu e dois dias depois morreu. O cãozinho Bobynho ficou tão desiludido com isso que deu fim em sua vida canina. Tomou umas pingas (não se sabe como e onde. Ele conseguiu fazer isso) chegou a casa trocando as patas e botou pra rolar na sonata só som das antigas, em especial: Nelson Gonçalves e Altemar Dutra. Não se sabe como e onde ele conseguiu fazer isso. No que a música parou de tocar, seu coração parou de bater. Nada foi escrito, falado ou comentado sobre a ressurreição dos bichos no livro sagrado, porém, o cãozinho Bobynho aguarda uma ressurreição e um juízo justo. Ele afirma que é um cão diferente de todos os outros cães, porque é racional e jura que em vidas passadas teve um relacionamento lindo com uma cadela excepcional que é a velha Maricréa, e que com ela quer passar toda a sua eternidade.


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segunda-feira, 6 de maio de 2013

O FÊNOMENO DA NATUREZA



André era um rapaz muito bonito capaz de enlouquecer muitas mulheres. Moreno alto, olhos verdes, físico de atleta, voz forte, enfim, um pêssego em caldas. O gatão era cobiçado até mesmo por sua mãe e tias. As primas viviam entre tapas querendo conquistar o amor dele. A velha Aurora, sua avó paterna foi parar num hospício, e a velha Augusta, sua avó materna enterrou-se viva. Tudo isso por via de André, o fenômeno da natureza.
André não parava em trabalho nenhum devido os assédios sexuais das empresárias e as cantadas da baixaria provocada pelas mocinhas. Ser bonito demais para ele era um tédio. Caiu em depressão e participou de diversas correntes milagrosas na esperança de ficar feio, que era, exatamente, o que mais ele desejava.
Saiu de São Vicente, litoral paulista e foi para os Estados Unidos se tratar com os maiores psicólogos do mundo.  No avião, pelo menos, dezesseis casais se separaram e a aeromoça se suicidou pulando da janela, sem contar com a briga feia do piloto com o copiloto. Vixi! Por pouco o avião não caiu, sô!
As psicólogas queriam se deitar com ele e, por não conseguirem, foram parar no hospício também. O gatão recebia e-mails, mensagens do mundo todo. André estava ficando louco.
Em Nova Iorque, ele entra num finíssimo e belíssimo restaurante e é servido por três garçons gays e, quando vai pagar a conta fica surpreso. Quanto ele devia? Pense bem meu bem: quanto ele devia? Não faço a menor ideia. Só sei que aquela refeição saiu cara.
André queria um amor diferente pra si. Alguém assim que o completasse por inteiro, entende? Não importava se a moça fosse morena, crioula, negra, branca, amarela, ruiva, loura, bonita, feia, pobre ou rica. Tudo o que ele mais queria era ser feliz como um passarinho. Queria curtir beijos e abraços da pessoa amada, só isso, carambina! Começou a trocar ideias via internet com Andrea. As internautas descobriram isso e ficaram loucas de tanta raiva.






- O que?! Esse gatão está namorando com Andréa? Como pode isso? Ficou louco, muito louco, tá louco. Só pode.





- Não é possível! Enlouqueceu? Cheirou as chuteiras de Pelé ou o que é que é? Com todas, menos com Andréa, meu! Por essa eu não esperava.








- Eu morro e não vejo tudo, carambinha! O que é que essa mocréia tem que eu não tenho?!









- O que é que é isso, senhor da glória? Com Andréa?! Não pode ser! Não gostou de mim, por que Jesus de Nazaré?

Pois é gente. A inveja dói e costuma fazer calos no reto dos invejosos. Andréa, a lourinha bonitinha foi a sortuda que conquistou o coração do fenômeno da natureza, André. Hê, hê, hê, hê! Pensou num final diferente, Vicente?


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sábado, 4 de maio de 2013

EPILEPITENÉSIO



Epilepitenésio aparentemente era um sujeito complicado, estranho, porém, na medicina moderna e avançada não foi encontrada nenhuma deficiência física, mental, nele, se bem que, sábios do mundo inteiro afirmam que o sujeito não batia muito bem das ideias não.
Eu pergunto:
É normal um ser cheirar as próprias fezes que defeca? Passar a mão boba na bundinha da santinha esculpida? Tirar meleca do nariz e comê-la com miolo de pão? Deixar o padre com tesão enquanto ele reza uma missa? Esfregar nos pezões suados salgadinhos de trigo e enganar a torcida dizendo que são salgadinhos de queijo? Chupar o próprio dedão do pé? Amputar as pernas da pulga para que ela nunca mais pule? Amarrar uma linha no pescoço da baratinha e sair com ela para dar um passeio? Explicar para a cigarra que se ela não parar de cantar a cabeça dela vai explodir e a sua também? Obrigar um coelhinho bebê a comer ovinhos de Páscoa? Botar fogo no gelo? Dar tiros no sol e na lua? Encubar peidos num vidro para conservá-los? Dar um tiro no espelho querendo matar a si próprio? Chupar uma banana verde até ela ficar madura? Colar molas nos pés e sair pulando? Coçar a cabeça do perú para ouvi-lo fazer gluglu? Acabar com o amargo do jiló mergulhando ele num pote de mel? Botar a sua fé em prova pulando de um prédio de 50 andares? Esquentar o congelador da geladeira com ferro elétrico quente? Tirar fotos inéditas dos peidos? Abrir o bico do galo e colar dentro dele dentes postiços? Fazer o anão crescer na porrada?
Sô! Eu já vi de tudo nesse mundo que é meu, seu, de todos vocês e, principalmente de meu Deus. Já disse e torno e torno a repetir: não foi encontrada nenhuma deficiência física, mental, em Epilepitenésio. É claro e óbvio que ele não fazia nada desses absurdos descritos nas linhas anteriores. Simplesmente, ele amava o Lula e todos os lulus existentes do mundo. Deixasse-o viver. Por que perder tempo com perguntas idiotas. Deixe de ser besta, sô!

sexta-feira, 3 de maio de 2013

PRAZERES ESQUISITOS



Neste mundo que é meu, seu, de todos vocês e, principalmente de meu Deus já vi muitas coisas estranhas, esquisitas mesmo que, se contassem, caso eu não tivesse visto, não iria acreditar.


Genival, um porreta alagoano teve tanta sorte na vida, que jogou, apostou e, pelo menos três vezes acertou a quina. Seu dinheiro era tanto que daria até para ele comprar um castelo em Quebec, no Canadá.

Dias atrás, São Paulo estava se acabando em dilúvio, de tanta água que caía do céu. Peguei um ônibus superlotado, que pra se ter uma ideia, até no colo do motorista e do cobrador tinha passageiros sentados. No meio daquele espreme sufocante, quem vejo lá? Pensei: “Não! Não pode ser ele. Será que é ele? É parecido com ele, mas não é ele. Vixi! É ele mesmo!”.
Pois é gente. E era ele mesmo: Genival Chopina, o milionário da quina. Mas, que diabo ele fazia dentro daquele circular lotado, sô! Fiz questão de descer na parada final com ele e lhe perguntei.
- Genival, mas tu és um cara rico pelo que sei e o que é exatamente que está acontecendo ou o que é que aconteceu com você, homem?
Ele, com cara de bobo me pergunta.
- Aconteceu o que?! Não entendi foi é nada, Dr. Boa.
- Tu ganhaste na quina, cabra! Tu és um homem rico e, andando de ônibus lotado? Pirou? O que houve? Perdeste toda a tua grana pro ex-presidente Fernando Collor, é isso?
- Não! Deixe de ser besta, sô! To andando de ônibus porque este é meu hobbie. Todo dia, me levanto cedo e pego um ônibus circular e vivo circulando até bater o sino do meio dia. Depois almoço bem na pratata popular do “um real” e, volto pro circular.
- Mas, peraí! Teu dinheiro acabou?
- Acabou foi nada. Meu dinheiro se multiplicou, Dr. Boa, mas, o que posso fazer se é esse meu hobbie?
Sem comentários, sô de Souza ou qualquer coisa.
Conheci Andrea desde menininha. Hoje a mocinha tem 23 anos e é formada em Psicologia. Que moça linda, sô! Inteligente que só a peste bubônica pra exterminar tudo e todos. Acompanhei o esforço, o trabalho árduo de seus pais para pagar os estudos da ninfeta, única filha. Loura linda, olhos azuis feito o oceano de Djavan, enfim, um pêssego. Estive no baile da sua formatura. Até o Lula estava lá e, eu também, é claro.
Dias atrás, entrei numa lanchonete em Curitiba, tomei uma coca light. Fui ao banheiro e, pode parar! Quem era aquela jovem bonita que estava fazendo uma faxina geral no banheiro dos homens? Não pode ser. Era ela mesma:
 Josiléia, uma grande amiga minha que, por não ter estudado, a única coisa que conseguiu na vida foi um emprego de faxineira. Achei bonito isso, pois, afinal, toda a profissão é boa, portanto, não reclame se tudo o que a vida lhe deu foi isso, Nenê!

Conheci uma senhora bastante idosa, literalmente falando, bem velhinha mesmo e fiquei admirado com o que vi. Todos os dias, debaixo de sol quente e chuva fina ou grossa, a velhinha subia no topo de um morro com sua bengala. Pensem num morro alto. Aquela velha arcada com as pernas tão finas feitas as antenas de uma barata subindo e descendo aquele morro. Tive que pergunta-la:
- Minha senhora, por que é que todos os dias, a senhora sobe e desce esse morro? Acaso, pagas alguma promessa?
A velhinha me diz com aquela cara de misericórdia rutiana:
- Não pago promessa não, tio. Isso já era, boneco. Subo e desço aquele morro pro pessoal ficar com pena de mim. Faço isso também porque tenho a esperança de ser um dia filmada pelas câmeras do Fantástico da Rede Globo.
Sem comentários.




Félix (olha o nome do cara) tinha uma beleza capaz de atrair a mais bela de todas as mulheres do mundo. Boysão atleta, olhos mais verdes do que o “green” , enfim, bonito era apelido. 





Vejam bem: Não tenho preconceito de raça, cor, mas, faça-me o favor, sô! O camarada escolheu a mais feia de todas as mulheres do mundo para ficar a seu lado o resto da vida. Eu morro e ainda assim, não vejo tudo. É mole ou quer mais?



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UM CONVITE ESPECIAL



Genésio era um nordestino porreta, trabalhador e muito saudável. Tinha apetite de leão para a comida. Trabalhava na roça e, sempre ao meio dia, chegava a sua humilde casa, no topo do morro do sertão, com uma fome do cão. Uma panelada de buchada de bode cozida para o cabra sertanejo era pouca. Gesiléia, sua mulher, ficava feliz de ver seu marido como assim com tanto gosto, com tanto apetite.
Sucedeu que, um dia, Genésio recebeu um convite por telefone, que vinha do sul do Brasil. Era Jupira, um amigo catarinense.
- Como está você, amigo Genésio?
- Estou bem.
- Que tal vir conhecer minha terra, minha gente e nossa cultura?
E assim, Genésio pega todas as suas economias, deixa sua mulher e seis filhos chorando e se manda para o sul, para a cidade de Mafra. Foram três dias de viagem e, seu dinheiro acabou. Não temeu o perigo, pois, disse a si mesmo:
- Pegarei um trabalho de peão de obra aqui no sul e logo terei o dinheiro da volta para a minha terra.
Chega à rodoviária de Mafra amarelado de tanta fome. Tinha umas moedas no bolso e pensa logo nuns torresminhos ou umas linguicinhas fritas. O que?! Coitado! Isso não existia ali não, sô! Só viu nas estufas umas coxinhas que não foi com a cara e café era requentado e, pior do que isso: seu pouco dinheiro não dava para consumir aquilo não. Liga para Jupira a cobrar, como combinaram e duas horas depois, Jupira chega até lá.
- Estava vendo o jogo. Que satisfação revê-lo amigo Genésio. Tais meio amarelado. É fome? Tais com fome? É fome? Chegou na hora certa. Vamos para a minha casa.
Genésio estava com um bafo quente na boca do estômago, de tanta fome que dava dó, sô! Finalmente agora, tiraria a barriga da miséria na casa de seu amigo Jupira.
- Antes de chegarmos a minha casa, amigo Genésio, vamos dar uma passadinha na casa do Pastor Alaor. Este homem é um amor. É uma bênção e suas orações são boas. Consegui um bom emprego de servente pedreiro graças às orações dele. Tens fé? Tens que ter fé. Tem fé?
Chegam à casa do tal Pastor Alaor. Vixi! Pensem num homem falante. Pensaram? O homem era chegado num bate papo “crente fanático” que só pela misericórdia da paciência. O homem conta para Jupira e Genésio histórias bíblicas desde Gênesis a Apocalipse. Genésio de amarelo ficou azul de tanta fome. Não lhe foi servido nada e, após duas horas de bate papo, o Pastor Alaor diz:
- Nem só de pão vive o homem, mas de cada palavra que sai da boca de Deus. Vão em paz irmãos e levem suas bênçãos.
Finalmente, seguem a caminho da casa de Jupira.
 Louriça, mulher de Jupira da à notícia:
- Pensei que não vinham mais. A costela assada e a baciada de maionese se foram. Chegaram aqui uns irmãos de longe e aí rasparam até a grelha da churrasqueira.
Jupira fica preocupado.
- Se bem que eu almocei bem antes de ir busca-lo na rodoviária, amigo Genésio, porém, estou preocupado com você. Tais com fome? Tens fome? Mulher traga uma copada de café com leite e bolo de fubá doce pro meu amigo que veio de longe.
Vixi! Sinceramente, quando se está com fome de sal, matar a fome com açúcar é indiscutivelmente terrível, sô! As lombriguinhas nordestinas odiaram isso, porém, para que não entrassem em óbito aceitaram, mas, mostrando os dentes.
Quando chega a noite, Genésio estranha o sistema daquela gente. O fogão, impecavelmente limpo e, pior: desligado. Não se via panela alguma cozinhando algo.
Jupira, meio sem jeito, diz ao amigo:
- Não temos o hábito de jantar aqui no sul, amigo Genésio. Mas, tais com fome? Tens fome? Daqui a pouco vai sair um leite quente e ainda tem uns bolos de fubá doce. É doce. Gosta de doce?
Fazer o que, não é? A princípio, Genésio estava odiando tudo, mas, não deixou transparecer isso.

No dia seguinte, Genésio acorda pelas 5 h da manhã ouvindo o galo Catarina cantar. Vixi! Estava avermelhado de tanta fome. Não o galo, mas, Genésio. Topou na cozinha com o amigo Jupira.
- Veja bem, amigo Genésio, vou trabalhar daqui a pouco e, não vai me levar a mal, porque, entende? Vou trabalhar daqui a pouco e, espero que me entendas, entende? Primeiramente, bom dia. Para que o povo daqui do sul não fique comentando, deixa-lo aqui a sós com minha mulher, não vai pegar legal, entende? Quer ir trabalhar comigo? Topa encarar uma obra? Vai receber um dinheiro legal e...
- É claro que eu topo, amigo Jupira.
E assim, Genésio e Jupira, após tomarem uma copada de café com leite e comerem bolo de fubá doce vão para o trabalho. Custou para chegar meio dia. As lombrigas nordestinas de Genésio estavam revoltadas como se pudessem perguntar: “Cadê o sal seu animal?” Finalmente, voltam para casa de Jupira e, desta vez, ambos famintos. Louriça, a mulher de Jupira, dá uma triste notícia:
- Pois é, e não é que faltou o gás? O leite está meio morno e o bolo de fubá doce acabou. Fritei uns bolinhos de trigo doce na casa da vizinha. Está uma delícia.
O que é isso Jesus do SUS?! Chega de doce, Nenê! Fazer o que, né? Foram três dias de copadas de leite com bolinhos de trigo doce, até que Jupira e Genésio receberam e compraram o gás. Genésio queria bancar o almoço.
- Amigo Jupira, me leve num supermercado que quero comprar uma carninha e, faço questão de preparar uma comida pra gente.
Foram ao supermercado e, Genésio, com todo o prazer faz uma compra de carne fresca.
Eta peste! As lombrigas nordestinas faziam festa dentro de Genésio. Chegaram famintos a casa de Jupira e, vixi! Danou-se tudo de vez! Toparam de cara com um urso Catarina no interior da casa. Ô louco, sô de Souza ou qualquer coisa! De onde veio aquele urso? O miserável ainda saiu arrotando. Louriça serviu aos famintos biscoitos de fubá doce com leite quente e boa. Foi quando Genésio, aperreado soltou um peido estúpido, deu uma porrada na mesa de mármore e disse:
- Glória! Amanhã estarei voltando para a minha terra, amigo Jupira e amiga Louriça.
Só que o coitado ainda teve que trabalhar mais três dias para juntar o dinheiro da volta para o nordeste. Nestes dias, só comeu doce. Jupira queria economizar para comprar uma rede.
Genésio, finalmente recebe seu sagrado dinheiro e, quando ia para a rodoviária comprar sua passagem, veio um tornado com Tony e tudo. Aquilo era um ciclone. Voou tudo pelos ares, Buenos! Gritava Genésio: “E meu dinheiro?” Dinheiro? O coitado caiu num desespero da peste. Decidiu ir embora daquele lugar predisposto a nunca mais voltar. Foi para a estrada tentar conseguir uma carona. Finalmente conseguiu. Que alegria! O cara ia para a Bahia.
- Da Bahia até Alagoas tu vai encontrar muita gente boa, vice?
Genésio, totalmente enfraquecido se apaga num sono profundo e acorda mais fraco ainda ouvindo o motorista baiano do caminhão lhe falar:
- Rapaz! Só faltou mesmo eu lhe dar um beijo na boca para lhe acordar, vice? Parei para abastecer num posto e tinha lá uns políticos honestos pagando rodízio de carne pra toda a galera. E tu, tatú? Parecia um bobo louco roncando, vice? Perdeu a carne. Tem uma caixinha de leite ai pra ti. Quer leite? Tem leite. Gosta de leite?
Genésio pensou em morrer naquela hora. Suas lombrigas nordestinas ao ponto de entrarem em óbito e, finalmente, chegam à Bahia. Eta, peste! Sarapatel, caruru! Vai tomar no copo ou vai tomar no bico da garrafa, amigo Genésio? O que mais tinha na Bahia era carne, sô! Gosta de carne? Tem carne. Vai querer carne? Ao sentir um cheirinho temperado de carne assada, Genésio fica tão louco que cai, bate a cabeça na guia da calçada baiana e só acorda três dias depois no hospital tomando soro na veia. Vixi! Sua mulher veio lhe buscar lá de Alagoas e, o homem estava tão fraco, mas tão fraco que, se soltasse um peido calmo, o coração não iria resistir. Genésio se recuperou. Conseguiu alegrar suas lombriguinhas nordestinas comendo carne. Eta peste! Uma semana depois, liga para Jupira, o amigo Catarina.
- Como está você, amigo Jupira?
- Estou bem.
- Que tal vir conhecer minha terra, minha gente e nossa cultura?
E assim, Jupira recebe seu pagamento e decide ir para Alagoas. Metido feita uma besta quadrada ou redonda vai de avião até Maceió (capital) e, de lá pega um taxi até Palmeira dos Índios, onde morava seu amigo Genésio.
- Que satisfação revê-lo, amigo Jupira. Chegou bem na hora da bóia. Tais com fome, homem? Não te avexe não, vice?
E Gesiléia, esposa de Genésio serve num tigelão uma buchada de bode bastante apimentada para Jupira, que parecia não ter gostado daquela comida.
Genésio falava com a boca cheia.
- Rapaz, passei foi é fome na tua terra, vice? Tu pareces que vive feitas as formigas, homem! Só come doce. Aqui tem é fartura e não essas frescuras de frituras de bolo doce não, vice?


De repente, Genivalda, uma das filhas de Genésio solta um peido.
- Saúde, minha filha! Vice que bonito, Jupira? Isto significa a gratidão das lombrigas. 

Josicriléia, uma das filhas de Genésio arrota e também solta um peido.
- Saúde, minha filha! Olha só que bênção, amigo Jupira! É uma satisfação para um pai ver seus filhos arrotarem e peidarem, vice? Na tua terra eu não escutei foi nem um peido. Mulher, sirva mais uma tigelada de buchada de bode para Jupira, meu amigo Catarina.
Jupira se avermelha todo.
- Não, amigo Genésio! Estou satisfeito;
- Deixe de mentira, cabra! Tu nem peidastes. Não vai querer fazer desfeita da buchada da minha mulher, não é?

E Jupira tenta comer forçada aquela comida. 


De repente, Julisnácio, um dos filhos de Genésio arrota e peida.

- Saúde, meu filho! Papai fica feliz com isso.
Gesiléia também arrota e peida.
- Saúde, mulher!
Jupira estava tendo uma congestão alimentar e não resistiu: vomitou tudo o que comeu sobre aquela mesa. Genésio fica admirado.
- Vixi! Que coisa feia! Tu és um cabra fraco demais, homem!
Jupira defeca na calça porque não deu tempo de chegar ao banheiro. Horas depois acorda num hospital tomando soro na veia. Genésio vai lhe visitar.
- Amigo Jupira, dei uma ordem porreta aqui pra enfermeira, vice? Como você é meu convidado especial, não era pra ter vomitado aquela buchada de bode, vice? Este soro que tu tomas na veia é puro caldo de buchada de bode doce, entendestes? Vai voltar pra tua terra forte feita uma cabra da peste doce, vice?
Jupira desmaia. Dias depois, recuperado, da um perdido naquele hospital e volta de avião para a sua terra. Por pouco não jogam ele das alturas, pois, o homem arrotava e peidava feito um bode, sô!