sábado, 24 de novembro de 2012


REPÓRTER BOA (PARTE 3)

 

Velha é atropelada por um trem e sobrevive. Fica hospitalizada por dois meses e dois dias e meio tratando de suas fraturas. Recebe alta dos médicos e, quando sai sorridente para ir para a sua casa, escorrega numa casca de banana e cai de cabeça num santinho de gesso e morre na hora.

Velhinho cai do avião e, felizmente sobrevive. Está ao lado de Deus e dos anjinhos celestiais.

Alerta: Peidos tailandeses podem gerar peste ao inalá-los. É que na Tailândia se come morcego assado com alho, ratos, baratas, escorpiões no churrasco, incluindo as mocinhas que preparam.

Homem honesto, justo, fodido, desempregado, acha um milhão de dólares e doa todo o dinheiro para o Pastor Rosinha. Upa! Upa! Que linda atitude desse filho da mãe.

Um objeto voador não identificado cai no sítio do Vovô Caipora, um caipira. O objeto era um disquinho e só trouxe alegria para a caipirada. Apesar de não entenderem nada, entraram no ritmo do chun, chun, chun e cha, cha, cha e dá-lhe chopeidança e garapeidoce.

Pastor “pilecado”, chapado e drogado morre ao dar glória a Deus ao diabo.

Loucos agora podem andar pelas ruas sem serem notados pela população. Bastam eles terem um foninho de ouvido. Qualquer coisa, eles estão falando ao celular e boa.

CÃES



Por acaso, eu deveria gostar de todas as criações que criou o meu Criador? Você conseguiria domesticar escorpiões e baratas? Ou quem sabe criaria um gambá em sua casa perfumada? Mas, não é sobre escorpiões, baratas e gambás que eu quero falar.
Milhões de pessoas talvez possam me odiar pelo fato de eu criticar os cachorros. Lamento muito, porém, enquanto eu estiver vivendo aqui neste planeta terra, sempre irei criticar tudo aquilo que é intransigente e detestável.
O cachorro é estressado por natureza. Promove um barulho infernal dia e noite e quer mostrar a sua valentia, que é fútil. Fico me perguntando quando é que este bicho dorme. Quando late para um estranho, seu olhar e latido transmitem ódio. Quanta raiva guardada em seu coração! Isso me entristece muito porque Deus é amor.
Os protetores desse animal vão querer defendê-los, é claro e, tudo o que me disserem serei obrigado a ignorar porque é papo furado e, depois outra: eles me ignoram também. Uns dizem: “Ter um cão em casa é bom porque espanta o ladrão”. Meus amigos, não aprovo furtos e roubos, porém, se o ladrão for bom ele vai entrar em sua casa, levar seu cachorro e toda a sua mudança no caminhão. Veja bem: eu disse “bom”, que é o porreta.
Se além de ração, o seu cão come bosta é porque não tem raciocínio e, se não tem raciocínio não está nem um pouco preocupado em proteger você, muito menos a sua casa. Por que é que essa “praga” se incomoda quando passa uma menininha na rua brincando com sua bonequinha? Será que passa na mente animal dele que esta menininha quer arrombar a casa do dono dele? O cão não protege nada. Só gosta do seu dono porque recebe dele comida e moradia. Dê uma pratada para esse bicho e coloque suas mãos no prato dele para ver o que vai acontecer com seus dedos. Mande esse vídeo para a Globo, especificadamente para o programa do Faustão. A população, na regra geral gosta de cães e não dos seus dedos, bobão.
O cachorro é um bicho selvagem e deveria estar na selva e não nas casas. Ele, além de ser um animal sujo, fedorento (que não tem banho que tire seu fedor), transmite moléstias. É um bicho agressivo, violento e, não consigo entender porque é que o bicho homem gosta tanto dele. Péssimo gosto. O interessante é que este animal quando não tem dono, está nas ruas, costuma ser dócil que abana seu rabo como forma de cumprimento até para as testemunhas de Jeová. Leve-o para sua casa e em poucos dias ele já estará mostrando os dentes. Se ele ver um cãozinho pobre, sem dono e sem lar, vai querer matá-lo. Que praga de animal egocêntrico e egoísta é esse? Homem, seja humano, respeite a vida e ensine o seu cão a respeitar também.

SEM PRECONCEITOS



Meu nome é Magalisângela, sou morena-clara, cabelos tingidos de louro, olhos castanhos meio esverdeados, 1.50 m, 25 anos de alegria, tristeza, solidão e agonia.
A história que vou contar a vocês é real e aconteceu comigo. Podem soltar suas emoções e chorar porque isso é bonito e faz parte da vida meus irmãos e irmãs do mundo todo.
Conheci Jocrésio numa encruzilhada bem no seio de um cemitério num dia lindo de muita chuva. Era dia de finados e eu levava flores para a velha Cudores, minha falecida avó. Eu e Jocrésio nos apaixonamos no ato, ou seja: ele por mim e eu por ele. Nunca tive preconceitos: ele era gago, manco e não tinha um olho, além de um mau hálito da peste. Quando muito nervoso soava e lamentavelmente também peidava, mas isso é normal. Levei-o para minha casa e o alimentei, pois ele estava muito faminto. Jocrésio e eu nos casamos e o nosso amor era muito lindo.
Meu “cheiro” era pedreiro dos bons e tava no alto de um prédio rebocando quando levou um tombo e desceu rolando abaixo daquele prédio gigante. Sua coluna foi pro pau e por azar ele ficou impotente. Mas nosso amor era lindo e ele tinha mãos fortes e peludas que me faziam um carinho da hora. Meu “cheiro” passava o dia todo sentado numa cadeira de rodas e eu dava um duro danado para sustentar nossa humilde casinha na favela da Rocinha.
Numa noite de verão bem quente, ele me acariciava quando de repente uma bala perdida invade nossa casinha e se encontra com uma de suas mãos. Não teve jeito: sua mão direita foi amputada, mas ele ainda tinha a esquerda e, o nosso amor era lindo.
Jocrésio adoeceu de vez depois que perdeu aquela mão. Após sérios exames foi constatado que tinha diabetes, câncer do pâncreas e aí danou-se tudo. Como se não bastasse ele ainda ganha uma trombose e suas duas pernas com pés e tudo foram pro pau. Que estado miserável ficou este homem, meu Deus! Sua boca inchou e todos os seus dentes caíram; sua outra mão também foi amputada, mas ele ainda tinha braços, me fazia um carinho da hora com aqueles toquinhos e o nosso amor era lindo. Por tragédia do destino seus braços também foram amputados e, aí danou-se de vez mesmo.
Jocrésio teve três AVC, perdeu outro olho e também a fala, mas ele ainda tinha tórax e o nosso amor era lindo. Veio o diabo de uma ferida em sua bunda e aquilo não sarava nem com reza brava; ganhou uma coceira no ânus e eu tinha que ficar coçando pra ele até que meu “cheiro” dormisse. Isso era direto. Aquela ferida foi crescendo, crescendo que se multiplicou de certa forma que não teve outro jeito: seu ânus também foi amputado juntamente com o seu pênis e aí danou-se de danar-se de vez mesmo. A ferida se alastrou, comeu o tórax dele, as orelhas e, as narinas, seu pescoço e meu “cheiro” estava sumindo. Caíram seus cabelos, seus olhos cegos e ele ficou sem face, mas seu coração ainda batia tic tac e o nosso amor era lindo.
Eu não tenho preconceito, mas o homem ficou sem nada, gente! Até que um dia seu coração parou de bater e ele morreu. Fiz um pedido no necrotério e fui atendida: deram-me seu coração parado e eu tenho guardado ele até hoje em meu freezer porque nosso amor ainda assim continua muito, mas muito lindo.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

PROVA DE AMOR



Creio que não exista algo que seja mais lindo do que o amor. Cito o amor Ágape (o amor de Deus para com o homem), Eros (amor de homem e mulher,  inclui relações sexuais), Filo (amor entre seres humanos: amigos, pais e filhos, etc.).

Orlando era um homem bem sucedido na vida. Tinha cinquenta por cento das ações de uma grande indústria de temperos. Era sócio de Eduardo, seu melhor amigo.
Orlando era casado com Sandra, uma linda mulher e, fazia dela a rainha do lar. O relacionamento de ambos era esplêndido e até mesmo invejado por muitos casais. Eram companheiros amicíssimos e se amavam a prova de todo amor.
Sandra era dócil, carinhosa e sem ambições. A pessoa mais importante para ela era o seu homem Orlando.
Um dia, Sandra ficou muito doente. A princípio era uma anemia, mas, seu quadro clínico se agravou e foi constatado, segundo médicos especialistas que ela estava com leucemia, ou seja: câncer no sangue.
Orlando redobrou o seu amor para com ela. Ficava horas a seu lado consolando-a com palavras de otimismo, esperança, fé e muito amor. Ela precisava fazer um transplante de medula para sobreviver e, felizmente, o dinheiro pode não comprar a vida, mas, pode pagar por uma boa parte dela. Após muitas quimioterapias, ela perdeu todo o seu lindo cabelo, mas, teve a maior de todas as boas novas: estava totalmente curada. O casal celebrou por esta vitória da medicina, em lágrimas, porém, lágrimas de muita alegria. O amor do casal realmente era muito lindo.
Sucedeu que um dia, Eduardo, sócio e amigo de Orlando conversava com o último, em um bar finíssimo de São Paulo e o assunto era: fidelidade de mulher.
- Não existe fidelidade na mulher, meu caro amigo Orlando. Todas elas traem.
- Você não sabe o que diz, Eduardo. Não sabe o que é ter um amor de verdade. Sinto muito por você já ter sido traído.
- Quem pode garantir que você também não foi traído? Quem? A sua mulher?
- Eu não quero brigar com você. Eu conheço a mulher que tenho em casa e...
- Amigo Orlando, sua mulher ama primeiramente o seu dinheiro. Tire o conforto, o luxo, enfim, a boa vida que ela leva e verás o quanto te ama.
- Você não sabe o que diz.
- Aceita fazer uma aposta comigo?
- Você ficou louco, Eduardo? Eu não preciso apostar nada com você e nem com ninguém. Não preciso por o amor de minha Sandra à prova. Somos muito felizes e nos amamos muito.
- É evidente que você tem medo de perdê-la, amigo Orlando. Está com medo de perder a aposta. Eu entendo.

Orlando fica vermelho de pura raiva e estende a mão direita para Eduardo.
- Eu quero uma aposta alta. Cinquenta por cento das suas ações na indústria serão meus se não me provar infidelidade da minha mulher.
- Cinquenta por cento serão meus, porque irei te provar. Negócio fechado?
E Orlando e Eduardo ficam horas conversando naquele bar, tomando drinks, até que Sandra liga para o marido e ele logo vai embora. Sai zombando do amigo Eduardo.
- Está vendo? Sei que por dentro você está morrendo de inveja do meu amor com Sandra. Até amanhã, meu caro amigo.
Orlando chega em casa, abraça bem forte sua mulher e, é claro, não diz nada do que conversara com Eduardo. Tiveram uma relação sexual maravilhosa e dormiram.
Na manhã seguinte, na copa onde tomavam café, Orlando surpreende sua mulher.
- Minha querida, sabe que eu não escondo nada, absolutamente nada de você.
- O que aconteceu, amor?
- Caso eu perdesse toda minha fortuna, ainda assim, você ficaria comigo?
Sandra fica brava.
- Eu não sou casada com a sua fortuna e sim com você.
- Esqueça o que falei. Sei que realmente você me ama. Não queria te falar, mas, estou com problemas sérios de saúde e...
Sandra parecia preocupada.
- Já foi ao médico? O que você tem?
Orlando baixa a cabeça e chora.
- Você não vai me perdoar se eu lhe falar, amor.
Sandra o abraça bem forte.
- Amor, confie em mim. Eu te amo muito e estarei a seu lado para o que der e vier.
Orlando diz em lágrimas.
- Ontem nós transamos sem preservativos e, estou com o vírus da HIV. Perdoe-me.
Sandra surpreende Orlando.
- Amor, eu não conseguiria jamais viver sem você. Caso eu tenha contraído tal vírus, qual o problema? Não estamos juntos?
Orlando e Sandra se abraçam e choram como duas crianças. Naquele dia, Orlando não foi trabalhar. À tardinha, foi até a indústria de temperos contar as novas para Eduardo.
- Calma, Orlando. Não conte vitórias antes do tempo. Agora, Sandra vai fazer o exame e vai descobrir que não contraiu o vírus, certo? Das duas uma: ou ela vai achar que você a enganou ou não terá mais relações sexuais com você sem o uso de preservativos.
Mas, para surpresa de Orlando, não foi isso que aconteceu. Orlando e Sandra tiveram muitas outras relações sexuais sem o uso de preservativos.
Passaram-se alguns dias. O celular de Orlando tocou logo pela manhã, enquanto ele e Sandra tomavam café. Ele simulou uma grande preocupação.
- Amor, meu pai teve um derrame cerebral e preciso vê-lo em Poços de Caldas, Minas Gerais. Voltarei em dois dias. Você ficará bem?
Sandra o tranquiliza.
- Claro que sim, meu amor. Apesar de eu não conhecer o seu pai, estimas melhoras para ele.
E assim, Orlando beija a testa de sua mulher e se retira de sua casa. Encontra-se com o amigo Eduardo.
- As câmeras escondidas foram instaladas por todas as partes da minha casa. Se me provar infidelidade em minha mulher e, vai ter que ser esta noite, cinquenta por cento das minhas ações serão seus.
- Nos encontramos amanhã e, boa viagem.
- Eu não vou viajar, seu otário.
- É claro. Estou brincando.
Eduardo volta para a indústria e Orlando fica rodando com o seu carro, até a madrugada. Ele se embriaga muito, mas, não perde o rumo, de volta para a sua casa. Diz pra si mesmo: “Eduardo, otário! A indústria agora será só minha”. Quando Orlando chega a sua casa, tudo parecia aparentemente calmo. Ele tinha a cópia da chave e entra despreocupadamente pela porta da sala. Sabia que encontraria Sandra, seu eterno amor, dormindo. E, realmente a encontrou. Sandra e Eduardo estavam nus deitados na cama. E ambos, estavam bem acordados. Eduardo sentiu-se vitorioso, despreocupado, sem medo.
- Você perdeu a aposta, meu caro amigo Orlando. Eu e Sandra temos um caso há muito tempo e, caso queira assistir nossas relações sexuais estão todas registradas nas câmeras. Você é um fraco, covarde, corno e, agora: um pobre.
Orlando sentiu tudo girar em sua cabeça. Aquela cena realmente o surpreendera mesmo. Pegou seu revólver de calibre 38 e apontou para os dois.
- Que preço merece esta traição, se não a morte?
Antes de morrerem, Eduardo e Sandra suplicaram muito a Orlando para que não os matassem.  Tudo em vão. Orlando disparou cinco tiros certeiros sobre eles e, em seguida suicidou-se.
Eduardo e Sandra, realmente tinham um caso há muito tempo. Combinaram tudo, porém, não esperavam que tivessem um final assim, tão trágico como este.


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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

DESEJOS ESTRANHOS


 

Toda mulher grávida tem desejos. Isso não é frescura de mulher não, gente. Creio que é porque tem um fruto em seu ventre e, cada vez que esse frutinho vai crescendo, os desejos da mamãe grávida, vai aumentando.

Lola, uma grávida do Pará, por pouco não deixou Tamucho, seu marido japonês, louco. Ela acordava o “japa” na porrada pelas madrugadas.

- Estou com desejos, Tamucho.

- Agora, Tamucho muito cansado, né? Amanhã Tamucho de pé vê isso pra você, mulher.

- Amanhã uma pinóia, Tamucho! Quero cheirar um cachorro molhado e tem que ser agora.

- Onde eu vai achar cachorro molhado agora, né?

- Deixe de ser burro, sua égua! Recolha na rua um desses cãezinhos vira-latas e traga pra cá. Molhe-o das patas a cabeça e traga pra cheirá-lo.
E Tamucho sai pela madrugada atrás de caçar um cachorro. Pega um bem sarnento, traz para casa e molha-o das patas a cabeça e leva para Lola cheirar.
- Que cheiro delicioso! É por isso que as cadelas gostam. Pronto! Matei o meu desejo. Desapareça com esta imundície daqui que já começou a feder.
Tamucho ri.
- É que Tamucho peidou, né?
E isso provoca outro desejo em Lola.
- Peido japonês é puro fedor de peixe. Não ta com nada. Quero cheirar um peido de leite e nata.
- Aí bagunça cabeça do japa, né?
- Eu explico. Pega um pote de vidro lá debaixo da pia da cozinha. Você vai levar o potinho de vidro debaixo da ponte, onde é comum encontrar moleques de rua. Faça ele peidar no pote e traga-me.
E Tamucho faz o que Lola lhe pede. Tamucho diz para o moleque:
- Cada peido vale um real, né? Peide no pote.
Vixi! O moleque soltou logo, 48 peidos. Pagou o moleque e, voltou com o pote para a casa e deu para Lola.
- Que cheiro delicioso! Quando se peida gostoso, o peido sai saboroso.
Lola, chapada de tanto cheirar peidos, finalmente dorme. Quando amanhece o dia, ela acorda Tamucho na porrada. Estava com uma fome da peste.
- Tamucho! Quero comer salame duro, mas, tem que ser italiano.
- Ta louca, né?
- To não. Vá ao armazém do Giuseppe Itália e me traga um salamão do tipo.
Tamucho vai ao armazém e traz para sua mulher um salamão italiano legítimo. Ela diz:
- Fique na sala enquanto eu provo esse duro, Tamucho.
Quarenta minutos depois, Lola chama o marido.
- Tamucho!
- Estou aqui, né? Provou do salame?
- Joguei pela janela. Além de mole, tava mucho, Tamucho.
- Xii! Aí complica a cabeça do japa, né?
- Complica nada, Tamucho. Traga pra mim um mandiocão África.
Tamucho sai à procura desse tal mandiocão África, mas, não encontra. Volta pra casa todo suado de tão cansado, sem o mandiocão África, achando que ia levar um “pau” de sua mulher, mas, ela estava tão calminha feito um nervosão estressado chapado de maracujá.
- Tudo bem, Tamucho? Provei do mandiocão África e adorei. Só faltou você para provar também.
- Aí complica a cabeça do japa, né? Como você conseguiu garantido esse mandiocão África?
- Veio até o portão um negrinho da Etiópia e eu o deixeiele entrar.
- Mas, ele tinha o mandiocão África, garantido?
- E que garantido, Tamucho?
- Mandiocão África tava mucho?
- Claro que não, Tamucho.O mandiocão África tava garantido.
- Que bom, né?
E os desejos de Lola cessaram. Logo nasceu um molequinho mestiço a tudo. Estranho,né?
-
 
 
 

OBCECADOS PELA VIOLÊNCIA


 

O mundo hoje está obcecado pela violência. Lamentavelmente, a violência atinge principalmente no mundo do entretenimento.

Eu, Doutor Boa, procuro levar alegria e também textos para refletir para o meu público, ou seja: todos aqueles que respeitam a vida como eu. Tenho falado muito sobre as coisas que me aborrecem.

MÚSICA: As atuais agridem a moralidade. Letras cada vez mais violentas “são paradas de sucesso na indústria da música”. As pessoas, na regra geral, preferem aplaudir a mídia, ouvindo músicas com linguagens obscenas. Algumas letras até mesmo glorificam o assassinato e o estupro, até mesmo de esposas e de mães.

VIDEOGAMES: Os videogames violentos estimulam nos adolescentes a atividade de regiões do cérebro ligadas às emoções e reduzem as respostas das zonas que se encarregam do raciocínio e do autocontrole. Na regra geral, este entretenimento gira em torno de violência sanguinária. Jogos que a pessoa pode espancar mulheres até a morte com tacos de beisebol.

NOTICIÁRIOS: Os repórteres sabem que a violência atrai telespectadores e que altos índices de audiência atraem patricionadores, que financiam programas de TV em muitos países. “Quanto mais sangue, mais audiência”.

SITES: Imagens virtuais e reais de tortura, desmembramento, mutilação e assassinato estão disponíveis na internet. Muitas crianças acessam esses sites.

Gente, respeitar a vida é, sem dúvida, o melhor que se pode fazer. Eu respeito. E você?

HORAS DE AFLIÇÃO



Meu nome é Jessé e, hoje confesso que passei os momentos, as horas de aflição mais tensas que uma pessoa possa imaginar.
Tudo começou numa balada funk aonde cheguei totalmente embriagado de vinho e chapado de crack na cabeça. Não me lembro  ao certo das idiotices que lá falei para os meus colegas. Briguei com alguns rapazes, não me lembro por qual motivo e, quando dei por mim, eu estava caído e ensanguentado no banheiro daquele baile. Eu estava imóvel, não conseguia sequer, piscar meus olhos ou então mexer com um dos meus dedos das mãos ou dos pés. Estava ciente, podia ouvir nitidamente as pessoas falarem e o som alto do funk.
- Ele está morto. Foi assassinado.
Mas, eu não estava morto. Como explicar isso? Alguns homens seguranças daquele baile me recolheram do chão.
- É melhor que a polícia não saiba disso, se não, vai sobrar pra gente.
- Vamos nos livrar de seu corpo.
Que aflição! Eu queria poder dizer a eles que estava vivo. Pelos fundos daquele baile, havia uma porta que dava saída para o estacionamento. Jogaram-me no porta-malas de um carro e fiquei ali, creio que, por algumas horas. O carro começou a rodar e eu só ouvia risos e mal pude entender o que eles, (ou quanto eram eles) diziam. Depois de rodar por uns quarenta minutos (calculei) o carro parou. Eu estava gelado e duro, mas, vivo. Jogaram-me num rio, como se eu fosse um saco de lixo. Na queda, bati gravemente com minha cabeça e, ainda assim, eu continuava vivo, sem poder me mexer. Senti a água poluída de aquele rio entrar em minhas narinas e boca e meus pulmões incharem pelo excesso de água e, finalmente, desejei a minha morte. Achei que meus pulmões iam estourar, mas, não foi isso o que aconteceu. Eu estava sobrevivendo a tudo aquilo, sem entender como. Senti bichos sobre o meu corpo, comendo a minha carne. Tudo aquilo me doía demais, mas, não era tão doloroso como a forte dor que eu sentia em minha cabeça. Perdi a noção do tempo. Escutei vozes, mas, não pude ver mais nada. Eu estava completamente cego, mas, pior que isso: vivo. Recolheram o meu corpo, levando-o para o Instituto Médico Legal e, lá me deixaram na geladeira. Logo meu corpo foi identificado pela minha mãe que chorava em desespero.
Não. Isso não poderia estar acontecendo comigo: meu corpo estava, horas depois, sendo velado. Ouvi muito choro da minha mãe, dos meus irmãos e entes queridos e, só queria ao menos, poder mexer um dos meus órgãos para chamar a atenção deles e perceberem que eu estava vivo. O caixão foi fechado e, eu não queria acreditar que aquilo estava acontecendo comigo. Não. Eu não estava morto. Fiquei asfixiado dentro daquele caixão e, aí sim, pensei que em questão de minutos eu iria apagar de vez. Isso não aconteceu. Eu continuava vivo. Entendi que aquilo era catalepsia, uma doença que deixa os membros moles, sem contrações. Provavelmente foi da minha intoxicação com álcool e drogas. Desceram meu caixão a sete palmos debaixo da terra e, adeus. Fui enterrado vivo. Quando o coveiro jogou a primeira pá de terra sobre o caixão, consegui mover meus dedos e, sucessivamente, cada órgão do meu corpo. Gritei muito alto, mas, ninguém pode me ouvir. Seria impossível eu sair dali daquele caixão lacrado, há sete palmos debaixo da terra. Lutei muito pela minha vida, mas, muito mesmo, porém, tudo foi em vão. Meu tempo acabou e, felizmente, não queria que fosse desta forma, mas, descansei de verdade.
Dizem que coração de mãe não se engana e, de fato, o coração da minha mãe não se enganou. Ela conseguiu convencer o coveiro para me desenterrar, porque pressentia que eu estava vivo. Já era tarde, mamãe! Quando meu caixão foi aberto, confesso que fiquei atemorizado: eu estava com um semblante agonizante. Minha mãe e todos que ali estavam puderam ver como debati dentro daquele caixão para sobreviver.
Ignore as drogas, caso tenha amor e respeito pela vida. Tudo o que ela é capaz de lhe oferecer é uma “vida ilusória repleta de sonhos mentirosos”. A vida de verdade tem um valor incalculável e infinito. Você, que é usuário de drogas só vai valorizar a vida quando perde-la como eu. Nem mesmo sei hoje onde estou, mas, eu desejaria estar aí em terra viva com todos aqueles que me amavam e eu os ignorava por via da maldita droga. Só se vive uma única vez. Pense nisso.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

SÍNDROME DO PÂNICO



Ênio era um sujeito estressado demais. Vivia ansioso, preocupado, com muito medo de morrer a qualquer momento. Era comum ele dirigir seu automóvel, achando que, de repente, seu coração ia parar de bater e aí tudo iria acabar para ele. Então, ele parava seu automóvel no acostamento da rodovia, colocava sua mãe direita sobre seu coração e ficava aguardando a sua última batida.
Stênio era o seu melhor amigo. Um homem esotérico que dizia coisas absurdas. Ele queria ajudar o amigo Ênio a se livrar desta terrível síndrome do pânico, a qual sofria.
- Veja bem Ênio, antes de virmos para este mundo, fomos programados lá em cima, por seres do além. Quem são esses seres? São cientistas hiper inteligentes. Eles usam uma matemática superior a nossa e, ela é infalível, capaz de fazer cálculos exatos das batidas do nosso coração. A partir do nosso nascimento, o coração começa a bater. Digamos que o seu coração foi programado para bater 21 bilhões, 399 milhões, 993 mil e 12 batidas. Vencendo esse total de batidas, caixão, meu velho.
Ênio se coçava, apavorado.
- Como saber quantas batidas tem nosso coração?
- Aí você perguntou demais, amigo Ênio. Temos que evitar tudo àquilo que entope as artérias, principalmente a gordura para que o sangue não deslize, porque ele vida ao coração e a todos outros órgãos. Se o sangue escorrega na gordura, ou leva cafeína, nicotina ou álcool pro coração, o mesmo pode acelerar e você terá um ataque cardíaco ou morte súbita.
Ênio ouvindo isso se gela todo. Stênio continua a falar.
- O que é mais comum é o derrame cerebral. Se o sangue não estiver legitimamente limpo, deixa o cérebro sem oxigênio, às finíssimas artérias se rompem e o indivíduo ganha o derrame cerebral podendo morrer ou não. Quando não mata, o derrame aleija.
Ênio suava frio.
- Stênio, por que minha nuca está doendo forte?
- Sua pressão sanguínea arterial está exageradamente alta. Se ela estourar na cabeça, caixão. Tome um suco de maracujá com urgência, porque você está tão vermelho feito o sangue de Jesus.
Ênio sai correndo dali, da casa do amigo Stênio, para na primeira lanchonete e toma um suco de maracujá.
O homem estava pálido, sô! Seu coração batia 22º por minuto e, ele achou que ia ter ataque cardíaco nos próximos minutos. Correu e entrou na primeira farmácia que encontrou e queria saber quanto estava sua pressão arterial. O farmacêutico assustou-se quando viu marcar no esfigmomanômetro 230x17.
- Meu senhor, sua pressão está muita alta! Está a ponto de sofrer um derrame cerebral. Toma algum medicamento? Tem vícios como o de fumar, beber?  Costuma comer comida muito salgada?
Ênio desmaia e acorda num hospital. Estava calmo, tranquilo, sentindo-se “bem” em todos os sentidos. Seus pais, ao lado de sua maca, deixaram Ênio preocupado.
- Pai?! Mãe?! Mas, vocês estão mortos?
Seu pai sorri e diz.
- Ninguém morre, meu filho. Apenas desencarna. Seja bem-vindo ao mundo dos espíritos.
Ênio abraça seus pais, chora, mas, logo se conforma: seu coração nunca mais pararia de bater. Estava livre da síndrome do pânico.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

CABOCLO JURUBEBA




Padilha era um sujeito safado, sem vergonha, mentiroso e um tremendo de um charlatão. Gostava de extorquir dinheiro do povo, principalmente dos humildes, onde ganhava, com sua lábia, até a última moeda.
O cara-de-pau lacraia, também cachaceiro, montou uma tenda bem no centro de Sertãozinho, interior de São Paulo, batizando-a como: “Tenda Do Caboclo Jurubeba”. Vixi, sô! Aparecia todo tipo de pessoa por lá. Padilha, movido a Jurubeba (bebida) rolava no chão, pulava, gritava biuí bariguíi, batia palmas, arregalava os olhos, enfim, quem via, dizia que o homem estava incorporado no Caboclo Jurubeba. Assim, ele enganou muita gente humilde. Já estava ficando rico.
Um dia, chegou lá em sua tenda uma mocinha tão linda feita uma carteira recheada de dólares e euros. Que gracinha! Padilha faz todo aquela encenação, dizendo estar incorporado no Caboclo Jurubeba e, pergunta para a mocinha:
- O que você quer minha torta de hortelã?
Ela sorri.
- Nossa! Por que torta de hortelã?
- É porque o teu hálito é demais. Purifica todo o ar poluído por peidos e bactérias espirituais. Quando tu sorris purifica, quando tu ris pluraliza o sorriso em riso e até os vírus da bactéria da bunda da velha morrem. Deixe de conversa fiada e vem logo me dar um beijo lascado que todos os seus desejos serão realizados.
E a mocinha beija a testa de Padilha, que fica bravo.
- Pode parar bolinho de fubá! Isso não é beijo lascado. Falo-te daquele lambe boca, entendestes? Acaso não queres que eu, Caboclo Jurubeba realize todos os seus desejos?
- Sim, eu quero, porém, não quero trair meu noivinho.
- Noivinho?! Farei você perdê-lo. Deixarei, com meus poderes espirituais, ele cego, surdo e mudo.
- Mas, isso ele já é, Caboclo Jurubeba.
Padilha fica surpreso.
- E é?!
A mocinha sorri como um bobão caipira que acabara de ganhar sozinho na mega sena.
- Pois é. Como é que o senhor dotado de uma espiritualidade tão linda, não sabe disso?
E Padilha fingindo estar incorporado, se rola, bate a cabeça no chão, grita biuí bariguíi, e diz:
- É claro que eu sei que tudo isso ele já é, menina boba. Mas, se você não me der um beijo lascado, deixarei os ossos dele todos quebrados.
- Xii! Coitado! Meu noivinho tem reumatismo, artrose e osteoporose e, agora está com trombose. Como se não bastasse, caiu recentemente de um prédio de 20 andares e, ainda assim, não morreu. Não tem mais nada pra quebrar nele não, Caboclo Jurubeba.
- E é?!
- Pois é. Como é que um ser como o senhor dotado de um dom cana-de-açúcar, de um hálito tão doce feito o bolo prestígio de Lúcia, não sabe disso?
- Bolo prestígio de Lúcia, bem lembrado. É claro que eu sei, bobinha. Adoro brincar com menininhas. Tenho um bonequinho que quer brincar com sua boneca. É pegar ou largar. Quer pegar?
E de repente, gente, entra naquela tenda, Romão, o legítimo namoradão de Rominha, a mocinha. Malú Malícia, sem maliciar, mas, pense num cacete. Pense num cacete dos grandes. Pensou? Pensou pequeno. Padilha levou um cacete de Romão que dava pena. Ficou com o corpo tão ardido feito peito formigado de tamanduá; feito peido vaginal de gorila americana que queria ser Donna Summer. Vixi, sô! Mas, o homem apanhou demais!
Romão era o delegado de Sertãozinho e também, o namorado da mocinha. Só que Padilha pensou que era apenas mais uma caipirinha, entende?
O canalha Padilha foi preso e, por trás das grades disse pra si mesmo.
- Fui perder logo pra uma mocinha? Bonitinha, upa, upa! É uma tremenda filha da mãe.

domingo, 18 de novembro de 2012

NUMA NOITE DE SÁBADO


Igor era um rapaz muito bonito, inteligente, porém, um dependente químico. Ele sabia que tinha um futuro pela frente, afinal, só tinha 19 anos. Filho único recebia muito carinho de seus pais que, tentavam ajudá-lo a vencer o vício do crack, porque os amam muito.
Igor tinha por hobbie curtir uma discoteca, aos sábados, onde se juntava aos amigos e, todos curtiam num baile sons eletrônicos e bem embalados.

Numa noite de sábado, conheceu uma jovem encantadora na balada. Nossa! Que moça charmosa e linda! Loura de olhos tão azuis como um céu límpido de primavera. Todos os rapazes daquela balada queriam ficar com a jovem Aline, mas, esta princesa só tinha olhos para Igor, que, por ventura, ignorou seus amigos e ficou com ela. Dançaram até altas horas e, a melhor notícia: iniciaram um namoro. Já era tarde demais, o baile acabara e, Aline precisava ir embora. Igor queria levá-la até a porta de sua casa, mas, ela recusou.
- Adorei conhecer você. Até qualquer dia.
Muitos sábados passaram-se e, até então, Igor e Aline não se viram mais. Ele, completamente apaixonado voltava aos sábados naquela balada, mas, dessa vez, quem os ignoravam era os seus amigos.
Igor sentia-se só em sua casa. Seus estavam viajando pela Europa e, ele ficava vagando pelos cantos da casa, pensando em Aline.
Num domingo, logo pela manhã, Igor decide fazer um passeio diferente: vai a um cemitério e, lá, surpreende-se de vez quando vê uma jovem muito linda colocando flores sobre um túmulo. Esta jovem era Aline e o túmulo era dele, sim, Igor jazia há alguns dias ali. Ele fez uma viagem sem volta, devido ao crack. Morreu na mesma noite de sábado que conheceu Aline naquela balada. Igor só queria entender como foi que ele morreu. Chorou convulsivamente e, quando quis saber da boca da namorada Aline, ela já havia ido embora. Ele se conformou com sua morte e descansou em seu túmulo.

A PIOR FORMA DE MORRER




Não se pode dever para a morte, pois, ela vem te buscar em vida, ou seja: não se pode dever para traficantes de drogas, pois, não pagando a dívida, o devedor morre.
Wagner era um jovem bonito, saudável, estudioso e trabalhador responsável. Seus pais, João e Maria e, suas duas irmãs gêmeas Raquel e Raissa os amavam muito. A felicidade reinava no seio desta família.
Wagner era brincalhão e, não podia ver ninguém triste que já tentava animar. Ele tinha 23 anos, mas, parecia um molecão de 16 anos.
Conheceu Rafaela, uma linda jovem de 18 anos e iniciou um romance com ela. Os pais e irmãs de Wagner não gostaram de Rafaela, pois, ela era usuária de drogas, uma dependente química e, isso, poderia prejudicar a vida de Wagner.
Com o passar do tempo, Wagner já não era mais o mesmo. Aquele seu semblante estampado no rosto que transmitia alegria, havia morrido. Antes, ele vivia sorrindo, cantando, alegrando a todos. Agora, zangava-se por qualquer coisa. Discutia feio com seus pais e irmãs, por causa de sua namorada e, o clima ficou mais tenso ainda na família quando ele decidiu trazer Rafaela, que estava grávida dele para morar na casa de seus pais. Wagner estava perdidamente apaixonado por Rafaela e, por ela, seria capaz de fazer qualquer coisa. Um rapaz que era trabalhador responsável, agora já não era mais; abandonou o emprego de bancário e, pior que isso: conheceu as drogas e passou a ser também, um dependente químico como a namorada Rafaela.
As brigas e discussões eram constantes dentro de casa. Rafaela não ajudava em nada nos afazeres domésticos e, ainda exigia boa comida. Batia em Raissa (17 anos), uma das gêmeas e, feria moralmente seus pais João e Maria.
Raquel e Raissa, não suportando mais viver naquela casa, foram embora, causando grande dor a seus pais. Não demorou muito, quando o velho João descobriu que suas meninas estavam se prostituindo para ganhar a vida lá fora, ficou tão abalado que se enfartou e morreu.
Agora, quem mandava na casa, na ausência de Wagner, era Rafaela. Que crueldade! Ela humilhava e espancava dona Maria, que acabara ficando com sérios problemas mentais. A pedido de Rafaela, Wagner interna sua mãe num hospício.
Aquela casa que, antes reinava alegria, agora tinha uma “alegria ilusória”, por causa das drogas. Era freqüentada por traficantes e usuários de drogas e, freqüentemente visitada pela polícia. A vizinhança sofria, devido ao som exageradamente alto e o barulho das brigas e discussões causados pelas drogas e bebidas alcoólicas. À noite, ninguém dormia.
Wagner sobrevivia passando drogas que pegava dos traficantes. Como se não bastasse, quando se viu apurado e em dívidas com eles, começou a roubar para livrar-se das dívidas.
Rafaela deu a luz uma linda menina e, felizmente, ela nasceu saudável, porém, a mãe Rafaela, morreu no parto. Wagner se chocou muito com isso. Viu-se apurado com sua filhinha Juliana. Ele amava-a demais. Quem cuidava da menina enquanto ele fazia seus corres era Olga, irmã de um dos traficantes.
O tempo passou e, cada vez mais, a dívida de Wagner aumentava. Ele queria mudar de vida, voltar a trabalhar, mas, estava amarrado de mais, nas mãos de perigosos traficantes da Vila Verde, bairro de Curitiba – PR, onde morava. Juliana já tinha três anos e, ele continuava roubando para sustentar a casa e também parcelar suas dívidas com os traficantes.
Não. Do jeito que estava não poderia mais ficar. Wagner decidiu fugir, levando consigo sua filha para bem longe daquele lugar. Decidiu mudar de estado. Saiu bem cedo de sua casa com a menina nos braços, olhando para todos os lados para ver se não estava sendo vigiado ou perseguido. Pegou um taxi que o levou até a rodoviária e, de lá, partiu para a cidade de Gramado, interior do Rio Grande do Sul.
Que mudança radical e extraordinária ocorreu em sua vida! Ele se converteu ao cristianismo e congregava assiduamente numa igreja evangélica. Conseguiu um excelente emprego como gerente bancário e, ganhava muito bem. Em pouco tempo já morava com sua filha em sua própria casa. Enquanto ele trabalhava, a babá Amélia cuidava de sua filha Juliana que já tinha sete anos e já cantava lindos hinos na igreja.
Numa noite de sexta feira, quando Wagner chega a sua casa é surpreendido por quatro elementos de alta periculosidade. Ele reconheceu aqueles sujeitos. Eram aqueles traficantes lá da vila onde morava em Curitiba. Wagner gelou-se. Os traficantes já estavam dentro de sua casa e já haviam violentado e matado Amélia, a babá de Juliana. Foram horas de intenso pavor. A pequena Juliana estava amarrada numa cadeira e, os traficantes a torturavam somente para verem a aflição nos olhos de Wagner que nada podia fazer. Um dos traficantes humilha Wagner, deixando-o de joelhos sobre a mira de um revólver.
- Você nos traiu, compadre. E agora? O que é que seu Jesus pode fazer por ti?
Wagner suplica e chora.
- Pelo amor de Deus, não façam nada com minha filha! Eu vou pagar tudo o que devo para vocês! Hoje eu posso.
E Wagner leva vários golpes na cabeça. Sua boca sangrando e, ele vê sua filha sendo abusada sexualmente, violentada e estrupada de forma estúpida.
O traficante diz:
- Você é um covarde. Pensamos numa excelente morte para você. Se você for vitorioso, de repente, nem vai morrer e, sua dívida, será considerada paga.
E aqueles quatro elementos, totalmente drogados e frios, torturam mais e mais Juliana que acaba morrendo. Wagner grita e chora convulsivamente e, agora, deseja morrer e clamava por isso, sem medo:
- Matem-me agora, seus vermes! Eu quero em espírito me vingar de cada um de vocês, seus demônios!
E os traficantes deixam Wagner amarrado, mas, não tiram a sua vida e vão embora. Uma hora depois, a polícia chega. Provavelmente, alguém denunciou. Tarde demais. Recolheram os corpos de Amélia e Juliana e levaram Wagner para um hospital, saindo de lá para um hospício. Ele ficou completamente louco, considerado assim um “vivo-morto”. A pior forma de morrer.

“Se ela bater em sua porta, não abra; não a deixe entrar, pois ela pode ser a morte que veio te buscar em vida. Onde há alegria, ela promoverá tristeza. Não diga nada as drogas, pois, elas jamais vão te entender”.


doutorboacultural.blogspot.com/

sábado, 17 de novembro de 2012

MAVERICK AZUL



Marcus Vinicius era um grande músico. Um excelente pianista. Brasileiro, natural de Mogi Mirim (SP). Residia em Berlim, na Alemanha com sua esposa Olga e seus dois filhos Hanz e Ruth, todos alemães.
Movido por uma intensa saudade do Brasil, de sua terra e, principalmente de seus pais que, há dez anos não tinha notícias, resolveu matar tal saudade. Seus pais eram humildes agricultores e residiam numa pequena chácara na pacata cidade de Mogi Mirim.
Chovia muito forte quando Marcus Vinicius desembarcou no aeroporto Vira Copos, na cidade de Campinas, próxima de Mogi Mirim, sua terra natal. Resolveu se aventurar pela madrugada; pegar uma carona na estrada como fazia em sua adolescência. Não teve dificuldade. Logo parou um maverick azul e quem se surpreendeu foi ele.
- Valéria! Eu não acredito que é você.
- Pode acreditar que sou eu mesma.
Valéria era a sua amiga de infância. Cresceram juntos, porém, não se viam há dez anos. Nos 50 km rodados conversaram muito, matando a saudade dos velhos tempos.
- Seus pais estão bem Marcus e, por sinal, já devem estar acordados. Até qualquer dia.
E Valéria deixa Marcus Vinicius bem em frente à chácara e segue com o seu carro. Que surpresa maravilhosa! Os pais de Marcus já estavam acordados junto ao fogão de lenha preparando o café. Muitos abraços e lágrimas, pois, afinal, não se viam há dez anos.
Dona Lourdes, sua mãe, pergunta para Marcus:
- Como é que você conseguiu chegar tão cedo aqui, meu filho? Ônibus não circulam a esta hora da manhã.
- Vim de carona, mamãe.
- Mas, isso é muito perigoso. Quem te deu carona?
- A Valéria, a filha do João leiteiro.
Sua mãe sorri.
- Capaz! Valéria está morta e tem mais de cinco anos.
Seu pai, seu Joaquim confirma:
- É isso mesmo, meu filho. Entendo o que aconteceu com você. O importante é que está tudo bem agora.
Marcus estava inconformado.
- Não aconteceu nada comigo, meu pai. Eu não estou louco. Valéria me deu carona em seu maverick azul.
E seu pai confessa:
- Pois foi com esse tal de maverick azul que ela morreu na estrada há cinco anos quando vinha de Campinas para Mogi.
Marcus Vinicius não quis acreditar.
- Deve estar havendo algum engano. Só pode!
Uma hora depois, seu pai leva o filho ao cemitério e mostra a ele a sepultura de Valéria. Ele chora convulsivamente e diz:
- Não sei como! Ela me deu carona, meu pai!
Seu Joaquim o consola:
- Só os diamantes duram para sempre, meu único filho. Você não deu notícia suas e nem ficou sabendo de notícias nossas daqui. O importante é que agora está conosco. Venha comigo.
Andaram alguns minutos naquele cemitério, quando, de repente, seu Joaquim mostra outras duas sepulturas para o filho.
- Aqui jazz, eu e sua mãe, meu filho.
Marcus Vinicius sai correndo daquele cemitério e volta para a chácara. Ele estava totalmente confuso, sem absolutamente nada entender. Aquela casa estava abandonada. Mais confuso ainda ele fica quando vê na cozinha o fogão a lenha e sobre ele um bule de café, que, por sinal, estava quente. Ele sai correndo daquela chácara e teria que chegar até a rodoviária onde pegaria um ônibus para chegar a Campinas, depois um avião até São Paulo, e, finalmente, Berlim. A estrada, além de deserta estava em pura lama devido à chuva. Ele muito amedrontado, observa que atrás dele vinha um maverick azul. Dentro daquele carro estavam Valéria, seu pai Joaquim e sua mãe Dona Lourdes. Diz o seu pai com um olhar triste:
- Entre meu filho.
- Não. Eu não vou entrar.
Valéria sorri:
- Não tenha medo de nós. Estamos tão vivos quanto você.
- Eu estou vivo. Vocês estão mortos.
Seu pai aponta com o dedo e pede que Marcus olhe para frente.
- Olhe meu filho. A polícia está recolhendo o seu corpo da estrada. Você foi atropelado pela madrugada quando vinha para casa. Não tenha receio. Agora está tudo bem.
Marcus Vinicius entra naquele maverick azul que, desaparece pela a estrada de terra.