segunda-feira, 18 de junho de 2012

DICAS BOAS DO DR. BOA



Não tente explicar aquilo que você não sabe.
Não tente entender aquilo que não convém.
Fale sempre o necessário ou cale-se.
Não crie um personagem querendo esconder-se atrás dele para justificar (você) o seu fracasso.
Seja o que é: forte ou fraco seja você.
O que se sabe é que ninguém sabe tudo
O conveniente é entender o bem
Na necessidade de falar o melhor é calar-se
A criação é luz, é impossível esconder-se dela
Ser o que é,é reconhecer que faz parte do grande universo que não tem fim. Respeite a vida.

A CONVERSÃO DOS CACHORROS




Certa manhã a cidade pacata de Sertãozinho, interior de São Paulo, despertou com uma pregação infernal de um fanático religioso. O homenzinho montou um palanque bem no centro da praça central e, com um microfone em mãos dizia em tom bem alterado:
- Criaturas que ainda não são meus irmãos em Cristo, arrependam-se dos seus pecados porque a hora é agora. Venham fazer parte da grande família de Deus. Fujam do diabo e seus demônios se não quiserem passar a eternidade no inferno.
Um senhor já bastante idoso, muito educado, se aproximou daquele fanático religioso e disse-lhe:
- Filho de Giré, essa sua pregação não vai dar em nada. Quem gosta de mico é a macaca e, quem tem fome da palavra é a cachorrada.
E aquele crente ficou furioso:
- Saia deste corpo, Satanás!
O senhor idoso conseguiu acalmá-lo lhe pagando um café requentado no boteco “balança teta”, próximo daquela praça e  dizia para o crente:
- Coceira de Giré, não me interrompa agora, pois o que tenho a lhe dizer é sério, objetivo e real.
- Sou todo ouvidos, caro ancião.
- Esta pacata cidadezinha sertaneja não carece de conversão, não. O povo daqui já é convertido. Cada um tem sua crença e, pra resumir: toda família é uma bênção. Agora, ferida crônica de Pagé, tem uma turminha meio grande que carece sim de sua pregação.
O fanático religioso doido para pregar como um prego que pra nada mais tem utilidade, regalou seus olhinhos de peixe gordo e indagou:
- Que turminha é essa, velhinho enviado de Deus?!
E aquele velhinho sábio, sem piscar seus olhos inteligentes disse-lhe:
- Quem precisa de sua pregação são os cães, ou melhor: os cães e as cadelas também. A maioria está nas vilas.
E o crente ficou vermelho de tanta fúria:
- Tá me tirando pra lók, meu?! Que espécie de cães e cadelas está me falando?
- Falo dos cachorros, choro de Exu das águas de São Francisco.
- Cachorros?! Mas eles são animais irracionais! Não entendem nada.
- Engano seu, vírus da vovó Cudores. Cachorros e cadelas são estressados por natureza. Os bichos já foram criados com raiva, só pode ser. Fazem um barulho insuportável e infernal e tem gente que ainda curte essa maldita poluição sonora. Eles sim estão endemonhados, precisam de conversão.
- Mas, como já lhe disse, caro enviado de Deus, são animais irracionais e não entendem nada.
- Bactéria de embrião, eles entendem tudo e, para entendermos eles um pouquinho melhor, faça o seguinte: vá para as vilas e leve consigo tripas de boi, intestino de porco, pezinhos de galinhas e, se isso lhe sair caro, leve bosta de bebês, pois os cães adoram. Em sua primeira pregação eles vão te odiar, é claro. Mas, quando fizeres a distribuição das tripas, etc.; eles vão te adorar. Fale para eles da calma que teve o filho de Giré com as imundícies humanas que foram lá ouvir sua pregação só porque ia rolar pães e peixes e, que não vale à pena latir à toa e boa. Será recompensado por isso, meu amigo lombriga do umbigo.
E no dia seguinte lá estava aquele fanático religioso na vila fazendo a sua pregação para a cachorrada que, a princípio queria lhe comer a alma de tanta raiva. Mas, cachorros são espertos. Foram se adaptando aos poucos porque sabiam que após a pregação iam ganhar tripas, pezinhos de galinhas e até mesmo uns ossinhos, por que não?
E aquele fanático religioso sentia-se feliz e dizia a todos que sua morada no céu estava garantida e que lá tinha até mesmo lugar reservado para os cachorros. Com o tempo, outros fanáticos religiosos aderiram essa brilhante idéia e a coisa pegou. E nas vilas só reinava a paz entre cães e cadelas...
Vendedores ambulantes, carteiros, testemunhas de Giré e todos aqueles batedores de palmas nos portões (que os cachorros acham que são deles )também entraram nesse ritmo: levavam para os bichinhos domésticos o pão deles de cada dia e, quer saber? Isso virou lei.
Só que, literalmente falando: danou-se tudo. Os ladrões também aderiram essa idéia e o prejuízo foi tamanho, mas aí já é a “conversão dos ladrões” que já é uma outra história.

CONFUSÕES MENTAIS

Meu nome é Elias, tenho 25 anos e, como muitos, também tenho uma história pra contar.
Nasci em berço evangélico. Meu pai era pastor e minha mãe obreira. A doutrina era muito rígida. Não tínhamos televisão em casa porque isso era proibido. Tínhamos apenas um rádio que ficava 24 horas ligado numa estação evangélica. Eu, ainda criança, adorava assistir desenhos animados em casas de coleguinhas que não eram evangélicos como eu. Quando meus pais descobriram isso apanhei muito. Pior do que apanhar era ouvir da boca do meu pai que eu iria passar a eternidade no inferno, um lugar de tormento e fogo eternos junto do diabo e seus demônios, caso não me arrependesse. Assim, peguei trauma de televisão e, lá estava eu de joelhos dobrados pedindo perdão a Deus.
Quando eu tinha 12 anos aprendi a jogar xadrez na escola onde eu estudava e, minha professora dizia que aquele jogo exercitava a mente a ficar mais inteligente. Participei de campeonatos e fui campeão de xadrez. Meu pai ficou tão enfurecido com isso que jogou minha medalha no lixo, dizendo que toda a espécie de jogo é obra do inimigo. Pior do que isso: ele me tirou da escola e mudamos para um sítio na cidade de Aguaí, interior de São Paulo. Eu tinha saudade de Leme (SP) onde nasci e fui criado. Lá, naquele sítio eu tinha que trabalhar na roça e a noite ir para a igreja. Eu era proibido de ler qualquer livro com exceção a Bíblia Sagrada.
Na igreja, eu ficava admirado vendo e ouvindo meu pai falar em línguas estranhas. Jejuei e orei muito para que um dia eu também falasse essas línguas, mas isso nunca aconteceu comigo.
Aos 16 anos namorei Regina, uma irmã da igreja que tinha a mesma idade que eu e também as mesmas proibições. Eu mal podia tocá-la, porque até isso era proibido, era pecado. Um dia, não resisti: estávamos sós num rancho no sítio e a agarrei. Dei-lhe um beijo de língua e não me contentando com isso, tirei a sua blusa. Todo aquele meu “tesão” murchou quando vi pêlos em excesso em suas axilas. Terminei meu namoro com ela por causa disso e, em casa, minha mãe disse que a mulher serva de Deus não pode raspar pêlos e muito menos cortar o cabelo.
Aos 19 anos, eu não suportando mais aquela rotina do sítio, fugi para a capital, São Paulo. Cheguei lá feito um burro chucro, admirado com o número de edifícios e pessoas. Eu não tinha sequer o primário escolar e precisava de um trabalho e moradia. Busquei auxílio em algumas igrejas evangélicas e, mentia para os pastores dizendo que meus pais abandonaram-me quando eu era ainda criança e, o interessante era que eu conseguia convencê-los. E assim, consegui moradia e trabalho e sentia a presença de Deus constantemente em minha vida.
Conheci uma moça evangélica, porém, de outra denominação. Ela me dizia que pastor era só um e seu nome era Jesus Cristo, por isso era que em sua igreja não tinha pastor. Gostei daquela doutrina e, em pouco tempo desci as águas do batismo. Casei-me com Ruth e vivíamos uma vida plena de felicidade. Eu trabalhava na produção de uma indústria de temperos e ela era caixa de farmácia. Deus me abençoou e consegui comprar uma casa e também uma moto.
Um dia, quis fazer uma surpresa para a minha amada: fui buscá-la em seu trabalho. Senti que meu coração ia explodir naquele momento em que a vi beijando na boca o seu gerente. Ela simplesmente não me disse nada. Saí da frente daquela farmácia em alta velocidade com a minha moto. Fiz algo que nunca tinha feito na vida antes: entrei num bar e tomei algumas cervejas e também comprei cigarros e aprendi a fumar em poucos minutos. Cheguei em casa pelas altas horas e ela já estava dormindo. Eu estava bêbado e com muito temor de Deus por estar assim naquele estado. Chorei muito no sofá da sala e acabei dormindo. No dia seguinte, era um sábado e eu não trabalhava nos finais de semana, Ruth sim. Quando  despertei ela já havia ido trabalhar. Passei aquele sábado numa depressão terrível. Chorei muito. Quando Ruth chegou do trabalho nem sequer me explicou nada e eu também nada falei. Ficou aquele clima tenso e, a noite fomos para o culto. Chegando lá, fiquei surpreso de vez: fui barrado na porta daquela igreja por um dos membros porque descobriram que eu havia bebido e fumado. Pedi perdão, mas não só ele, como muitos membros disseram-me que eu não seria mais aceito naquela doutrina porque meu pecado jamais seria perdoado por Deus.
Ruth chegou em casa com ar de vitória e tivemos uma longa discussão. Seu orgulho falava mais alto: ela não estava arrependida do que fez e humilhava-me ainda dizendo-me que tinha um caso com o seu gerente e que ele sim, era o homem de seus sonhos, de sua vida. No domingo de manhã arrumei minhas malas e fui embora daquela casa que eu tinha comprado. Voltei para Aguaí-SP, para a casa dos meus pais no sítio. Dediquei-me a Deus, aos estudos e em pouco tempo muitas maravilhas foram acontecendo na minha vida. De fato, eu estava servindo a Deus. Voltei a namorar Regina (aquela que fora minha primeira namorada) e, como isso a deixou feliz. Éramos irmãos de igreja, namorados e também grandes amigos. Pedi-a seus pais em casamento e eles aceitaram porque diziam que eu era um homem de Deus. Amei demais Regina. Eu, nessas alturas já era um grande pregador da palavra e viajava por muitos estados brasileiros fazendo missões e evangelização. Eu espelhava-me em meu pai, em sua sabedoria nas coisas de Deus e, para mim, tudo o que ele dizia estava certo.
Numa noite, eu estava pregando a palavra de Deus na cidade de Leme-SP quando, subitamente deu-me um branco na memória. Apagou tudo de vez. Acordei num hospital psiquiátrico e, mais tarde fui transferido para um sanatório na cidade de Itapira-SP. Eu queria entender o por que de eu estar ali naquele lugar e desejava muito, mas muito mesmo rever meus pais, minha mulher ou qualquer irmão da igreja, mas, isso não aconteceu. Eu vivia dopado de medicamentos e, sei que o que vou mencionar aqui é loucura, mas, eu via nitidamente um daqueles personagens dos desenhos animados e ele me dizia: “Vou ajudá-lo a sair daqui”. A visão deste personagem do desenho animado aparecia constantemente para mim. É claro: eu realmente estava louco. E, aquilo me parecia tão real!
No pátio daquele sanatório, eu podia jurar que eu jogava xadrez com meus colegas da infância que também estavam ali. É difícil para eu aceitar que tudo aquilo era o efeito daquelas malditas drogas que injetavam em minhas veias. Eu realmente estava louco.
Meu médico era um homem estúpido e, quase sempre ria de mim. Eu tinha que ficar na sala de espera com outros loucos até ouvir ele me chamar. Finalmente, chegou a minha vez de ser atendido. Para minha surpresa, quando entrei no consultório quem era o doutor? Aquele personagem do desenho animado. Entregou-me algumas chaves e me explicou detalhadamente como sair daquele lugar. E, assim, pelas altas horas da noite consegui fugir daquele sanatório.
Consegui uma carona com um caminhoneiro de Itapira até Mogi Guaçú (SP) e, na estrada, pelas altas horas clamei a Deus que me ajudasse a chegar a Aguaí. Não demorou muito e, um carro parou e, para minha surpresa era Vagner, um amigo da infância. Eu assistia desenhos animados em sua casa. Falamos sobre isso. Ele me levou até a entrada do sítio e disse-me para não fazer besteiras. Não entendi isso. Eu queria rever meus pais, minha mulher e também entender o que acontecera comigo. Cheguei em casa e, que surpresa maldita eu tive, doutor. Meu pai,  aquele pastor de igreja estava transando com a minha mulher. Eu só tinha vontade de matá-los naquela hora, mas, não fiz isso. Queriam dar explicações, mas, eu não queria ouvir nada. Fiquei sabendo que minha mãe havia falecido há alguns meses e chorei muito. Dei as costas para meu pai e para minha mulher e, nunca mais quero revê-los.
Hoje moro só em apartamento em Curitiba, capital do Paraná. Não confio mais em ninguém e, que Deus me perdoe, mas, peguei nojo de qualquer espécie de igreja. Esta é a minha história, Doutor.


Dr. BOA:
- Elias, você, como milhões de pessoas do mundo inteiro nasceu em berço evangélico e, isso, pode ou não fazer bem ao espírito. Em teu caso, isso lhe fez um mal terrível. Você foi criado sob regras de uma doutrina rígida que vamos denominá-la como seita. A invenção da televisão é uma obra de arte como muitas outras. Não é obra do inimigo como descrevia seu pai e, talvez milhões de outros fanáticos religiosos. Desenho animado é entretenimento. A intenção do autor em criá-lo é simplesmente levar ao público infantil diversão e, inclusive tal criação consegue até mesmo cativar o público adulto. Um rádio ligado 24 horas numa estação gospel é fanatismo e, eu digo mais: é loucura. Deus não criou o homem para que este vivesse abaixo de regras e estatutos. Ele lhe deu o livre arbítrio, ou seja: a opção de escolha. Punição moral de que se fizer isso ou aquilo é pecado e, por conseqüência do pecado ganhará como galardão o inferno, um lugar de tormento e castigo eternos é ilusão, é mentira. Isso é o não entendimento das Escrituras Sagradas que faz desses loucos fanáticos religiosos distorcerem a palavra. São preceitos religiosos que simplesmente existem para confundir a mente humana; por maior pecado que um homem possa cometer no percurso da sua vida, que na regra geral é curta, ele jamais vai merecer uma eternidade de sofrimento. Deus é justo e, acima de tudo é amor.
Você relata em sua história que, aos 12 anos aprendeu a jogar xadrez e, que sua professora lhe disse que tal jogo exercita a mente a ficar mais inteligente e, que inclusive foi campeão deste jogo. Sua professora estava tão certa que você ganhou até uma medalha por merecimento; por ter sido campeão de xadrez. Por ignorância doentia do seu pai, ele joga essa medalha no lixo, tira você da escola, lhe proíbe de ler qualquer livro com exceção a Bíblia Sagrada e ainda o leva para um retiro, para um sítio nas mais singelas das intenções de afastá-lo de todos. Naquele lugar, parece que você não teve muitas opções de escolha: trabalhar, morar e ir para a igreja. Que rotina diabólica!
Aos 16 anos, você namora uma garota tão presa a regras doutrinárias quanto a você. Qualquer homem de bom gosto teria nojo de uma mulher que não raspasse os pêlos das axilas. Essas doutrinas que pregam que é pecado cortar o cabelo ainda não entenderam que Deus não se importa com o trançar dos cabelos e, sim com um coração puro. (1 Pedro 3: 1-5). Com isso, você rompe o namoro com Regina.
Você, com a mente totalmente perturbada foge daquele sítio em Aguaí-SP e vai para a capital São Paulo, uma das cidades mais populosas do mundo. Sem estudo e sem profissão, provavelmente sem dinheiro também, busca auxílio na irmandade evangélica que, até então, em seus 19 anos era só isso que você conhecia. Como você deixava transparecer um semblante evangélico não foi difícil familiarizar-se com eles que, apenas te ajudaram nas condições de você estar servindo a Deus, isto é: o mesmo Deus que eles. Foi uma espécie de barganha isso. Então, você em pouco tempo conquista boa moradia, bom trabalho e, conhece Ruth, uma moça de outra denominação. Gosta da doutrina dela e, em pouco tempo desce as águas do batismo e casa-se com ela. Aparentemente, as coisas para você estavam correndo bem. Você compra uma casa, uma moto, graças a seu trabalho e, por querer surpreender a sua amada com sua boa então vai buscá-la no trabalho e se depara com uma cena horrível: a traição. Ela beijava o gerente e, quanto mais coisas esta sem vergonha deve ter feito nas tuas costas. Você sai da frente daquela farmácia em alta velocidade com sua moto e faz coisas que nunca havia feito antes: bebe e fuma num boteco. Isso lhe fez sentir uma culpa terrível e, eu pergunto: e daí? Você poderia ter feito coisas piores como, por exemplo, matar sua mulher e aquele gerente, mas não fez isso, exatamente por temer a Deus. Então, uma doente dessa (Ruth) estava achando que Deus estava importando-se com o seu cabelo comprido e com o banco da igreja que ela esquenta com a sua bunda? Ruth é mais uma vítima das regras doutrinárias de uma seita diabólica. Você bebeu e fumou, e daí? Está certo de que beber e fumar não é e nunca será uma coisa boa, mas, pior do que isso foi o que fizeram com você naquela seita.  Anime-se: Isso só deixou claro para você que num lugar como aquele Deus não habita. Então, você separa-se de sua mulher e volta para a casa dos seus pais, em Aguaí-SP.
Chegando lá, com a ajuda de um personagem de desenho animado, você presencia uma cena inesperada: seu pai, aquele pastor de igreja, transando com a sua mulher. Que cena! Sim, cena como essa que você presenciou não deixa dúvidas: isso chama traição.
Esse personagem que aparecia a você o tempo todo era uma alucinação da sua mente. Teu subconsciente queria te mostrar que você é livre; que jamais nasceu para ficar preso as proibições; acredito, piamente que você jogava xadrez com seus amigos naquele sanatório. Tudo isso era o reflexo de sua mente. Punições morais, castigos, sermões e, enfim, tudo aquilo que você sofrera no passado caiu à tona. Isso só serviu de lição a você, Elias.
Temer a Deus é importante, mas, lembre-se que este Deus é tão humano quanto a você; Ele, é pai e também amigo; importa-se com sua vida porque Ele, verdadeiramente te ama. Não é um homem louco de terno e gravata, segurando uma Bíblia nas mãos que vai te levar ao Pai.
Você se libertou da hipocrisia.  Fugiu dos fanáticos religiosos que queriam te iludir com preceitos doutrinários que não provém de Deus, que é sábio. Você é livre para ir e vir, porém, use de cautela naquilo que fizer no percurdo de sua vida. Nunca mais se iluda com seitas, porque elas sim podem te levar para o abismo. Exponha para o universo todos os seus desejos e, ele, sem dúvida te mostrará o melhor dele. Parabéns pela sua libertação e pelo respeito a vida. Esteja certo de que, o Autor da Vida, que é justo lhe dará um excelente galardão.

sábado, 16 de junho de 2012

É O CARA



Cara, meu nome é Mara. Conheci um cara, cara que pensei ser o cara, mas, não era o cara, cara. Putz cara! Ele não foi com a minha cara e, cara, quer saber? Também não fui com a cara dele, cara. Agora, cara, me responde olhando para minha cara: se esse cara não era o cara que eu pensava ser o cara mas, não era o cara, com que cara eu fico cara? O cara bateu na minha cara, cara! Quando eu disse que ele não era o cara que eu pensei ser o cara, cara, ele virou-me a cara, cara. Então, cara, com que cara eu fico agora? O pior de tudo cara, é que eu acabei gostando daquele cara que não foi com a minha cara e eu já estava indo com a cara dele, cara. Hoje, cara, não sei mais onde está esse cara! Eu sofro muito cara! Estou aqui Dr. Cara para o senhor que “É o Cara” me dizer olhando para minha cara, cara, o que devo fazer para esquecer desse cara. Porque cara, sem esse cara eu nem sequer tenho cara, cara.
DR. BOA:
- Cara, esse cara é o Elefante. Não esqueça jamais dele, cara, quer dizer, Mara, porque ele jamais vai esquecer de você, entendeu, Cara?

quinta-feira, 14 de junho de 2012

O DESTINO DE SEVERINA


Severina Aparecida Leida de Almeida nasceu por alegria do destino na Alemanha. Dona Leida e Seu Almeida eram seus pais nascidos no sertão da Paraíba e trabalhavam numa das fazendas do velho Fritz, um ricaço alemão.
O velho Fritz não tinha mulher, nem filhos e adorava a moleca Severina demais. Agradava ela com docinhos e balinhas e lhe dava também presentes bons e caros. Para se ter uma idéia, quando a moleca completou seus 15 anos já dominava pelo menos umas quatro línguas já inclusa a língua alemã.
A moleca Severina era virada numa Patricinha de primeira. Só usava tênis e roupas de marcas e não comia qualquer coisa não. Não se sabe onde foi que ela ouviu um dia que comer em demasia é antiético e a moleca só beliscava a casca da batata dizendo que aquilo era social.
Dona Leida e Seu Almeida lascavam-se na lavoura debaixo de sol ou chuva enquanto Severina e o velho Fritz de boas vidas tomavam suco de uva. Eta, febre nas virilhas! Que maravilha! Como a vida é linda!
Dona Leida e Seu Almeida não tinham direito ao conforto e ao luxo, não, rapá! Quem via o barraco que eles moravam na fazenda levava um susto. Era feio demais, gente. A moleca Severina morava no castelo amarelo do velho e tinha um quarto tão grande que se perdia dentro dele. Eta peste meu! Melhor que isso, só Deus!
Sucedeu que, numa noite, o velho Fritz assou um marreco gordo, fez um saladão de repolho com chucrutes e convidou Dona Leida e Seu Almeida para ceiar mais ele, juntamente da moleca Severina. “Não baba louco! Vê se come pouco”. Os pais de Severina estavam tão esfomeados que comeram até a cabeça com bico e tudo do marreco e dá-lhe vinho pros velhinhos. Horas depois foi aquela peidorreira das guerreiras. “Mas, que reiva dessa diarréiva”! Os intestinos dos pais de Severina foram pro pau de vez e nem o SUS do Brasil resolveria essa bexiga de problema. Os médicos diziam que o melhor que eles poderiam fazer era peidarem para o excesso de o gás sair. Cada peido vinha água por todos os lados. Só que eram águas escuras.
Por alegria do destino do velho Fritz, Dona Leida e Seu Almeida morreram juntos e abraçados e, os coitados estavam todos cagados. A moleca Severina chorava feito uma doida. Foi muito triste a falência de seus pais para ela. No dia seguinte, ela mais o velho Fritz estavam na Disney, lá dos states. O velho Fritz queria consolar a moleca e não era dando-lhe uma boneca que tudo ficaria resolvido. Por isso foi que ele a levou para os Estados Unidos.
O velho Fritz gostava dessa moleca demais, mas demais mesmo. Voltaram para a Alemanha, para o castelo amarelo e chega de tristeza. O velho queria agora só alegria. Tomou um porre de vinho paraguaiano e começou a fazer umas gracinhas que deixou Severina aperreada. Eta gota que sai, velho Satanás! Ele queria ver a moleca dançar aquela do “tchan” e o velho insistia e persistia e nada da moleca ceder. Prometeu a ela levá-la no show de Luan Santana no Brasil e ela dançou até a “Pipa do tio”. E o velho babava. Seria o vinho? Não. Ele estava tendo um ataque de epilepsia. Como estava perdendo o fôlego Severina lhe fez uma respiração boca a boca e boa. O velho voltou às origens rapidinhas. Foi aí que ele acertou. Não vacilou. Deu-lhe um beijo de língua e gol. Severina gostou tanto daquele beijo que até pediu o velho em casamento. Por pouco ela não matou aquele velho com aquele convite. Na semana seguinte lá estavam os dois no cartório assinando papéis e aquela coisa toda, Casaram em regime imparcial de bens. O único bem que Severina tinha era ela mesma, e mesmo assim, nem dela era, era do velho. “Sacode seu saco, macaco porque se eu entro neste mato eu te mato”. E o velho deu uma festa das tripas, até o espírito de Elis Regina tava lá pra cantar com João Mineiro “Alô, alô marciano”. “Eta Leida que morreu nas peidas”.
O velho Fritz não queria mais morrer, não. Jurou que se morresse antes de Severina (o que seria mais provável) viria buscá-la.
Sucedeu que alguns anos passaram e nada de Severina engravidar e, o sonho do velho Fritz era deixar sua semente. Não tinha jeito e ele queria um filho mesmo que viesse com defeito.
Severina estava muito saidinha para o gosto do velho. A cabra pegava um de seus carros e dava um rolê pela a Europa e o velho queria morrer de tanto ciúmes. Na realidade, ela queria mesmo era se livrar da imundície daquele velho, rapá. Assim, ela ainda jovem, desfrutaria da boa grana dele pro resto da vida. Estava mesmo querendo que ele morresse, entendeu?
Sucedeu que numa noite ela preparou um jantar pro velho Fritz a moda brasileira: buchada de bode. E o velho comeu tanto que queria era mais. E, naquela noite foi um pesadelo para Severina. O velho soltou tantos gases que se explodiu na cama. Severina ficou apavorada. Ela se arrependeu de ter matado o velho com aquela buchada de bode. Chorou feito um bezerrinho.
Depois do velho enterrado, ela volta pro castelo amarelo e festeja sozinha. A danada toma até rabo de galo. Finalmente, agora ela era uma viúva rica. Será? Acorda assustada pela madrugada. Danou-se tudo: Hitler e toda a Alemanha invadiram o castelo amarelo e ela se caga toda. A pedido de Hitler, ela teria que sair não só do castelo amarelo como da Alemanha em 24 horas senão Hitler iria judiá-la. Mesmo ela não sendo uma judia, temia muito. Foi se embora do Brasil, pro sertão paraibano sem um mísero centavo no bolso. Casou-se com Jubelézio e em pouco tempo encheu a casa de filhos. Que pobreza! Quantos dias de seca e fome! Se ela soubesse que Hitler e toda a Alemanha apareceram para ela só em sonhos, não estaria nessa miséria. O velho Fritz deixou pra ela toda a sua herança. Pelo menos metade da Alemanha era de Severina.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

DR. BOA ENTREVISTA MARVIN (PARTE 1)





DR. BOA:
- Vicente Gomes Gonçalves Filho, por que Marvin?
Marvin:
- Apesar de eu ainda não ser reconhecido, é meu nome artístico. “Mar” vem de Maria e “Vin” do Vicente que veio ao mundo.
DR. BOA:
- Você é um homem feliz?
Marvin:
Acho que totalmente feliz ninguém é. Creio que a felicidade é uma conquista e vivo em busca dela.
DR. BOA:
- Qual é o teu maior sonho?
Marvin:
- Ser reconhecido como artista.
DR. BOA:
- Você é apaixonado por músicas. Cite alguns artistas que admira.
Marvin:
- Admiro muitos artistas, mas, falando em música eu admiro muito o cantor Bob Dylan. O que ele compõe é muito bom. Seu violão, a harmônica e sua voz são de um talento fantástico! Entre outros admiro também Riccardo Cocciante, Chico Buarque de Holanda, Cazuza e Maria Bethânia, que é a minha cantora predileta.
DR. BOA:
- Você gosta de animais?
Marvin:
- Sou apaixonado por gatos e toda a família de felinos. Admiro o canguru, o condor e também o coelho. Cachorros, eu não vejo graça, sejam eles de quaisquer raças.
DR. BOA:
- Gosta de crianças?
Marvin:
- Adoro as crianças na regra geral porque elas são puras e falam sempre a verdade. Adoro contar para elas estórinhas que invento na hora só para ver suas carinhas querendo me perguntar “e agora? O que acontece no final?”
DR. BOA:
- Você é pai de quantos filhos?
Marvin:
- Biologicamente, que eu saiba é oito. Não fui legal com eles no passado e, creio que hoje nenhum deles gosta de mim. Não vou passar minha vida toda chorando por eles ou ficar me justificando. Já fiz isso e não adiantou nada. Só espero e desejo do fundo do meu coração que seus destinos sejam diferentes do meu.
DR. BOA:
- Você já é avô, inclusive.
Marvin:
- Meu neto nasceu e acho que minha filha deu esta boa nova até para o sapateiro da vila descalça, menos para o seu pai. Se isso para ela é uma forma de cobrança que ela volte a ser criança e ouça Cauby cantar.
DR. BOA:
- Você tem amigos?
Marvin:
- Tenho muitos colegas. Amigo de verdade mesmo, nenhum.
DR. BOA:
- Você ama alguém em especial?
Marvin:
Amei de verdade uma única mulher, mas depois a vida me mostrou que ela era apenas mais uma das minhas ilusões. Dei a ela uma garotinha e essa garotinha cresceu numa frieza de cálculos assustadora. Ela é saudável, muito inteligente por sinal, mas seria muito mais se não fosse tão fria e calculista. É mais uma mimada. Tem que ouvir Cauby cantar.
DR. BOA:
- Parece que seus filhos são revoltados.
Marvin:
- Isso é problema deles. O papai aqui continua fodido neste mundo capitalista e, se além de amor e carinho eles ainda querem danoninho, não posso fazer nada. Um dia, vou prestar contas com Deus do meu abandono. Se perdão para eles ainda é pouco, eu sinto muito. Um de meus filhos está até na Europa, isso não é lindo? Não precisa ficar me jogando na cara que isso é graças à heroína de sua mãe, que eu já sei. Querendo eles aceitar ou não é graças a mim que todos eles estão no mundo e ponto final.
DR. BOA:
- O que me diz dos homossexuais?
Marvin:
- Na carta sagrada diz que os afeminados não vão entrar no reino de Deus. Tem gente que jura que sou um homossexual e devem estar loucos para conhecerem a minha bunda. Não tenho nada contra eles porque tudo isso é carne e ela um dia vai envelhecer morrer e apodrecer. Cada qual com o seu carnaval. Confesso que o que faz arrepiar mesmo até os pelos do meu saco que são muitos é uma voz feminina em meus ouvidos me cantando Marisa Monte.

DR. BOA:
- Na tua opinião, anjos têm sexo?
Marvin:
- É evidente que anjos têm sexo. Se o camarada ler a epístola de Judas versículo por versículo vai chegar à mesma conclusão que eu. Afirma que os anjos cometeram o pecado da concupiscência e se prostituiram com mulheres. Lendo o Gênesis capítulo 6 está claro de que os “filhos de Deus” são anjos. Em Mateus 22: 30 afirmam que os anjos não se casam, mas isso não significa que eles não tenham sexo. Até mesmo os insetos têm sexo. Macho e fêmea existem até mesmo nos céus, por que não?
DR. BOA:
- Deus é masculino ou feminino?
Marvin:
- As Escrituras Sagradas concordam de que Deus se revelou a humanidade na forma masculina. Deus é uma pessoa obviamente, porque Deus demonstra todas as características de uma pessoa: Deus tem uma mente, desejo, intelecto e emoções. Deus se comunica, tem relacionamentos, e as ações pessoais de Deus são evidenciadas por toda a Bíblia. Para começar, a Escritura contém quase 170 referências de Deus como “Pai”. Isso implica de que uma pessoa não pode ser um pai a menos que seja masculino. Se o objetivo de Deus tivesse o de se revelar ao homem na forma feminina, então a palavra “mãe” teria sido usada nessas passagens, não “pai”. Tanto no Velho como no Novo Testamento, pronomes masculinos são usados freqüentemente em referência a Deus. Jesus Cristo se referiu a Pai várias vezes, e em outros casos usou pronomes masculinos em referência a Deus.

DR. BOA:
- É verdade que você internou sua mãe num sanatório?
Marvin:
- Minha mãe precisava de cuidados médicos. Ela gritava e falava coisas sem nexo; sua mente estava confusa e seu semblante era assustador deixando transparecer o seu sofrimento. Eu era muito jovem na época e meus irmãos mais velhos deviam estar de férias porque raramente iam lá a casa. Não tenho culpa se o único hospital da cidade de Franco da Rocha (onde morávamos) era um sanatório também. Chamei simplesmente a ambulância, porque minha mãe estava sofrendo muito, mas, muito mesmo. O que ouvia na época é que eu era um vagabundo, oportunista, frio e calculista, viado e outros pejorativos que não vale a pena relembrar. Estavam poucos se importando com as minhas qualidades, se é que as tinham para eles. Entrei em paranóia com a minha mãe porque ela pedia socorro com os olhos. Busquei ajuda para ela até mesmos em centros de umbanda, candomblé, igrejas evangélicas, mas, foi tudo em vão. Eu chorava muito e nestas horas não aparecia um filho da puta para ver se minhas lágrimas eram de crocodilo. No princípio da doença mental de minha mãe quem a levava para o cinema, ao restaurante e até em centro espírita era eu. Ela morreu no dia 8 de outubro de 1985 as 23 h e 15 minutos depois apareceu para mim. Fui o primeiro, a saber, de sua morte. Depois os médicos e, por último a minha família. Eu amo a minha mãe até hoje e ela sabe disso porque, para mim, ela não morreu. Continua presente em minha vida em tudo aquilo que eu faço; só Deus e nós sabemos disso.
DR. BOA:
- É uma história impressionante, sem dúvida. Sua mãe morreu em outubro e no mês seguinte você conheceu Rosana?
Marvin:
- Rosana apareceu na hora certa. Ela havia perdido seu pai recentemente e eu minha mãe. Namoramos e, logo nos casamos.
DR. BOA:
- Você a traiu com sua cunhada?
Marvin:
- Esta culpa eu não vou levar sozinho, Doutor. Já passava das duas da manhã quando na cozinha jogávamos baralho, ou seja: eu, minha mulher, minha sogra e minha cunhada. Senti pés acariciando minhas pernas por debaixo da mesa e pensei que fossem os pés de Rosana, mas eram os de minha cunhada. Assim que minha mulher foi tomar uma ducha, minha cunhada se atirou na cama e me beijou loucamente. O meu maior pecado foi ter gostado desse beijo e, nos dias seguintes fazíamos carícias as escondidas. Para o inferno eu não levarei esta culpa sozinha, só digo isso.
DR. BOA:
- E, hoje, você namora?
Marvin:
- Só em sonhos. Pretendo arrumar minha vida primeiro, para que eu não desarrume a vida da parceira.
DR. BOA:
- Qual o tipo da mulher que você gosta?
Marvin:
- Adoro as louras. Se tiverem olhos verdes, cabelos longos forem magras e altas; com voz grave e suave; inteligentes e sinceras, eu gamo.
DR. BOA:
- Você tem algum fetiche?
Marvin:
- Adoro pés e mãos femininos, calçados, em especial as botas e as sandálias.
DR. BOA:
- Uma mulher bonita para você:
Marvin:
- Só uma? Raquel Welch.
DR. BOA:
- Um homem bonito:
Marvin:
- Matheus Seger Gonçalves, meu filho.
DR. BOA:
- Uma música:
Marvin:
- “Wingwan” (BOB DYLAN)